Arte na Barra

A Avenida Ayrton Senna, na Barra da Tijuca, não podia ser mais movimentada. Muitos carros, muitos shoppings e megastores – tudo mega. Em meio ao barulho, ao trânsito e ao vai e vém de quem está ali de passagem ou a caminho das compras, encontra-se uma ilha de sossego e arte. Trata-se do ateliê aberto do artista plástico Carlos Vergara. Mas o que significa isso? Morador de Copacabana, Vergara trocou o antigo endereço de seu ateliê, em Santa Teresa, pela Barra? Não exatamente.

Vergara aceitou o desafio proposto por duas empreendedoras imobiliárias (a Dominus e a Helbor) para enfeitar a fachada do edifício comercial que ambas constroem na avenida, próximo ao Shopping Via Parque. Como o projeto não prevê um adorno qualquer, mas sim um imenso vitral feito em aço corten (de 20 metros por 10 metros de altura) na fachada do futuro Link Office Mall, & Stay, o artista achou melhor se instalar ao lado do canteiro de obras e mais do que isso: criou ali, onde seria apenas um estande de vendas do empreendimento, um espaço para exposições de diversos artistas e discussões sobre o cenário da arte contemporânea.

No ateliê aberto a ideia não é vender obra alguma. Quem quiser comprar um Vergara terá de ir ao antigo ateliê, em Santa Teresa. A proposta é levar um pouco de diversão e arte para um bairro mais famoso por seus shoppings e largas avenidas.

Projetado pela arquiteta Izabela Lessa, o ateliê tem oitenta e dois metros quadrados e possui uma área com pé direito duplo, o que permite a instalação de grandes esculturas. A iluminação é especial. As luminárias sem fio (da Interpam) são fixadas através de ímãs e, por isso, podem ser deslocadas de acordo com os objetos e obras que estiverem expostos.  Chama atenção uma parede pivotante que pode ser usada na posição que for mais conveniente para o artista que estiver na casa no momento. “Trata-se de um elemento arquitetônico criado para ampliar a área de exposições. E como ela avança para fora do mezanino, podemos dizer também que é uma parede escultura”, diz Izabela. A escada, de aço corten, com degraus de madeira e guarda-corpo de vidro, também mais parece uma bela obra de arte. “Criamos um stand de vendas com fins culturais”, conta a arquiteta.

Em cartaz no momento está a exposição do artista Ricardo Becker, com suas incríveis lupas despencando pelo teto.  Pena que essa ilha de sossego e arte não ficará na Avenida Ayrton Senna para sempre. Assim que o empreendimento estiver pronto (estima-se mais que em março do ano que vem), a carruagem deve virar abóbora.

Fotos: MCA Estúdio

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