A Fundação Eva Klabin abre, dia 27 de setembro , a 21ª edição do “Respiração”. Criado em 2004, o projeto consiste em convidar artistas contemporâneos para criar intervenções no circuito expositivo da casa-museu, estabelecendo uma conexão entre a arte consagrada e as manifestações contemporâneas, revitalizando e oxigenando o sentido da coleção existente, por isso: “Respiração”.
Essa edição reúne os trabalhos da artista plástica Regina Silveira que apresenta a intervenção INSOLITUS, que como o próprio nome diz, cria uma situação insólita/inusitada. “Insolitus nos traz a crueza de uma realidade substantiva, que Regina Silveira explicita por meio das obras apresentadas no “Respiração”, que são como materializações na superfície do mundo, as angústias de nossa sociedade atual. Com sua poética singular, a artista faz um raio X das incertezas e dúvidas que estamos atravessando e chama a nossa atenção para aquilo que nos incomoda hoje no mundo. São como pragas contemporâneas”, explica o curador Marcio Doctors.

A fachada da Fundação está toda ocupada pela obra “Mundus Admirabilis”, que é uma infestação de insetos gigantes – “é como se todos os insetos saíssem do jardim e pulassem para a fachada”, explica Regina.
Ainda no imaginário das “Pragas” , na Sala Renascença está a “Dark Swamp (nest)” – uma instalação de um ovo negro gigante rodeado por uma mandala de crocodilos, que trata do poder e da maldade, enquanto destino ou profecia. Os crocodilos, multiplicados de forma caótica, significam a contaminação se expandindo e o ovo é a gestação desta contaminação, indesejada e incontrolável.
Tudo isso tendo como fundo o som de helicópteros e mosquitos, vindo da obra “Fábula II”, no alto da escada do hall principal, como referência perturbadora ao mundo dos insetos e ao filme Apocalypse Now.

Já a obra “Mutante II”, criada especialmente para o Projeto “Respiração”, explica o processo da arte como metamorfose do tempo. “Através dessa obra podemos surpreender de maneira cristalina como se dá a metamorfose da forma: um carrinho de chá comum é apresentado em processo de transformação para um carrinho de chá peludo, explicando de maneira quase animada esse processo”, afirma Marcio Doctors.
Na Sala de Jantar, a mesa e as cadeiras se transformam em móveis peludos, desencadeando um estranheza no ambiente requintado e ordenado de casa-museu.

Com a ocupação “Insolitus”, Regina Silveira radicaliza a ideia de intervenção da proposta do projeto, desestabilizando os códigos de uma residência, onde a tranquilidade é perturbada pelo imaginário da artista, criando, dessa maneira, uma metáfora contundente dos tempos atuais.

Serviço:
Fundação Eva Klabin
Av. Epitácio Pessoa, 2.480 – Lagoa – RJ
(21) 3202.8550