Os artistas conseguem dar forma a interrogações humanas, presentes em conflitos do nosso dia a dia, que passam do campo da reflexão. Foi o que levou a artista plástica, carioca, Patrícia Guerreiro a questionar o significado de “Corpos Perfeitos”?!, e que acabou virando título de sua futura exposição com 16 trabalhos prontos, alguns expostos no showroom da Ovoo, no CasaShopping. 

A coleção, que nasceu na pandemia, foi produzida com barro, envolvidas em arame farpado, aço, cobre, carbono e um espartilho – símbolo de luta e objeto de desejo da silhueta perfeita.

 Com os padrões de beleza, que embora estejam se desconstruindo e se transformando ao longo do tempo, ainda existe uma ditadura da magreza.  Inspirada pelo anseio de liberdade desta cultura de beleza imposta há séculos, Patrícia torna tangível, em cada obra, as dores desta ditadura sofrida pela própria ao longo de sua vida, com a busca pela magreza e perfeição. As peças causam impacto à primeira vista e mostram o que, para muitos, ainda não passa de vaidade.

“Essas peças são um reflexo da minha dor e luta com meu corpo desde a minha adolescência, na busca pela magreza com intuito de ser aceita pela sociedade, algo muito particular e que ao colocar em minhas peças espero me comunicar com outras mulheres, que passam pela mesma experiência”, explica Patrícia.

As peças refletem a superação da artista que chegou a pesar 102 kg aos 18 anos.  “É a minha verdade, o sentimento pelo qual passei e que levei para a minha arte”, acrescenta a artista, finalizando que a ditadura do corpo perfeito machuca e é uma tortura física e mental ainda aceita por milhares de mulheres em todo o mundo: “Mas o que é um corpo perfeito e por que este não pode ser livre?”.    

Acima, a artista plástica Patrícia Guerreiro

Patrícia Guerreiro é uma artista plástica, carioca e universal. Seu namoro com a arte começou aos 11 anos e desde então vem pintando telas, fazendo desenhos, amassando barro e criando seu legado.  Atualmente, Patrícia está doando sua energia artística em outra plataforma, além da cerâmica, com novo trabalho: uma instalação flutuante, que mistura vários materiais e cria beleza e sonoridade, com 108 nomes de Ganesha, deus da sabedoria e da fortuna para a tradição religiosa do hinduísmo.

Acima, uma instalação flutuante, novo trabalho da artista, em fase de finalização

 

Neste ano, a artista foi um dos nomes selecionados para a Exposição “1000 Vases”, com sua obra  “Limites da Existência”, exposta em setembro, na Paris Design Week 2020. “Eu criei uma peça alta, com um espaço vazio dentro dela e fiz cortes verticais que me causaram várias rachaduras ao longo do processo de secagem”, relembra. Foi um trabalho que a fez cuidar desta peça por 25 longos dias. Foram vários desafios e consertos para a sua existência. “Ela foi no seu limite. O barro chegou no limite dele em resistência por conta destes cortes”, conta.

@ceramicapatriciaguerreiroarte