Há 26 anos a jornalista Ana Maria Chindler decidiu mudar de ramo. De família judia que valorizava o ouro e a prata, ela foi por um outro caminho e se apaixonou pela arte popular, pelo barro e pela madeira. Depois de muita pesquisa e com o livro O Reinado da Lua como sua “bíblia”, ela tentou exportar peças de artesãos brasileiros, mas dois motivos a fizeram mudar de ideia. “Os artistas com quem trabalho não têm como fazer 3 mil peças, como os compradores internacionais queriam, e eu vi que o Rio não tinha uma loja com artesanato comprometido com a cultura brasileira”, conta Ana. Foi aí que ela criou a Pé de Boi, na Rua Ipiranga, em Laranjeiras, longe do circuito tradicional de decoração e com muitas surpresas para quem entra na loja para conhecer.

 

São peças de todo o Brasil, mas principalmente de Pernambuco e Minas Gerais, estados em que Ana mais compra nas feiras que frequenta. De pequenas esculturas de madeira assinadas por Véio passando por peças de capim dourado do Jalapão e tapeçaria até bancos enormes, vasos, carrancas e muitos outros objetos, são tantos produtos com detalhes tão minuciosos que a impressão é de que um dia inteiro não é o bastante para ver tudo. Nos dois andares da loja, é como fizéssemos uma viagem por vários cantos do país.

 

“A arte popular está aos poucos deixando de ocupar a varanda e a casa de campo para entrar na sala de estar. É um processo lento, pois ainda são poucos que têm coragem de aceitar essas peças como elementos da decoração. A maioria ainda procura os objetos utilitários, mas há algumas pessoas que já têm esse olho voltado para a arte popular”, diz Ana. Entre os profissionais do meio que frequentam a loja, a proprietária cita Chicô Gouveia, Jorge Hue, Gilles Jacquard e Janete Costa.

 

Uma vez por ano, Ana faz uma exposição na loja. Segundo ela, a ideia é fazer com que as pessoas tenham acesso a peças que fazem parte das tradições do povo brasileiro. Até o dia 18 de agosto, está exposta uma coleção com mais de cem potes garimpados em casas e fazendas na parte central e sul da Bahia e norte de Minas. “É importante que se realce a textura que os potes adquiriram com o passar do tempo. Alguns ainda lisos como se tivessem sido recém-alisados com o coité, trabalhados com o sabugo de milho e saído do forno. Outros estão encarquilhados pela perda das camadas externas do barro polido formando uma nova textura. Todos lindos, afirma Ana.

 

Rua Ipiranga, 55 – Laranjeiras
Tel: 2285-4395

Funcionamento: Segundas às sextas-feiras: das 9 às 19 horas – Sábados: das 9 às 13 horas