No último sábado, 10 de setembro, O IMS inaugurou a exposição individual do albanês Anri Sala, um dos principais nomes da arte contemporânea. A mostra “O Momento Presente” é a primeira apresentação ampla no Brasil do artista internacional e trata-se de um projeto que compreende duas exposições no Instituto Moreira Salles. A primeira, inaugurada nesse último sábado, contou com uma conversa entre o artista e a curadora Heloisa Espada. A segunda exposição ocorrerá na nova sede do IMS na Avenida Paulista, no segundo semestre de 2017.

As duas mostras – com listas de obras distintas, pois foram elaboradas em diálogo com as características de cada espaço – explicitam a dimensão política e ao mesmo tempo sensível da obra de Anri Sala por meio de instalações, vídeos, fotografias e objetos. Por um lado, o espectador é levado a avaliar criticamente o momento atual a partir de um ponto de vista histórico; por outro, é impactado sensorialmente por meio do som. As exposições reunem obras de diferentes fases, mas se concentram principalmente em videoinstalações sonoras, tais como Long Sorrow (2005), Answer Me (2008), Le Clash (2010) e Tlatelolco Clash (2011).

A exposição no Rio de Janeiro tem como foco o diálogo das obras de Sala com a arquitetura modernista da casa projetada por Olavo Redig Campos em 1951. Ali, o artista potencializa a experiência do público em relação ao espaço, propondo uma nova forma de circulação, bloqueando passagens usuais e induzindo o visitante a percorrer áreas externas pouco habitadas. Numa intervenção ainda mais direta, ele substituiu uma das vidraças que dão para o pátio interno da casa pela obra No Windows No Cry (Olavo Redig Campos) (2016).

Outro destaque é a instalação sonora Bridges in the Doldrums (2016), criada especialmente para esta exposição. Mais uma vez em relação direta com a arquitetura, a obra ocupa a sala de azulejos, no interior da casa, e a varanda do painel de cobogó, na parte externa. Os dois ambientes são separados por uma porta de vidro fechada, de modo que eles são visualmente acessíveis, mas acusticamente isolados um do outro. Para chegar até a varanda do cobogó, é preciso dar a volta pela parte de fora da casa. Bridges in the Doldrums faz parte de uma série de instalações iniciada em 2005, com instrumentos de percussão que exploram a noção de simultaneidade e sobreposição por meio da manipulação de ondas sonoras.

Ainda que se concentre sobretudo em trabalhos em que a investigação sonora tem papel central, Anri Sala: o momento presente apresenta também o vídeo Intervista: Finding the Words (1998), a primeira obra com a qual o artista se tornou conhecido, realizada como trabalho de conclusão de curso, quando ele ainda estudava vídeo na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs de Paris. A obra permanece atual e pertinente, pois condensa uma série de aspectos que continuam prementes na obra de Sala: a obsessão por ausências e faltas, a capacidade de extrair significados do que não é dito e a opção por abordar a história a partir de narrativas ambíguas.

Para a curadora, ”entre performance, ficção e documentário, os trabalhos presentes em Anri Sala: o momento presente propõem experiências nada apaziguadoras por meio da justaposição de contingências pessoais, históricas e políticas”.

Sobre o artista

Anri Sala é um dos artistas contemporâneos de maior destaque na cena artística internacional. Nasceu em 1974, na cidade de Tirana, capital da Albânia. Estudou na Academia Nacional de Artes de Tirana e na École Nationale Supérieure des Arts Décoratifs, em Paris, de 1996 a 1998, quando começou a trabalhar com vídeo. Em 1998, deu início à pós-graduação em direção na Le Fresnoy, Studio National des Arts Contemporains.

Anri Sala: o momento presente
Curadoria: Heloisa Espada
Visitação: até 20 de novembro/2016
De terça a domingo, das 11h às 20h
Entrada franca – Classificação livre

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Tel.: (21) 3284-7400

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