Desvios – Prelúdio

Com curadoria de Justine Ludwig, diretora de exposições e curadora-chefe no Dallas Contemporary, nos EUA, a mostra “O que acaba todos os dias”, uma antologia da obra do artista Laercio Redondo, será inaugurada no próximo dia 12 de dezembro, sábado, no MAM Rio. Serão apresentados 11 trabalhos produzidos desde 2007 até os dias de hoje, incluindo uma obra inédita sobre Lota de Macedo Soares e sua relação com o Parque do Flamengo, além de outros trabalhos que tratam da memória coletiva e seus apagamentos na sociedade. A exposição é itinerante e será apresentada em 2016 no Dallas Contemporary.

O trabalho de Laercio Redondo é freqüentemente motivado pela interpretação de eventos específicos relacionados com a cidade, a arquitetura e representações históricas. “O que acaba todos os dias é uma reflexão sobre a cidade e o país que o rodeia, com toda a sua complexa dinâmica social. Ele repensa o relacionamento da arquitetura com a identidade, tanto no nível pessoal quanto no nacional. Redondo, através de sua prática, ressuscita profissionais da área da cultura cujas obras permanecem relevantes até hoje”, explica Justine Ludwig. Na exposição serão apresentados videoinstalações, fotografias, gravuras, esculturas, vídeos e impressões de silkscreen em plywood.

Paisagem Impressa

A videoinstalação inédita “Desvios”, de 2015, refere-se à Lota de Macedo Soares e ao Parque do Flamengo. Ambientada com samambaias e cortinas, a obra é composta por um vídeo de uma hora de duração, onde é percorrida a distância entre o Parque do Flamengo – projetado por Lota de Macedo Soares, onde se localiza o MAM Rio – , e a Casa Samambaia, sua residência particular fora da cidade do Rio, na Serra de Petrópolis. “A trilha sonora do filme chama a atenção para a evidente ausência de Lota de Macedo Soares na memória coletiva brasileira”, ressalta a curadora.

Destacam-se também na exposição duas obras que focam o trabalho de Lina Bo Bardi: o vídeo “A Casa de Vidro” e a série de fotografias “Blow Up/ A Casa de Vidro”. “O vídeo mostra o registro da casa em duas ocasiões, uma em 1999 e outra em 2008. Ele chama a atenção para a natureza habitada da casa, em contraste com a percepção de um remanescente arquitetônico. O foco de Blow Up / A Casa de Vidro está nos detalhes e objetos que foram ampliados a partir das imagens originais da casa até o ponto de perderem a nitidez. Elas servem de contraponto às fotos arquitetônicas tradicionais pelo fato que a própria casa é suprimida da imagem. As imagens evidenciam os objetos que permaneceram na casa durante o período da restauração, transformando-os em artefatos que perderam sua finalidade original”, conta Justine Ludwig.

Lembrança de Brasília

“Laercio Redondo escava memórias, muitas vezes usando a arquitetura e seus criadores como ponto de partida. Profundamente atento à pesquisa da dinâmica cultural, Redondo mescla narrativa poética a uma visão pessoal para criar instalações multifacetadas. Nesta exposição ele examina importantes figuras brasileiras, como Athos Bulcão, Lota de Macedo Soares e Lina Bo Bardi. Muitas vezes, dando voz aos que foram silenciados, Redondo aponta as implicações universais do esquecimento coletivo”, afirma a curadora.

A exposição evoca, ainda, o artista brasileiro Athos Bulcão e o artista americano de origem cubana Félix González-Torres. Bulcão é apresentado no vídeo “Retoque”, onde um de seus murais de azulejos se traduz numa partitura musical. Em Para mirar al sur – After Untitled / Perfect Lovers, “Redondo interpreta os relógios de González-Torres como dois relógios de sol despertos pelo sol cubano. O trabalho chama a atenção para o papel do contexto, uma vez que só funciona realmente em Havana. Redondo cria conversas com esses dois artistas que atravessam o espaço e o tempo”, diz a curadora.

Retoque Videostill

“Já de algum tempo Laercio vem redesenhando poeticamente a história de nossa modernidade. Debret, Lina Bo Bardi, Athos Bulcão e, agora, Lota Macedo Soares. Figuras ao mesmo tempo centrais e marginais, que viviam, por razões distintas, uma espécie de não pertencimento de dentro do próprio pertencimento, e daí evidenciavam uma sensibilidade ao mesmo tempo lírica e pública. São figuras que atuaram publicamente sem qualquer pretensão monumental ou espetacular. Este recato é explorado e desdobrado na poética de Laercio, com seus filmes, instalações e objetos que misturam cuidado documental e liberdade ficcional. Suas obras se apropriam dessas referências históricas e as deslocam para o presente, mostrando como o mundo que foi ali sonhado mantém-se como desafio. Até que a frustração do fracasso civilizatório as transforme em mera lembrança fugidia”, diz Luiz Camillo Osorio, curador do MAM Rio. 

Laercio Redondo participou de várias mostras em galerias e museus no Brasil e no exterior. Dentre suas mostras individuais destaca-se a exposição “Contos sem Reis”, na Casa França–Brasil, no Rio. Seu trabalho integra diversas coleções, dentre elas, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro; Museu de Arte Contemporânea da USP, em São Paulo; Itaú Cultural, em São Paulo; Kunsthalle Göppingen, na Alemanha, entre outras.

Serviço: O que acaba todos os dias – Laercio Redondo no MAM Rio

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

Abertura: 12 de dezembro de 2015, às 15h

Exposição: até 14 de fevereiro de 2016

Realização: MAM Rio

De terça a sexta, das 12h às 18h.

Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h.

Ingresso: R$14,00

Estudantes maiores de 12 anos: R$7,00

Maiores de 60 anos: R$7,00

Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita

Quartas-feiras a partir das 15h: entrada gratuita

Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$14,00

Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85

Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140

Telefone: 21. 3883.5600

www.mamrio.org.br