As obras do povo brasileiro colocam o nosso país entre os mais importantes e expressivos produtores de arte no mundo.  A religiosidade sempre esteve presente na arte popular brasileira, constituindo elemento central na cultura nordestina. A exemplo disso, temos  o trabalho em esculturas de madeira da artesã pernambucana, Maria Claudomira Ferreira, conhecida como Mocinha, com presença marcante no Salão de Milão em 2019, com as figuras das Beatas do Catimbau.   A artista começou a se dedicar à arte em madeira por influência de José Bezerra, seu mestre e vizinho em Pernambuco, com criações que fazem parte do acervo da Fundação Cartier, em Paris.

Esses trabalhos, e de outros artistas nordestinos, podem ser vistos no Projeto Umburana – Arte, Expressão e Brasilidade, lançado ontem (28), no showroom do Studio FW, em Ipanema, com 50 peças criadas por artistas brasileiros. Além dos artistas já citados,  a exposição traz  também nomes como Maria Célio Ferreira de Souza, família Antonio de Dedé e Cícero Alves dos Santos conhecido como Véio, um dos mais expoentes nomes da Arte Popular Brasileira, com reconhecimento internacional.

 

 Acima, esculturas As Beatas, da artista pernambucana Maria Claudomira Ferreira, a Dona Mocinha, que desenvolveu uma técnica ímpar, a partir da madeira umburana. Seu entalhe é suave, dando origem à série de esculturas Beatas do Catimbau.  As peças representam a religiosidade da figura feminina, com as mãos unidas em sinal da fé.

 

Acima, escultura do artista sergipano Cícero Alves dos Santos, o Véio, que ganhou esse apelido na infância, por gostar de ouvir a conversa dos mais velhos.  As narrativas que ouvia, sobre mitos e lendas da cultura nordestina, são constantes em suas criações, bem como as cenas do cotidiano.  Véio usa troncos e galhos caídos ao redor de seu sítio: “Dou vida ao que já está morto”, diz o artista.

Acima, no centro da mesa, escultura ex-votos, do artista pernambucano José Bezerra, que foi trabalhador braçal e carreiro, antes de começar a atuar como artesão. O chamado veio a partir .de um sonho, que o incentivou a desenvolver esculturas a partir de troncos de árvores caídas, galhos e raízes – especialmente da umburana. Em seu processo criativo, o artista “liberta” figuras humanas, carros de boi, animais e outros elementos do universo sertanejo que já se insinuam no lenho e nos nós da madeira.

Acima,  o trabalho do artista cearense Célio Ferreira de Souza, que produz esculturas a partir de troncos de madeira e garrafas, com características únicas e autorais. Destacam-se as figuras humanoides, feitas a partir de troncos e galhos de árvores, subvertendo a lógica natural do corpo, e as garrafas com totens, aos quais estão ligados por um fio, figuras humanas populares, como se “flutuassem” dentro do frasco.

Acima, Alexandre Pazzini, Fábio Bouillet e André Franco.

A iniciativa tem como sócios o empresário Alexandre Pazzini, o arquiteto Fábio Bouillet e o artista plástico e curador André Franco, que lançam o projeto Umburana com a proposta de trazer para o Rio de Janeiro obras de artistas autodidatas que, através de suas visões particulares, fazem arte a partir de materiais simples, mas repletos de significado, como troncos de árvore, madeira, garrafas e outros suportes. O nome Umburana, inclusive, é inspirado em uma árvore típica da caatinga, bastante usada por diversos desses artistas.

“O mote do projeto é a valorização da cultura e da arte popular brasileira. Nosso trabalho de curadoria busca expor essa brasilidade, que é a mais pura e genuína representação da arte popular nacional”, explica Bouillet. As peças garimpadas tem origem em diversos estados brasileiros, como Sergipe, Pernambuco, Alagoas, entre outros.

 

  

Algumas obras permanecem em exposição no Studio FW, à venda no local (rua Barão de Jaguaripe, 211), e em breve on-line, no site do projeto www.umburanaarte.com.br ou pelo instagram @umburana.arte.

Veja quem esteve presente no evento, na galeria de Ari Kaye:

Acima, Mabel Graham, Fabio Bouillet, Juliana Neves de Castro, Roberta Vieira, Andre Franco, Alexandre Pazzini, Duilio Sartori e Fabio Bouillet.

Acima, Carmen Mouro, Isabela Gobel e Cristina Bezamat

Acima, Daniel Rocha, Fabio Bouillet, e Gabriela Eloy

Acima, Carol Freitas, Jefferson Stunner, Poliana Deitos, Ronald Goulart e Carla Assis