Inaugurada na semana passada, a obra “Enchente”  instalada sobre o túnel Janio Quadros, na região da Cidade Jardim, em caráter permanente, retrata um problema antigo e atual de São Paulo, além de refletir sobre o caos da mobilidade urbana. Criada por Eduardo Srur e pelo street artist Tché Ruggi, a obra ocupa um grande bloco de concreto localizado sobre o túnel, na Avenida Engenheiro Oscar Americano, um dos principais acessos ao Palácio do Governo e região do Morumbi.

O trabalho composto por milhares de carrinhos de brinquedo coloridos, aglomerados e sobrepostos de forma caótica, nos remete às imagens de enchentes que assolaram a metrópole novamente nesse verão. A convite de Srur, o artista Tché Ruggi – reconhecido por sua projeção na cena street art paulistana – pintará em tons de azul a arquitetura aparente do bloco no canteiro central e contextualizará a sua instalação tridimensional na parede principal.

Para o artista, a obra é importante porque ficará em caráter permanente no local lembrando a sociedade de um problema urbano que acontece na geografia de São Paulo há muitas décadas. “Enchente” será uma obra plástica sedutora. A comunhão do meu trabalho com a pintura minimalista do Tché será um encanto aos olhos do público. Entretanto, por trás deste aspecto lúdico, a intervenção provoca a reflexão sobre a força da natureza e a responsabilidade coletiva  em relação às recentes tragédias com a água”.

A iniciativa, bancada pelo próprio artista, faz parte de um projeto maior que começou no ano passado com o objetivo de ocupar a região com obras de arte pública em parceria com a Prefeitura Regional do Butantã. “A cidade é carente de ações cidadãs no espaço público e esta postura irá educar o olhar das pessoas. A sociedade precisa entender que arte pública vai muito além dos monumentos e grafite.”

Sobre Eduardo Srur: Eduardo Srur nasceu em 1974, em São Paulo, onde vive e trabalha. Começou na pintura, mas se destacou nas intervenções urbanas, entre elas “Caiaques”, no rio Pinheiros em 2006, quando instalou 150 caiaques tripulados por manequins. Não é a primeira obra que questiona o problema da mobilidade urbana. Em 2012, o artista instalou uma réplica de carruagem imperial na ponte estaiada da marginal Pinheiros. Suas obras se utilizam do espaço público para chamar a atenção para questões ambientais e o cotidiano nas metrópoles, sempre com o objetivo de ampliar a presença da arte na sociedade e aproximá-la da vida das pessoas. A cidade é o seu laboratório de pesquisa para a prática de experiências artísticas. O conjunto de trabalhos de Srur é uma crítica conceitual que desperta a consciência e o olhar para uma nova estética e o entendimento das artes visuais. Realizou diversas intervenções urbanas na cidade de São Paulo e participou de exposições em muitos países, entre eles Cuba, França, Suíça, Espanha, Holanda, Inglaterra e Alemanha.