A Breton  realiza amanhã,  25 de julho, o “Breton Talks”  na loja da marca no Rio de Janeiro, com designers da nova coleção  de móveis “Desejos de Família” .  O bate-papo, com mediação da editora desse portal, Déa Arbex,  abordará questões sobre design autoral e os processos criativos dos designers Estevão Toledo, Murilo Weitz e Paulo Niemeyer

A coleção, lançada recentemente, buscou inspirações  na brasilidade, na década de 60, na estética urbanista da época, na cultura e na música popular brasileira… Esses conceitos foram interpretados e ressignificados por profissionais convidados pela marca, que conceberam itens cheios de bossa e aconchego.

 Designer Paulo Niemeyer: Paulo  faz parte de uma linhagem de arquitetos. O mais ilustre deles, claro, dispensa apresentações. Seu bisavô, Oscar, simboliza a arquitetura brasileira internacionalmente e suas formas nunca deixarão de fazer parte do imaginário coletivo e, muito menos de Paulo. É assim na sua arquitetura, será para sempre assim no seu design. “Não concebo as duas atividades de forma diferenciada, mas em continuidade”, comenta ele.

E, de fato, as disciplinas sempre se entrecruzaram – formal e conceitualmente – na sua trajetória profissional. “Para mim é difícil pensar em arquitetura de interiores, sem móveis. Nem em móveis, sem arquitetura”, declara o arquiteto, que assumidamente revisita obras ilustres do bisavô em sua produção como designer. Tal como acontece na atual seleção que ele realizou para a coleção Desejos de Família, da Breton.

Os traços característicos de alguns dos prédios mais emblemáticos de Brasília aparecem em móveis como o banco Alvorada. O mesmo acontece com o Palácio do Planalto ou o Memorial da América Latina, solidamente implantado em São Paulo, entre outras obras. Sem falar em referências subjetivas de seu grande mestre, como a de relacionar a paisagem carioca com os contornos da mulher amada. Princípio, aliás, que ele revisita na sua cadeira Ana.

“Me arrisco a dizer que desenho objetos como obras de arquitetura. No caso dos móveis, trabalho com planos e apoios que bem poderiam ser traduzidos como vigas e pilares. Como em algumas obras de meu bisavô, nem sempre o apoio precisa tocar totalmente o solo. Apenas um ponto pode tocar. É o que nós, arquitetos, chamamos de transposição de carga: ela começa no apoio central e depois é descarregada nas laterais”, explica o bisneto.

Procedimento que ele faz questão de ver reproduzido também no mobiliário que desenvolve. “Mais uma vez não vejo e não faço distinções. Do dimensionamento, passando pelo protótipo e chegando ao produto final, meus móveis são concebidos com o mesmo rigor que aplico à minha arquitetura. Afinal, móvel foi feito para durar. E a Breton, como grande indústria que é, me deu condições de chegar a este resultado.”, finaliza.

 

Fotos: Estevão Toledo e Murilo Weitz

 

Designer Estevão Toledo: Estevão  adora estar em família, embora hoje tenha ampliado o conceito que fazia dela. “Família não é mais papai, mamãe e filhinhos. É a que você escolhe. O fundamental é que exista intimidade e vontade de ficar junto. Me agrada trabalhar para ampliar estes momentos”, afirma ele.

Desenhista industrial formado pela FAAP, há 20 anos no mercado, Estevão teve a oportunidade de aprimorar seus conhecimentos com grandes nomes do setor como Baba Vacaro, os internacionais Irmãos Fernando e Humberto Campana, além de seu maior mestre, Carlos Motta, que o inspirou a trilhar os caminhos da marcenaria.

Para a Desejos de Família, Toledo assina três linhas: o sofá Muxarabi e suas derivações – poltrona, aparador, banco e bandeja – no qual uma treliça de madeira, que remete à milenar divisória de ambientes árabe, ocupa ao menos uma das das laterais do móvel; a delicada, quase elementar de tão simples, cadeira Set, além da divertida mesa Mandacaru.

“Muitos me perguntam o porquê deste nome. Não percebem que o pé da mesa, feito de madeira torneada, com junções de metal reproduz o desenho de um cactus, só que invertido”, explica o designer que, sempre que pode, injeta um componente lúdico aos objetos que produz. “Me agrada a ideia de injetar algum nível de surpresa nas minhas criações”, diz.

Satisfeito com a oportunidade de ampliar o raio de alcance de seus produtos, Estevão se diz satisfeito com o trabalho realizado junto à Breton. “Sou um homem acostumado ao chão de fábrica, é onde me sinto melhor. A novidade agora é que no lugar de me exercitar na bancada, passei a ter à minha volta todo um parque industrial. Nada mal”, brinca o designer.

 

O designer Murilo Weitz é um apaixonado pela criação, em todas as suas escalas e quadrantes. Nascido em Leme, interior de São Paulo, estudou Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Mackenzie. Depois, morou em Londres, onde cursou Design de Criação e Moda, até que, em 2015, arrumou as malas, pegou um avião, voltou para o Brasil e fundou sua marca.

“Sou mesmo inquieto, criativamente falando. Arte, arquitetura, moda, design. Me agrada circular por todas as áreas, trabalhar as intersecções entre elas. Diria que na realidade tudo me interessa e me inspira, as coisas, as pessoas”, afirma o designer que nunca se preocupou em restringir sua criação a um material ou técnica construtiva específicos.

Sua primeira linha de produtos a Pixel, por exemplo, misturava tapeçaria e computação gráfica. Logo depois, foi a vez da cerâmica, que se transformou em objeto de seu mais vívido interesse. A ela veio se juntar depois o fascínio pela tecnologia LED de iluminação e, mais recentemente, pela construção de móveis. “Na verdade, meu trabalho surge da somatória de todas estas experiências. Sem começo, meio ou fim”, considera.

“Esse sentido de elegância, inerente à Breton me inspira muito. Daí a minha preocupação em investir em metais dourados, madeiras nobres, tecidos felpudos e encorpados. Tudo claro, ‘destemperado’ por um desenho que tende ao moderno, não exatamente ao modernismo”, explica Murilo sobre o conteúdo dos móveis que desenhou para a Desejos de Família.

No mais, tudo, segundo ele, se resume a um bem engendrado jogo de formas geométricas, sobretudo círculares. “Sempre pensei meu design em torno delas. Faz parte da minha identidade”, afirma ele, visivelmente feliz de integrar hoje a família de móveis Breton. “Quando vi tanta gente que eu curto desenhando para a coleção anterior, Bossa Nova, pensei: também quero (risos). Pois então, hoje estou aqui”, conclui.

Local: Breton – Casa Shopping
Av. Ayrton Senna, 2150. Piso 1, Bloco I. Barra da Tijuca, Rio de Janeiro – RJ.