Com curadoria da pesquisadora Teresa Arcq e em parceria com o Instituto Tomie Ohtake, a Caixa Cultural abre, no próximo dia 25 de janeiro, a exposição “Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas mexicanas”, que reúne 30 obras da grande artista mexicana. Em torno desses trabalhos de Frida Kahlo – 20 óleos sobre tela e dez em papel, entre desenhos, colagens e litografias – estão cerca de cem obras de outras quatorze artistas, principalmente mulheres nascidas ou radicadas no México, autoras de produções importantes, como María Izquierdo, Remedios Varo, Alice Rahon, Leonora Carrington, Rosa Rolanda, Lucienne Bloch, Jacqueline Lamba, Kati Horna, Bridget Tichenor, Lola Álvarez Bravo, Bona de Mandiargues, Cordélia Urueta, Olga Costa e Sylvia Fein.

A mostra, que esteve em cartaz no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo, entre setembro do ano passado e esse mês de janeiro, teve grande sucesso de público e crítica. Integrará a exposição uma mostra de filmes, dedicados às artistas Alice Rahon, Rara Avis, Jacqueline Lamba, Leonora Carrington, Remedios Varo, além de Frida Kahlo.

A exposição traça um amplo panorama do pensamento plástico da artista, e revela a complexa rede e o imaginário vigoroso que se formaram tendo como eixo sua figura. A mostra, que inclui pinturas, esculturas e fotografias – além de acessórios, documentos, vestimentas, registros fotográficos, catálogos e reportagens – ocupará todo o espaço expositivo do segundo andar da Caixa Cultural.

Durante toda a vida, Frida Kahlo (nascida em 06 de julho de 1907, em Coyoacán, México, onde morreu em 13 de julho de 1954) pintou apenas 143 telas. Dentre as 20 pinturas de Frida na exposição, seis são autorretratos. Há ainda mais duas de suas telas que trazem a sua presença, como em “El abrazo de amor del Universo, la terra (México). Diego, yo y el senõr Xóloti” (1933), e “Diego em mi Pensamiento” (1943), além de uma litografia, “Frida y el aborto” (1932). Imagens de Frida Kahlo estão presentes ainda nas fotografias de Nickolas Muray, Bernard Silberstein, Hector Garcia, Martim Munkácsi, e na litografia “Nu (Frida Kahlo)” (1930), de Diego Rivera.

Teresa Arcq afirma que os autorretratos e os retratos simbólicos marcam “uma provocativa ruptura que separa o âmbito do público do estritamente privado”. “Em alguns de seus autorretratos Frida Kahlo, Maria Izquierdo e Rosa Rolanda elegeram cuidadosamente a identificação com o passado pré-hispânico e as culturas indígenas do México, utilizando ornamentos e acessórios que remetem a mulheres poderosas, como deusas ou tehuanas, apropriando-se das identidades destas matriarcas amazonas”, destaca. “Impressiona constatar como estas artistas subvertem o cânone para realizar uma exploração de sua psique carregada de símbolos e mitos pessoais”, observa a curadora.

Segundo a curadora, a confluência dos grupos de exiladas europeias, entre elas a inglesa Leonora Carrington, a francesa Alice Rahon, a espanhola Remedios Varo, a alemã Olga Costa (nascida Kostakovski) e a fotógrafa húngara Kati Horna, e das artistas que vieram dos Estados Unidos, como Bridget Tichenor e Rosa Rolanda, permanecendo no México o resto de suas vidas, além de outras visitantes vinculadas ao surrealismo, atraídas pelas culturas ancestrais mexicanas, como as francesas Jacqueline Lamba e Bona de Mandiargues, e a norte-americana Sylvia Fein, favoreceu a atmosfera criativa intelectual e uma completa rede de relações e influências com Kahlo e demais artistas mexicanas. “A multiplicidade cultural, rica em mitos, rituais e uma diversidades de sistemas e crenças espirituais influenciaram na transformação de suas criações. A estratégia surrealista da máscara e da fantasia, que no México forma parte dos rituais cotidianos em torno da vida, a morte no âmbito do sagrado, funcionava também como um recurso para abordar o tema da identidade e de gênero”, explica Tereza Arcq.

A Galeria 1, no térreo da Caixa Cultural, também com entrada gratuita, será transformada em espaço de exibição de filmes sobre as artistas Alice Rahon, Rara Avis, Jacqueline Lamba, Leonora Carrington, Remedios Varo e Frida Kahlo. A programação se repetirá nos mesmos horários, ao longo da exposição, com os filmes:

10h30 – Alice Rahon (2012), 64’, de Dominique e Julien Ferrandou (Produção: Seven Doc)

12h – Rara Avis – Bridget Tichenor (1985), 21’, de Tufic Makhlouf

12h30 – Jacqueline Lamba (2005), 120’, de Fabrice Maze (Produção: Seven Doc)

15h – The Life and Times of Frida Kahlo (2005), 90’, de Amy Stechler (Produção: Daylight Films e WETA, Washington DC, in association with Latino)

17h – Leonora Carrington (2011), 107’, de Dominique e Julien Ferrandou (Produção: Seven Doc)

19h – Remedios Varo (2013), 64’, de Tufic Makhlouf (Produção: Seven Doc)

Serviço: Exposição “Frida Kahlo: conexões entre mulheres surrealistas mexicanas”

Caixa Cultural Rio de Janeiro, Centro

[Galerias 2 e 3]

Abertura: 25 de janeiro de 2016, às 19h

Visitação pública: 26 de janeiro a 27 de março de 2016

Patrocínio: Caixa

Idealização e coordenação geral: Instituto Tomie Ohtake

Endereço: Av. Almirante Barroso, 25, Centro

Terça a domingo, das 10h às 21h

Entrada franca, com distribuição de senhas na bilheteria da Caixa Cultural, de terça a domingo das 10h às 20h, ou no site www.ingresso.com

Informações: 21 3980-3815
E-mail: caixacultural.rj@caixa.gov.br