Minas Gerais tem tudo a ver com hospitalidade, arte, natureza, boa mesa e um sotaque irresistível. A estas tradições, soma-se um patrimônio histórico, arquitetônico e paisagístico dos mais relevantes. Estes e outros atrativos estão presentes de corpo e alma nos 59 espaços da CASACOR Minas Gerais, que celebra sua 25ª edição em grande estilo. No total, 94 profissionais de arquitetura, interiores e paisagismo participam.

Em 2019, a sede escolhida é o célebre Palácio das Mangabeiras, inaugurado em 1955 para ser residência oficial dos governadores de Minas Gerais. Seu projeto inicial é de autoria do arquiteto Oscar Niemeyer, com jardins planejados pelo paisagista Roberto Burle Marx. O conjunto tombado fica aos pés da Serra do Curral, que protagoniza a paisagem que abraça os ambientes.

Sem deixar de valorizar detalhes restaurados, como as paredes revestidas em pinho de Riga e o piso em tacos de peroba. O design nacional valoriza cada cenário, de Jorge Zalszupin a Sergio Rodrigues, na companhia de nomes internacionais como Ferrucio Laviani, Flos, Vitra.

A simplicidade – que por vezes pende para o minimalismo – orienta vários projetos e reforça a importância do bom traço e de escolhas precisas. Texturas acolhedoras e naturais criam espaços com vocação para receber, como a madeira, os tecidos de linho e o couro. Materiais locais, como a pedra sabão, não poderiam faltar. Ideias sustentáveis surgem a todo momento, como o onipresente ecogranito, os equipamentos que economizam água e as práticas construtivas mais secas e limpas. 

A seguir, os ambientes clicados por Jomar Bragança:

 Gustavo Penna, Laura Penna e Tina Barbosa – Salão Nobre. O espaço se vale de elementos refinados para endossar uma ideia de nobreza, como em um tapete orgânico em verde, que abraça os pilares e se estende no espaço como um convite a quem está entrando. O muxarabi ganha linguagem contemporânea, salientada pela obra de arte única, que toma toda uma parede, leva cor para o espaço, e ainda faz referência aos painéis enormes característicos do modernismo. 

 

Pedro Lázaro – Salão Nobre e Sala de Jantar. Na sala, o elemento arquitetônico em mármore não é propriamente uma cozinha gourmet, mas permite a finalização dos pratos ao concentrar um cooktop, uma cuba de apoio e o louceiro da família. Vale observar como os elementos originais foram preservados e restaurados, como as paredes revestidas em pinho de Riga e o piso em tacos de peroba. A luminária-instalação é uma parceria da multiartista Rita Lessa e A. de Arte.

 

Betina Marques, Gabriel Passos e Túlio Manata – Espaço de Palestras. O layout variável e mutável facilita a recepção de palestras e lançamentos, em um lounge que conta com mobiliário em corda náutica e deixa a entrada mais convidativa. Os brises permeiam a luz com suavidade, em oposição à estrutura metálica chumbo que confere uma estética industrial.

 

Bárbara Nobre e Norah Fernandes – Gabinete. Do barroco mineiro ao design de época, o espaço conjuga uma mistura fina de elementos artísticos. A composição do estar, destaca o verde do sofá Knoll e a curiosa disposição das poltronas Vitra, que seguem a tradição turca. O painel de madeira peroba ao fundo é de Porfírio Valadares.

 

Erika Steckelberg, Graziela Costa, Kívia Costa e Zuleica Lombardi – Estar Kazza. A composição harmoniosa desenha um estilo comum à todos os ambientes – estar, jantar, lareira e TV. O design brasileiro fica em destaque em meio às paredes neutras, que conta com peças de Jader Almeida, Aristeu Pires e Gustavo Bittencourt, além de uma escultura de José Bento e uma tela de Inimá de Paula. Madeira, palhinha e vasos de barro trazem a naturalidade para dentro do ambiente, em conversa com a paisagem externa montanhosa.

 

Sala das Palmeiras – Estúdio Sala. Espaço que permite a contemplação, se abre ao exterior e se mistura à ele, com vista para a Serra do Curral. Um tipo de sala-varanda, que une de forma harmônica elementos tecnológicos à formatos orgânicos da natureza. O mobiliário rarefeito e com poucas cores propõe um estilo moderno.

 

Casa Tereze – Ateliê da Vila. O revestimento externo em lambri pinus dá um ar de casinha rústica ao contêiner que resguarda o ateliê. Um pequeno e confortável estar preenche o espaço, e chama a atenção pela simplicidade das cadeiras de serralheria artesanal. O deck em madeira se estende do espaço interno, com um charmoso pergolado em fibra de coco natural que cria um divertido jogo de luz e sombra.

 

Júnior Piacesi – Refúgio. Desprendida do chão, a seis metros do solo firme, a casa estimula conexões. A estrutura metálica com chão de concreto emana leveza e transparência, interferindo minimamente na paisagem. A fachada mimética revestida de espelho faz um jogo de esconde no bosque de eucaliptos. Internamente, cozinha, mesa, cama, closet, banheiro e espaço de meditação se integram. Destaque para as poltronas Carlos Motta, para a poltrona Lina (em homenagem a Lina Bo Bardi) e luminárias da Flos.

 

Silvia Carvalho – Casa dos Vinhos. É intensa a presença de elementos naturais. Em tom sauvignon, o revestimento das paredes externas e internas estabelece forte diálogo com a madeira natural do forro e com o chão de pedra. Sem contar as texturas confortáveis do sofá generoso e das poltronas. O ponto alto é a adega automatizada e protegida pelo cubo de vidro, com capacidade de armazenar 400 garrafas. Um aplicativo ajuda na escolha do rótulo no momento da degustação.

 

Fernanda Villefort – Pavilhão Office. Um olhar renovado sobre espaços corporativos, que apresenta a integração como linha central do projeto. Na área central, concentra-se o espaço social, uma grande bancada que oferece café ou espumante, além de espaços para reuniões e palestras. Ainda, a passarela galeria, na única parede cega do pavilhão, tem a intenção de potencializar a criatividade dos visitantes.

 

Flávia Roscoe – Suíte do Governador. A ambientação estimula o descanso e o exercício de introspecção. Os tons sóbrios são predominantes, que dão lugar de destaque ao leve dourado das paredes em mobiliário. Na saleta, a clássica Bergère muda de ares com releitura de Sérgio Rodrigues, em contraponto ao quarto, em que a prioridade centra no conforto de elementos naturais como biombo em madeira e o painel em palha, desenho da arquiteta.

 

Flávia Freitas – Varanda do Restaurante. Com charme nos detalhes, o gazebo conta com placa cimentícia na plataforma da entrada em tom natural, que também aparece no cobogó com mais de 3 metros de altura. O mobiliário foi disposto sobre tapete indiano, em tom de off-white no estofado dos sofás e poltronas. Uma escultura de Amílcar de Castro é valorizada por um espelho d’água com acabamento em ecografite.

 

Carolina Campos  e  Maria Clara – Escritório do Chef. Escritório ideal para pequenas reuniões, seus elementos marcantes transpassam a personalidade de quem o comanda. Com paleta em verde, violeta, o tom de madeira e o preto, o espaço é original e singular, características reforçadas pelos cabideiros que pendem do teto.

 

Rodrigo Castro e Rodrigo Maakaroun – Suíte dos Convidados. A característica da hospitalidade mineira foi valorizada e atualizada. Vários móveis são híbridos e fáceis de carregar, como a cama desenhada pelos arquitetos, em couro off white e madeira escura. Nela, os lençóis em linho e seda de Arthur Matos contrastam com a almofada Versace. O armário serve de arara e apoio, agregando um espelho acoplado e uma mesinha. A luminária celebra matérias-primas típicas da região, como ferro e pedra sabão.

 

Juliana Couri, Maria Gabriela Nogueira e Natacha Nacif – Suíte Mirim. O lugar de descanso do guerreiro mirim também é espaço de aventuras. Na cama suspensa, a descida pode ser feita de rapel. Para subir, o acesso pode se valer da parede de escalada ou da escada de marinheiro. A cama principal também traz um desenho original, com tablados que permitem várias brincadeiras. O balanço de pneu é outra ideia lúdica, no espaço para ler ou jogar videogame.

 

Felipe Soares – Cozinha Leroy Merlin. Os elementos da tradicional cozinha mineira estão todos lá: o fogão à lenha, os armários abertos, o tijolo rústico, as frutas e os legumes à mostra. O layout limpo é o diferencial, com uma ilha central em T, que abriga o fogão à lenha, a cuba e a mesa, com epóxi revestido em resina vermelha. As obras de arte referenciam sutilmente o estado, como nos trabalhos de Mabe Bethônico e Flávia Bertinato.

 

Carol Horta e Júlia Belisário – Sala da Lareira. Provando que o sofisticado também pode ser aconchegante, o espaço aposta na mesa Pétala, de Jorge Zalzupin, assim como no seu banco Onda, para demarcar o gosto por design brasileiro. Além deles, a pequena poltrona em madeira leva assinatura de Zanine Caldas, e em sinergia com poltrona Tonico, de Sérgio Rodrigues. Ao fundo, a poltrona Alta, o pufe e a mesa lateral são de Niemeyer, em linguagem comum à todo mobiliário.

 

Angelo Coelho e Cristina Morethson – Mirante Becker. Quase como um observatório da Serra do Curral e do Palácio das Mangabeiras, o mirante foi construído com quatro ambientes que se completam: o lounge, o terraço, o bar e uma área de bistrô. Materiais naturais como pedras e madeira estruturam o mobiliário, assim como a cobertura, feita em madeira laminada e vidro habitat refletivo, que reduzem o calor e diminuem o ruído.

 

José Lourenço – Minas Workpod. O ambiente foi pensado como o escritório móvel do governador, que pode ser implantado em qualquer lugar. O formato orgânico reforça o elo com a natureza que o abraça. A luz é filtrada pelos brises em mármore no janelão, desenhando o piso vinílico amadeirado. Aconchegante por dentro e industrial por fora – e a intenção é que o contêiner em aço oxide e adquira as marcas do tempo.

 

Bárbara Barbi, Murad Mohamad e Jéssica Sarria Martins – Área de Convivência(OCA). O elemento arquitetônico principal, de estrutura metálica vazada em aço corten, foi formatado em curva áurea e posicionado estrategicamente sobre o deck de madeira muiracatiara. Assim, divide espaço com outras duas áreas, delimitadas pelo mobiliário, entre sofás, chaises e mesas baixas. Ao centro, uma escultura feita com pedaços de troncos de madeira e trançados de cestas acompanha um extenso banco em madeira com movimento caracol.

 

Erly Hopper – Jardim do Restaurante. Duas jardineiras ladeiam a entrada do restaurante, que oferece uma proposta árida, que remete à vegetação africana. O conceito é reforçado pelas jasmim manga, plantas utilizadas em grande quantidade. O jardim, por outro lado, homenageia Burle Marx, com bromélias em tons variados dispostas em cinco colunas.

 

Bel Diniz e João Diniz – Cuboesia & Jardim de Aço. Cuboesia é nome para uma instalação híbrida que une arquitetura, design, escultura, paisagismo e poesia. É estimulada a interação com o texto poético, através da possibilidade de adentrar os versos inscritos nas faces do cubo de metal. Este é circundado pelo Jardim de Aço – composição escultórica que sugere que o aço também é parte da natureza.

 

Marina Diniz e Paula Guimarães – Escritório do Jardim. Um home office em pleno quintal. O contêiner foi revestido na parte externa com um ecogranito resistente e de fácil aplicação. A pedra sabão faz o caminho pelo gramado até o ambiente pontuado por poltronas e pufes em corda náutica e mesas de apoio em fórmica, para reuniões informais ou apenas relaxar. Internamente, o design do mobiliário sobressai, com peças de Sérgio Rodrigues, Jorge Zalzupin e Jader Almeida. As 22 telas de Alessandra Rehder formam uma espécie de janela.

 

Daniel Tavares e Marcus Paschoalin – Estúdio do Artista. Além de estúdio, o espaço também serve de galeria para o artista expor seu trabalho. Com estrutura em andaimes multidirecionais e cobertura em sombrite, o ambiente é todo desmontável e sustentável, gerando pouco lixo na construção. Dividido em dois vãos, conta com um estar neutro em estilo galeria, que não se sobrepõe às obras.

 

Nídia Duarte – Ateliê do Chef. O espaço reúne horta, gazebo e um lounge, acessado pela rampa de pedra Hitam. Nele, os móveis foram distribuídos de forma intuitiva e orgânica, trazendo tecidos como o linho e tonalidades terrosas. Entre as peças de destaque, há as poltronas Painho, de Marcelo Rosenbaum, pufes em corda náutica e o tapete de Elisa Atheniense, em tons de cinza. O gazebo foi estruturado em ripado de madeira natural, intencionalmente irregular.

 

Erika Viana – Sala de Leitura. A disposição do mobiliário chama atenção logo no primeiro momento, articulado em cores muito marcante, como nas poltronas em veludo mostarda. A leveza das linhas da estante de ferro contrapõe o imponente buffet em laca preta e folhas de ouro e o abajur de Ferruccio Laviani, que é quase uma instalação.

 

Janaina Pacheco e Maurício Bonfim – Casa dos Eucaliptos. A proposta aqui é descomplicar. Desde o sistema construtivo em estrutura metálica, que permite uma obra mais limpa, até a opção pelo fechamento em panos de vidro. Eles valorizam a luz natural, a ventilação e a pequena floresta de eucaliptos que cerca a casa. Com a paleta de cores neutras que evidencia o branco, o projeto ganha ainda mais luminosidade. Destaque para a mesa em pedra natural, que aproxima a cozinha do estar.

 

Aline Castro e Natália Leite – Corredor da Arte. Um respiro entre ambientes, o corredor permite que o visitante retome a energia para a visita. Suas paredes brancas e boiseries suavizam a experiência e evidenciam a obra de Rodrigo Tonani ao fundo. Em preto e branco, acrílica e carvão sobre tela, a obra oferece uma ideia de movimento e prenuncia o segundo momento do ambiente, onde outra obra de Tonani rouba a cena.

 

Mira Mundim, Renata Paranhos e Sheila Mundim – Quarto Semente. Tons claros, madeira e vários detalhes revelam o cuidado na composição. O berço ovalado, ao centro, foi elaborado em madeira e palhinha, com um delicado cortinado bordado. Seu destaque se afirma no painel ripado, que demarca a área de uma parede à outra – mesma proposta da passadeira persa. O casulo em fibras suspenso é outro elemento que agrega textura e conforto ao espaço.

 

Juliana Vasconcelos – Bilheteria. Com inspiração minimalista e gráfica, a bilheteria se vale de poucos materiais no projeto. No foyer, dois tons de vermelho com paginação em diagonal tingem paredes e balcão. O desenho cria pontos de fuga, direcionando o olhar. A mesma linguagem está na iluminação, mínima: lâmpadas tubulares em LED fazem o caminho no teto e descem pela parede que não foi revestida, que reforça o apelo dramático de vermelho.

 

Flávio Bahia e Will Lobato – Restaurante. Com uma pegada africana, o restaurante utiliza madeira escura nas paredes e no teto, além de rolôs na cor café. No piso, a cerâmica lembra o aço corten e se integra à paleta, que inicia com os terrosos e alcança o cobre. Ao fundo, as mesas com formatos variados são acompanhadas de cadeiras estofadas em linhão, algumas com plotagem de figuras africanas no tecido. Em primeiro plano, o lounge mescla o estilo inglês, com sofá Chesterfield em tom café, móveis da década de 1940 e a mesa em ráfia, de Elisa Atheniense.

 

Estúdio Mineral e Plante Comigo – Loja Essência. Projeto para uma loja de essências, o espaço evidencia uma linguagem contemporânea com o quadro Algozes V de Christus Nóbrega. A cerâmica bruta e o paisagismo indicam o aspecto natural dos materiais, em oposição os materiais tecnológicos e industriais marcados pela cor branca.

 

Lucas Lage – Bar. O bar de drinks foi inspirado nos rooftops novaiorquinos e sua forma orgânica se molda à piscina. A madeira do deck, de seis centímetros de espessura, emprega a técnica japonesa de queima Shou Sugi Ban. Carbonizada, ganha uma casca resistente ao tempo. O bar em madeira natural ganhou uma frente em pedra retroiluminada e, logo acima, as luminárias de latão escovado trazem pintura dourada em estilo art déco.

 

Malluh Amorim – Banheiro do Restaurante. Logo na entrada, as poltronas Raviolo, de Ron Arad, revelam a proposta futurista. As cores intimistas criam uma atmosfera cenográfica e contrastam com o jardim tropical integrado aos lavatórios, além das obras de arte intercaladas aos painéis ripados. No quesito sustentabilidade, vale destacar os materiais como o ecogranito e os metais da Deca, que possuem controle de fluxo de descarga e de água.

 

Fernanda Basques e Renata Basques – Copa. O lugar guarda muitas histórias, como retaguarda de grandes eventos, encontros e recepções no palácio. O projeto foi criado a partir daí, dos bastidores de uma copa nas casas mineiras. O desafio de atualizar o espaço para receber outros usos foi resolvido com o uso de cores na madeira laqueada e no rendilhado de MDF cru com desenho autoral das arquitetas, cortado a laser.

 

Andrea Pinto Coelho – Lavabo. A cômoda bombê francesa dá início ao espaço, um hall revigorado pelo verde profundo que colore as paredes. O móvel acompanha de uma cadeira também clássica, compondo a decoração da antessala que precede dois lavabos. No interior, revestimentos em ecogranito, metais dourados e tecidos são destaque.

 

Mario Caetano – Cineteatro. O ambiente é intimista, com cortinas e piso escuros, além de vergalhões no teto e nas paredes. A ideia é maximizar a tela do smartphone e dar a sensação de imersão no que isso representa. Vários vídeos exibem cenas urbanas, que podem ser vistas da forma como o espectador escolher: em pé ou sentado nos pufes redondos em monocromia, dispostos nos patamares orgânicos.

 

Letícia Gontijo Longuinho – Bar do Cinema. A bancada de ecogranito foi deslocada para o centro do ambiente, liberando a circulação. O painel de exposição de bebidas também está ao alcance de qualquer pessoa – e não apenas do mixologista -, feito em MDF corten com prateleiras em vidro. O papel de parede texturizado em rosa seco deixa o espaço acolhedor, somado ao piso em parquet de peroba.

 

Cynthia Silva – Armazém Origem Minas. Meio boutique, o espaço reinventa o conceito de armazéns convencionais, com uma arquitetura interna curva e teto abaulado que lembram porões, mas se diferenciam por serem muito iluminados. Dispõe de uma vitrine com diversos produtos mineiros, com pedras naturais, peças artesanais e queijos, organizados em suportes de madeira e um grande balcão de vendas.

 

OBJ Design e Arquitetura – Espaço Globo. Luz e som protagonizam neste espaço cênico, em uma interação quase sinestésica e coreografada dos elementos, proporcionando várias propostas de intensidades e cores variadas. O ambiente foi projetado em branco, o que confere uma impressão tridimensional salientado pelos recortes do espelho, ampliando o leque de sensações.

 

Igor Zanon – Sala de Música. Minimalista e funcional, a sala foi idealizada para a música ser apreciada em sua forma mais pura. O ambiente revela sua essência escandinava no uso de materiais simples, nas peças de design assinado e na curadoria precisa de obras de arte. Repare no tapete, com padronagem que remete às teclas do piano.

 

Valéria Junqueira – Banheiros Públicos. O artista Alexandre Mancini, azulejista discípulo de Athos Bulcão, criou o painel em homenagem ao modernismo brasileiro. Outra obra de arte são as telas de James Kudo. Para que estes trabalhos recebessem o merecido destaque, o piso e as paredes foram neutralizados com revestimentos cimentícios. A pedra sabão, muito utilizada em Minas, aparece nas bancadas que apoiam as cubas de Jader Almeida para a Deca. O designer também assina os bancos do ambiente.

 

Rodrigo Aguiar – Café. Na área externa, o balcão e um banco de 9 metros de comprimento ganham durabilidade com o revestimento de porcelanato. No mobiliário, as cadeiras são assinadas pelo arquiteto, com traço orgânico e revestimento em tecido impermeável cinza. O azul marinho pontua nos ombrelones e no toldo motorizado. A cor aparece de forma mais vibrante na parede com painel pintado pelo artista Thiago Mazza, com folhagens que remetem a Burle Marx.

 

Nagela Rigueira Aud – Jardim do Bar. O verde circula o ambiente do bar, que tem área central livre. Dracenas e filodendros fazem referência às criações de Burle Marx, com apelo ornamental e um conceito paisagístico limpo. A tropicalidade é reforçada pela presença da cores, como o roxo das bromélias imperiais e o amarelo da espécie porto seguro.

 

Duppio Design – Estúdio do Artista. O deck de madeira se propõe a ser um refúgio para o artista desenvolver seu trabalho, buscar inspiração na paisagem e descansar. O tom de vermelho o destaca do cenário da Serra do Curral, complementado pelo verde do jardim de Andreia Campolina.

 

Felipe Fontes – Jardim das Dracenas. Complementar ao ambiente Marble Lab, o paisagismo se assemelha a uma praça com atmosfera tropical. Em destaque, coloca-se a Dracena arbórea como a única espécie vegetal, dividindo espaço apenas com as pedras de forração, proporcionando assim um visual mais limpo e moderno.

 

Evaldo Rios – Espaço CAd. Próximo à entrada, o pequeno espaço é como um estande a céu aberto, coberto por dois ombrelones pretos que separam os usos: de um lado, destina-se a uma ação social e, do outro, serve como lojinha da CASACOR Minas. Um tablado em ecobloc orienta a composição, setorizado apenas por bancos secos, que também fazem o fechamento das laterais externas.

 

André Prado e Paula Zasnicoff – Pavilhão Niemeyer. Releitura expressiva do Edifício Niemeyer, uma das construções mais famosas de Belo Horizonte, o projeto subverte sua forma e a apresenta de dentro para fora – como se tivesse virada do avesso. A repetição das lâminas horizontais aproxima Edifício e Pavilhão, que reflete sobre a importância dos espaços vazios na cidade.

 

Vera Valenzuela – Jardim de Vasos. Os conjuntos de vasos artesanais de ferro fundido foram dispostos de forma aleatória, para compor um jardins peculiar. Eles revelam a alegria das flores impatiens vermelhas. O ambiente também reúne um jardim vertical que alterna orquídeas, chifres de veado, renda portuguesa e oncídios, criando um volume que atua como isolante térmico e acústico.

 

Rita Cruz – Jardim das Palmeiras. A opção foi utilizar poucas espécies e reforçar a sensação da rigidez do concreto da edificação com a árida presença do mandacaru. O paisagismo também aproveita a beleza do maciço de palmeiras Phoenix, da árvore Eugênia e de um maciço de moreias. Entre as referências da profissional os trabalhos de Luís Carlos Orsini e também de Burle Marx.

 

Mariza Rizk – TransPLANTE. Apresentado como instalação, o jardim provoca questionamentos nos visitantes. Ele rompe com a expectativa tradicional em relação ao jardim, estabelecendo um diálogo com a arte e com a contemporaneidade.

 

Nãna Guimarães – Jardim Burle Marx. A paisagista visa restaurar o projeto inicial do mestre, ao explorar o contraste com curvas e linhas retas, entre dureza e simplicidade. Da mesma forma, este espaço de 400 metros quadrados se relaciona com a arquitetura do Palácio das Mangabeiras, valendo-se de plantas nativas brasileiras. Ela conseguiu obter seis espécies utilizadas pelo famoso paisagista: Guaimbé, Camará, Bela Emília, Trapoeraba Roxa, Giesta e Agave.

 

Andreia Campolina – Jardim Contemplação. Com vista para a Serra do Curral e ladeado por uma piscina curvilínea, é fácil entender o nome do jardim. Suas formas e texturas homenageiam o estilo de Niemeyer e de Burle Marx. Bromélias, neoreglelias e dianelas em amarelo e roxo contornam e ladeiam o caminho, que segue o formato orgânico da piscina.

 

Uriel Rosa – Jardim Sala de Música. A rica composição utiliza imbés, filodendros e fícus lirata, destacando o apelo visual das espécies e as diferentes proporções e texturas que apresentam.

 

Ana Bahia e Sarah James – Marble Lab. O projeto ultrapassa o conceito de cozinha para proporcionar uma experiência completa, sensorial e espacial. Convidativa, a fachada principal abriga poltronas e mesas em chapa de metal e mármore. Vários usos e ocupações podem preencher o espaço, como aulas de culinária, jantares e até palestras. Construído em steel frame, o laboratório pode ser transportado com maior facilidade para outros terrenos.

 

Ø arquitetos – Louçaria. O fechamento em branco distribui as peças de cerâmica irregularmente, valorizadas pela iluminação cênica em nichos. Com destaque para o artesanato mineiro, o projeto se propõe a ser um expositor, em que as cavidades amarelas protegem as cerâmicas com linguagem arquitetônica.

 

Estela Netto – Living. Feita em treliça metálica especial e fechamento em steel frame, a construção se utiliza de florim na fachada para causar impacto estético. Valendo-se da amplitude para compor um layout fluido, o espaço conta com home cinema, espaço gourmet, adega e lounge da lareira. No mobiliário, o design assinado por Jader Almeida, Mauricio Bonfim e Tidelli reforçam uma proposta contemporânea, presente também nas obras de arte.

 

Carol Quinan – Jardim do Encontro. Um estar ao ar livre, que dispõe do mesmo conforto e charme de um ambiente interno. O mobiliário multifuncional torna possível que as refeições sejam dadas ali, assim como um repouso pela lareira ou um momento no balanço. A elegância fica por conta do pontual bordeaux e do preto, que estruturam as curvas da passarela e do terraço, em estilo que remete a Burle Marx.

 

CASACOR Minas Gerais 2019

De 03 de setembro a 13 de outubro de 2019
De terça a sexta, das 15h às 22h; sábados, das 12h às 22h; domingos e feriados: das 12h às 19h

Palácio das Mangabeiras
Praça Efigênio de Sales, Mangabeiras – Belo Horizonte/MG