O Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro recebeu ontem, dia 21 de maio,  convidados para a abertura da exposição  ” 50 anos de realismo – Do fotorrealismo à realidade virtual” com 92 obras de 30 artistas.  A inauguração oficial será nesta quarta-feira, 22 de maio e promete provocar perplexidade no visitante: é pintura ou fotografia? É real ou  escultura?

A proposta da curadora brasileira Tereza de Arruda, radicada em Berlim, é apresentar um panorama internacional da representação da realidade na arte contemporânea, nos últimos 50 anos, do surgimento do fotorrealismo, o hiper-realismo até a realidade virtual. A mostra é patrocinada pelo Banco do Brasil, com apoio da Cateno e do Banco Votorantim. A coordenação geral é da Prata Produções, por meio da Lei de Incentivo à Cultura.  O Rio de Janeiro é a terceira e última itinerância da mostra, que recebeu mais de 240 mil visitantes nos CCBBs São Paulo e Brasília.

Arruda selecionou 92 trabalhos, datados dos anos 1970 a 2018,   de técnicas diversas de 30 artistas –  cinco brasileiros e 25 estrangeiros, de gerações e nacionalidades variadas, radicados na América do Sul, nos Estados Unidos e na Europa.

No final da década de 1960, jovens artistas que trabalhavam nos Estados Unidos começaram a fazer pinturas realistas baseadas diretamente em fotografias. Detalhistas minuciosos, eles retratavam objetos, pessoas e lugares que definiam a vida urbana  e rural. Essa produção recebeu rótulos diferentes, entre eles Fotorrealismo.

A curadora Tereza de Arruda explica:  “O surgimento do fotorrealismo, pinturas baseadas na representação de cenas fotografadas, deu-se nos Estados Unidos nas décadas de 1960 e 1970. Sua infiltração na história da arte aconteceu como reação ao abstracionismo vigente na época. O hiper-realismo apareceu como uma tendência da pintura no final da década de 1970, amparada na realidade, ainda mais fiel que a própria fotografia. Sua força de expressão é tão significativa que se dissemina até os dias de hoje”.

Circuito: A mostra é dividida em segmentos: histórico, representado por Ralph Goings, Richard McLean, John Salt e Ben Schonzeit; contemporâneo, por Javier Banegas, Paul Cadden, Pedro Campos, Rafael Carneiro, Andrés Castellanos, Hildebrando de Castro, François Chartier, Ricardo Cinalli, Simon Hennessey, Ben Johnson, David Kessler, Fábio Magalhães, Tom Martin, Raphaela Spence, Antonis Titakis e Craig Wylie; tridimensionalidade, por John DeAndrea, Peter Land e Giovani Caramello; e novas mídias, por Akihiko Taniguchi, Andreas Nicolas Fischer, Bianca Kennedy, Fiona Valentine Thomann, Sven Drühl, The Swan Collective e Regina Silveira.  

Já no térreo do CCBB estão esculturas/instalações do dinamarquês Peter Land [1966-], em que o ser humano é a figura central. Mais três artistas ocupam a área da rotunda Craig Wylie [Zimbábue, 1973-], radicado no Reino Unido, é premiado pela profundidade psicológica de seus retratos; o inglês Simon Hennessey [1976-] pinta rostos mais detalhados do que o que a fotografia poderia oferecer ao espectador.

No centro da rotunda impera a escultura de uma figura humana, maior do que a real, do jovem paulista Giovani Caramello [1990-] feita especialmente para esta exposição. Autodidata, Caramello iniciou a carreira com modelagem 3-D e se tornou o único escultor brasileiro com produção hiper-realista.

O circuito segue para o segundo andar do centro cultural, ocupando mais quatro salas. O conjunto de trabalhos está subdividido em retrato, natureza-morta, paisagem natural, paisagem urbana e novas mídias.

Um espaço concentra obras de artistas seminais do fotorrealismo e do hiper-realismo como os norte-americanos Ralph Goings [1928-], Richard McClean [1934-], Ben Schonzeit [1942-], John DeAndrea [1941-] e o inglês John Salt [1937-]. Pinturas ou esculturas, as representações são tão realistas que podem causar um certo desconforto pela proximidade do ser e do parecer. É o caso da obra de DeAndrea, um dos pioneiros da escultura hiper-realista. As figuras humanas extraídas de seu universo particular são despretensiosas e sem ornamentos supérfluos.

Uma das salas reúne o gênero recorrente no fotorrealismo e no hiper-realismo que é o retrato. A maioria dos artistas se baseia em modelos que eles mesmos fotografam. As pessoas costumam ser retratadas sem uso de recursos adicionais para manter sua essência, mas há margem para a subjetividade: um olhar que mira o espectador ou a dor do retratado resignado. As pinturas ou desenhos do zimbábue Craig Wylie [1973-], do baiano Fábio Magalhães [1982-], do escocês Paul Cadden [1964-], argentino Ricardo Cinalli [1948-] e inglês Simon Hennessey [1976-] são exemplos.

 

Veja na galeria de fotos de Paulo Jabur, quem esteve presente na abertura ontem:

Fotos: Tereza de Arruda e  Maggie Bollaert;  Ricardo Cinalli

 

Foto: Ricardo Ribenboim; Sophia Hruby e Joaquim Paiva

 

Foto: Danon Lacerda, Regina Silveira e Marcelo Fernandes; Leonel Kaz e Ricardo Cinalli

 

SERVIÇO: 22 de maio a 29 julho de 2019 – Quarta a segunda,  9 às 21h  –  Classificação indicativa: livre  –  A entrada é franca, mediante retirada de senha uma hora antes do início do evento.

CCBB Rio de Janeiro – Rua Primeiro de Março 66 – Centro – 20010-000 – Rio de Janeiro – RJ