O Centro Universitário Belas Artes de São Paulo participa em abril, pela primeira vez, da 19ª edição do Salão Satélite de Milão, mostra que acontece paralelamente – e nas dependências – do Salão do Móvel de Milão, apresentando o trabalho de jovens designers e estudantes de todo mundo. A Belas Artes será a única faculdade brasileira presente no evento.

O tema deste ano, “Novos materiais, Novo design”, abordará os meios e técnicas de produção, colocando em evidência o trabalho da nova geração de profissionais, funcionando como uma plataforma para que eles possam compartilhar seu trabalho com fabricantes potenciais e com a mídia internacional.

Sob curadoria do jornalista e crítico de design, Marcelo Lima, pretende levar a Milão cinco linhas de produtos, elaboradas por um grupo selecionado de alunos, que apresentam uma produção fortemente conectada com a temática proposta nesta edição. Além de um definitivo vínculo com o contexto urbano em que estão inseridos.

Coleção Orange Matter, de cadeira e luminária

Produzida por Luiz Antonio Pessatte Azzolino, a série revisita a experiência de mobiliar e iluminar os espaços, através de peças que consideram texturas e gestos, além, principalmente, de sua transitoriedade.

Partindo de um arquetípico de poltrona e de uma luminária, sem forma, segundo o designer, o que se busca é afirmar a interação do usuário como os objetos, uma vez que, em última análise, estes não existem sem ele.

Além, claro, de propor uma solução factível para uma questão perene para os jovens moradores das grandes cidades: as limitações de espaço versus o alto custo das moradias.

Linha Selvaggia de acessórios para Bicicleta

Preocupado com a questão da preservação de uma espécie até há pouco ameaçada, Matheus Schiroff percebeu que, ao contrário do que possa parecer, a utilização comercial de pele de jacarés, criados em cativeiro, sob fiscalização federal, poderia de fato, colaborar para a preservação da espécie.

Tudo porque, na natureza, grande parte dos ovos se perde ou acaba sendo consumida por outros animais. Assim, uma vez transformada em atividade rentável, por meio da criação em cativeiro é possível se preservar mais animais, já que nem todos precisam ser abatidos.

Nasceu assim a ideia de empregar o material na criação de uma série de acessórios para bicicleta – transporte, por iniciativa do poder público, atualmente em grande evidência em São Paulo.

Uma forma sutil e elegante de “customizar” uma bicicleta, com uma matéria-prima nobre, que inclui desde canaletas de couro capazes de vestir o objeto, até diversos modelos de bolsas acopláveis e suportes para garrafas e latas.

Coleção Line de cadeira e descansa pés multiuso

À primeira vista, a cadeira, criada por Nathália Jacobucci, remete às tradicionais espreguiçadeiras de varanda paulistanas, com assento e encostos tramados com canaletas plásticas e descanso para pés acoplado.

Vista de perto, porém, ela reserva outras particularidades. Sua estrutura de eucalipto tratado, em partes, foi colada pela própria design. E seu descanso para pés é, na verdade, um porta revistas que pode ser desmembrado do objeto e transportado com facilidade.

O móvel pode ser desmontado e montado com facilidade, foi feito para durar muito, é de fácil limpeza e pode ser produzido a baixo custo. Além de ser multiuso: característica nada desprezível nos dias de hoje.

Linha de mochilas Marginal

Alan Piter é um designer a quem agrada a ideia da transversalidade. Cursou Design de Moda, mas assim que entrou na faculdade começou a ampliar seu campo de estudo, interagindo com outros cursos da área de design.

Recém-formado pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo desenvolveu em paralelo a seus estudos diversos editoriais para revistas de design, além de peças on/off. Para a conclusão de curso, criou a presente coleção de mochilas, Marginal.

Série que reflete e questiona a materialidade de um objeto e seu usuário final, a partir da utilização de matérias-primas descartadas e residuais, e da atenção à riqueza comportamental dos moradores de ruas da cidade de São Paulo.

Linha Coral, de jóias e luminárias

A linha proposta por Marília Fialka, Nathália Albuquerque e William Mattos surge como um desdobramento do olhar investigativo do grupo sobre o mundo natural e seu posterior desdobramento na criação de objetos contemporâneos.

Analisado digitalmente, o coral oceânico inspira os designers na criação de uma peça básica, que, uma vez reproduzido em madeira compensada, cortado a laser e rejuntado por conectores metálicos dá origem a uma intrincada e rica trama.

É essa trama, tomada como matéria-prima, que constitui o corpo de uma joia de uso universal e, igualmente, de uma luminária, no qual a qualidade da luz reproduzida é o dado novo. “No mais, tudo é uma questão de suporte”, como pontuam eles.