Seu trabalho começa com a leitura da história de cada cliente para chegar à definição do estilo do projeto, em que procura seguir a linha clean, leve e funcional. Em entrevista ao Radar Decoração, Lia Carvalho afirma que a arquitetura de interiores deve levar em conta vários fatores, mas que a iluminação pode ser o grande diferencial.

 

RD:  Por que você escolheu essa profissão?
L.C: Sempre quis estudar Arquitetura. Minha graduação em Arquitetura e Urbanismo só confirmou meu fascínio pela área. Com o tempo percebi que minha carreira estava mais direcionada à Arquitetura de Interiores. Novos projetos e desafios foram surgindo e acabei me dedicando a esse segmento.

 

RD: Como você define seu estilo de trabalho e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
L.C: Desde o início, aprendi a importância do respeito à história de vida de cada cliente. Sempre faço a leitura do cliente e procuro dar as melhores soluções dentro de seu estilo. Trabalhando dessa forma, defino minha linha como eclética. Misturo estilos, valorizando as peças principais dentro de uma estrutura de arquitetura clean e funcional.

 

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
L.C: O projeto de interior é uma composição de diversos fatores importantes, mas acredito que a iluminação seja o grande diferencial. Ela realça todo o trabalho, além de criar cenas diferenciadas.

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
L.C: Acho bastante discutível esta questão da sustentabilidade. Para mim, a sustentabilidade está muito além da escolha dos materiais. Ela está presente na forma como você se relaciona com o cliente, com seus colaboradores, fornecedores, entre outros. É evidente que hoje alguns materiais, como por exemplo a madeira, precisam ser certificados. Mas até para isto precisa haver um compromisso com a ética por parte do local em que você adquire esses produtos.

 

RD: De onde vem a sua inspiração?
L.C: Da alma.

 

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
L.C: Acho que varia de acordo com a fase, mas pessoalmente gosto da estrutura em tons mais neutros e brinco com o colorido nos detalhes.

 

RD: Forma, função ou emoção?
L.C: A emoção, porque é ela que percebe o espaço, dando o formato e a funcionalidade.

 

RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca?O que falta nele?
L.C: O mercado carioca pede uma decoração com elementos leves que correspondam ao clima e visual da cidade. O que temos no mercado brasileiro hoje atende às nossas necessidades de projeto. O que falta, muitas vezes, é a rapidez nos prazos de entrega, além de uma logística de distribuição mais eficaz. Ainda dependemos de outros estados fornecedores.

RD: Como é a sua casa? O que você gosta de ter nela?
L.C: Minha casa reflete o meu trabalho e as minhas paixões. Gosto de ter nela peças que me digam algo especial. Cada objeto tem uma história e isto me proporciona uma sensação enorme de pertencimento e aconchego.

 

RD: Que projetos entregou recentemente que gostaria de destacar?
L.C: Um pequeno flat no Leblon, onde o atendimento ao programa de necessidades e objetivos do cliente foi um desafio. O apartamento, para ser utilizado pelo casal em férias e fins de semana, precisava ter a funcionalidade de uma casa completa e também abrigar com independência o maior número de hóspedes. O resultado foi excelente e o cliente, além de ser absolutamente fiel ao projeto, concordou em investir em obras de artistas contemporâneos.

 

RD: Que projetos está fazendo atualmente? Algum que curte em especial?
L.C: Estamos desenvolvendo vários projetos residenciais e empresariais e cada um apresenta um desafio e tem características diferentes.

 

RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
L.C: Gostaria de fazer um projeto ligado à  arte popular brasileira em que eu pudesse usar toda sua riqueza e exuberância.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
L.C: Gosto de vários, mas em especial cito Etel Carmona, o Arthur Casas e o Jader Almeida.

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
L.C:  A maturidade profissional me trouxe tranquilidade para resolver os problemas pertinentes à obra e aos projetos com leveza.

Foto: Frederico Passini