Marianna Dib e Renata Gold criaram a Tema Arquitetura e 2004 e desde então vêm realizando juntas projetos de arquitetura, design e interiores. Realizadas na profissão, elas contam sobre a carreira, a parceria e sobre o estilo de trabalho, que privilegia a claridade, o conforto e a informalidade.

RD: Por que vocês escolheram essa profissão?
Marianna: Escolhemos cedo a profissão. Confesso que tinha simpatia pela arquitetura, mas não entendia o seu real significado e intenção. Na faculdade, já estagiando e em contato com arquitetos atuantes percebi que tinha sido feliz na escolha. Eu me senti bem exercendo uma linguagem plástica, de definição e transformação do bem estar do homem a partir do espaço que ele ocupa e como ocupa. Digo isso em qualquer escala.
Renata: a minha irmã já era arquiteta e com certeza isso influenciou a minha decisão, mas cursando arquitetura percebi que as possibilidades de atuação eram inúmeras. Busquei estágios sempre relacionados à arquitetura de interiores, área que me interessou de cara.

 

RD: Como vocês definem seu estilo de trabalho e como foi o caminho que percorreram para desenvolvê-lo?
M.D e R.G: Estivemos envolvidas, entre estágios e escritórios de arquitetura, na maioria do tempo, com arquitetura residencial e de interiores. Foi uma decisão natural e confortável ter o nosso próprio escritório com o mesmo foco. Sobre o estilo, procuramos primeiro atender às expectativas do cliente e então pensamos como e porque vamos imprimir uma “linguagem” ou estilo, seja qual for. Obviamente carregamos conosco uma identidade, segundo a qual privilegiamos a claridade, o conforto e uma certa informalidade.

 

 

RD: Quais são as vantagens de trabalhar em dupla? Vocês dividem o trabalho de alguma forma específica?
M.D e R.G: Nós temos muitas afinidades sobre a arquitetura e como aplicamos ela nos nossos projetos e ainda na conduta e relacionamento com os clientes. Sobre o trabalho, dividimos a carteira de clientes: o contato direto com eles e o acompanhamento do projeto do início ao fim fica sobre responsabilidade de uma das duas. Mas durante todo o processo compartilhamos as decisões e aproveitamos a chance de um segundo olhar sobre a questão. É enriquecedor e importante para um final coerente dos projetos assinados por nós.

 

 

RD: De onde vem a inspiração?
Depois de alguns anos de profissão, o nosso olhar fica treinado e o campo de inspiração é diverso. A inspiração acontece de forma específica, quando buscamos referências em livros, revistas e sites de arquitetura. E acontece também de maneira despretenciosa, no dia a dia, nas viagens, nos filmes que assistimos, tudo isto constrói um banco de experiências que usamos muitas vezes de maneira clara, ou até mesmo de maneira inconsciente ou intuitiva.

 

 

RD: Qual o estilo das casas em que moram? O que vocês gostam de ter nelas?
Marianna: Desde que casei e até o nascimento dos meus dois filhos, mudei três vezes de casa. Hoje, a minha casa é a minha história, convivo com peças e móveis que já ocuparam diferentes cômodos e funções: prateleiras da sala para o quarto, tampo da mesa que virou cabeceira, estante do escritório para a cozinha, estante do quarto para a sala. Gosto de contar com as coisas que tenho e transformá-las de acordo com o momento e com a vontade. Daí vou acrescentando novidades e afetividades com o decorrer do tempo.
Renata: Recentemente me mudei para um apartamento novo. Acompanhei todo o processo de construção do prédio e tive a chance de fazer todas as escolhas que eram demandadas, desde a planta baixa e do projeto luminotécnico até as escolhas de revestimentos, louças e metais. E o resultado é um apartamento confortável e pronto para meu uso e da minha família. Realizei o desejo de pisar na madeira, conviver com cores claras e tranquilas e mobiliário desenhado.

 

 

RD: Que projetos estão fazendo atualmente e gostariam de destacar?
M.D e R.G: Estamos gostando muito do resultado mais recente, um apartamento em fase de finalização em Copacabana. É um apartamento amplo, resolvido de maneira objetiva, com pontos de destaque e cor que dispensam acessórios. E ainda no início, estamos realizando o projeto de uma casa na Barra da Tijuca, que significa para nós uma possibilidade de exercitar o tema moradia em uma diferente escala.

 

 

RD: Algum projeto que sonham em fazer e nunca fizeram?
M.D e R.G: Gostaríamos muito de fazer um retrofit  para edifícios residenciais multi-familiares, construções consolidadas mas em estado ruim de conservação, em qualquer bairro do Rio de Janeiro e de qualquer classificação social. A cidade está cheia de possibilidades.

 

 

RD: Quais vocês acreditam serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração? O que falta no Rio?
M.D e R.G: É um ótimo mercado para a arquitetura residencial e de interiores. Apesar de o carioca se relacionar intensamente com o “exterior”, cada vez mais percebemos o valor, importância e investimento que é dado para a casa. Mas a convicção do carioca de que a arquitetura faz diferença no âmbito particular, nas suas casas, ainda faz falta para investimentos em outros setores, como o de serviços, públicos e outros. O Rio é um cenário natural incrível mas pouco explorado arquitetonicamente. A informalidade, uma ótima qualidade do Rio e do carioca, se confunde com falta de planejamento e pouco investimento. Ao mesmo tempo, o Rio projeta nacional e mundialmente tendências artísticas como moda, música e artes plásticas e poderia ser assim também com a arquitetura. Como economicamente voltamos a ter um bom momento, podemos também ter nosso papel de vanguarda neste cenário.

 

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
M.D e R.G: Muitos! Branco e Preto, Charles Eames, Sergio Rodrigues, Patricia Urquiola, Nipa Doshi, Jonathan Levien, Luciana Martins e Gerson Oliveira da Ovo, Llussá …

 

 

RD: Quais suas cores favoritas no décor?
M.D e R.G: Não temos cor preferida, mas a mistura das cores é sempre importante, da cor da madeira, do piso, da parede, dos estofados. É dessa combinação de cores que construimos o nosso projeto. Mas em uma análise mais próxima, adoramos fazer uso da cor vermelha.

 

 

RD: Forma, função ou emoção?
M.D e R.G:Impossível desassociar qualquer uma delas. Elas precisam coexistir para o resultado ser bom e convincente.

 

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
M.D e R.G: Sobre a área em que atuamos, achamos que o maior aprendizado é saber que o resultado de um bom projeto é o resultado de um bom relacionamento com o cliente. É importante que aquele que nos oferece perguntas se sinta seguro com as nossas respostas e nossas propostas de solução e ainda à vontade para dúvidas. É saber que não há uma única verdade sobre a solução de um espaço e que o questionamento é o melhor caminho.
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