Há 30 anos ela trocou o jornalismo pela decoração, mas foi na primeira profissão que acabou se fascinando e aprendendo muito sobre a segunda. Em entrevista ao Radar Decoração, Lila May Bueno demonstra amar o que faz, fala sobre seu estilo clássico e afirma: “O clássico não tem modismo. Quando você enjoa de algo é porque não é bom”.

 

RD: Por que você escolheu essa profissão?
L.M.B: Minha profissão original é o Jornalismo. Trabalhei na Bloch e já gostava de decoração, era metida a fazer a casa das minhas amigas. Convenci algumas pessoas na Bloch a fazer uma revista de decoração, chamada Casa Viva, que era minha quarta filha (risos). Com essa revista, acabei fazendo uma formação em decoração. Matava as minhas curiosidades e as dos leitores. Tínhamos um estúdio em São Paulo onde montávamos ambientes com temas para fotografar e essa foi minha formação mais técnica, prática. Eu via 30 ambientes por mês para escolher o que seria publicado e foi um aprendizado muito importante. Cheguei a fazer um programa na TV Manchete sobre decoração, mas começou a ficar impossível conciliar tudo. Saí da Bloch para ser decoradora, já com um projeto grande me esperando. Acabei optando pela decoração por poder fazer meu horário e porque me fascinava.

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
L.M.B: Meu estilo é clássico com um pouco de contemporâneo. Aproveito as boas lições do clássico com as ousadias e inventividades do contemporâneo. Isso faz um mix gostoso e tem que ser bem balanceado. Eu sempre parto do clássico. É como se eu tivesse estudado balé a vida inteira e começasse a aprender jazz, fazendo pose de bailarina.

RD: De onde vem a sua inspiração?
L.M.B: Ás vezes vem de uma cor num fundinho de uma almofada, mas o próprio espaço é muito inspirador. Eu entro e já vejo tudo colorido. É algo que eu sempre tive.

RD: Forma, função ou emoção?
L.M.B: Emoção é muito importante. Eu acho que a função está dentro da emoção. A emoção é o que te dá prazer e uma casa pouco funcional não te dá isso. Está tudo muito ligado.

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
L.M.B: Amo a minha casa. Moro sozinha, o apartamento é pequeno e eu adoro. É meu útero mesmo. Eu chego, deito no meu sofá…  é uma casa para mim e não para mostrar.

RD: Que projetos está fazendo atualmente e gostaria de destacar?
L.M.B:  Meu forte são residências, embora tenha feito coisas comerciais e ate hotéis, que gosto muito também. Cada projeto novo é um desafio e eu me fascino. Nos dois últimos trabalhei com pessoas muito jovens e informadas que gostam de arte e isso é uma provocação, faz você sair da zona de conforto e aceitar desafios. Estou com uma cliente que adora arte contemporânea e é interessante porque provoca curiosidade, me instiga.

RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
L.M.B: Talvez um castelo na Itália, fazer uma coisa mais contemporânea naquele lugar clássico, seria um sonho. E gostaria de fazer uma casa de saúde. Mas já fui convidada até para fazer um puteiro. Não cheguei a fazer porque meus pudores não deixaram, mas fui lá para conferir (risos). Eu tinha feito um restaurante do lado e eles gostaram.

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
L.M.B: Não tenho. Depende do clima que eu quero dar. Sempre procuro fazer uma base neutra para que a pessoa possa mudar a cara da casa. Com almofadas você muda completamente o colorido de uma casa. A minha eu pensava em refazer, mas não consigo, porque gosto do que está lá. O que cansa é modismo e eu não caio nessa armadilha. O clássico não tem modismo. Quando você enjoa de algo é porque não é bom.

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
L.M.B: Piero Lissoni, Patrícia Urquiola, Jader Almeida e Jorge Zalszupin.

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
L.M.B: O aprendizado não para, não tem um maior, porque aprendemos a cada dia. O maior professor disso tudo é a experiência. Errando e acertando você aprende muito.