A mostra fotográfica “Véus”, do carioca Thales Leite, já foi exposta no Centro Cultural da Justiça Federal, na H.A.P. Galeria durante o FotoRio, está representada por algumas imagens na Casa 11 Photo, galeria do Casa Cor Rio, e acaba de chegar à São Paulo, para a a 3ª Mostra do Programa de Exposições 2011 do Centro Cultural São Paulo (CCSP). Série de imagens que revela as transformações dos espaços urbanos, a exposição tem 15 fotografias e um políptico de seis imagens, que abordam as linhas, os padrões e as estruturas das redes de contenção de edifícios em obras, explorando questões da passagem do tempo e da ocupação dos espaços.

Thales escolheu fotografar as construções sem revelar pessoas, cores ou referências que identifiquem os prédios ou os lugares. Para o fotógrafo,  mais importante do que a identificação da construção é a descoberta do momento transitório.”A  interrupção do projeto original dos prédios é uma das peças fundamentais para permitir que o espectador ‘crie’ o seu próprio prédio, a sua escultura ou uma nova cidade através dessas imagens”, explica ele.

“Esse trabalho faz parte de uma pesquisa de estruturas poéticas nas áreas metropolitanas. As primeiras imagens foram feitas em 2009 e, desde então, venho estudando as linhas, as tramas e a forma das redes de proteção nos edifícios em restauração. Como véus, elas revelam e escondem, criando um mistério e, às vezes, uma aura sinistra para a arquitetura dos edifícios. Dependendo da tela e do recorte fotográfico, o projeto arquitetônico original se cala e quem fala é a imaginação do espectador”, conta Thales.

Para o pesquisador e arte-educador Cayo Honorato, as fotografias do artista possuem uma redução compositiva que faz com que as fachadas tomem o lugar de estruturas e que o necessário se torne ornamento. “Elas não se interessam por diferenciar os desejos concretos de renovação dos de preservação. Ao mesmo tempo em que emprestam à arquitetura certa solenidade atemporal, exibem-na com algum encanto por meio do que move e muda, como se meditasse na vida e morte das formas, na beatitude da luz, no presságio das sombras”, afirma.

Já sob a perspectiva da arquiteta e urbanista Elisabete Reis, o olhar diferenciado ao capturar cenas cotidianas é o que mais chama a atenção na exposição. Em sua leitura, ao valorizar as possíveis insinuações das existências arquitetônicas, seus rastros e restos, Thales instiga o olhar do observador até uma sensibilidade sutil da cidade em suas inumeráveis possibilidades de interpretação.

A série “Véus” foi selecionada, entre mais de 380 trabalhos inscritos para realizar uma exposição individual em espaço coletivo no Centro Cultural São Paulo. Assim como Thales Leite, outros 17 artistas foram escolhidos pela Curadoria de Artes Visuais do CCSP para participarem, ao longo do ano, do Programa de Exposições do Centro Cultural São Paulo, que chega em 2011 a sua 22ª edição.

Para Mauricio Lissovsky, em “Véus”, “um edifício despe-se como noiva despudorada. Outro, de burka, oculta-se, recatado. Cada véu cria uma cápsula do tempo translúcida que embalsama a múmia arruinada ou encasula a borboleta colorida. Os prédios trocam de pele. O vento roça-lhe as faces. A cidade enfunada navega não se sabe bem para onde. E nós com ela”.