Fotografias, álbuns originais, câmeras, equipamentos e documentos fazem parte da exposição  “Marc Ferrez: território e imagem”, que relembra o trabalho do  excepcional fotógrafo brasileiro, do século 19. Marc, falecido em 1923, transitou por todos os campos da imagem, deixando um legado à fotografia brasileira e na história da fotografia.  Na exposição, que vai até 15 de março, no Instituto Moreira Salles (IMS Rio) estão reunidos mais de 300 itens produzidos entre 1867 e 1922.

Com curadoria de Sergio Burgi, coordenador da área de Fotografia do IMS, a mostra explora as múltiplas facetas de Ferrez, que trabalhou como fotógrafo oficial em projetos do Império ao mesmo tempo em que mantinha uma proximidade com a ciência e a engenharia.

 

Acima,  Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles / Pão de Açúcar visto do alto de Santa Teresa, em 1885.

Acima, Coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles – Ponte do Silvestre, em 1895

Seus registros constituem um amplo panorama do Brasil. O público vai encontrar tanto imagens de obras públicas, como a modernização da estrada de ferro da São Paulo Railway Company, que ligava Santos a Jundiaí e a construção da avenida Central, atual Rio Branco, entre 1903 e 1906, quanto retratos da escravidão nas fazendas de café no vale do Paraíba e nas minas no estado de Minas Gerais, principais atividades econômicas durante o Segundo Império.

 

 

Acima, coleção Gilberto Ferrez/ Acervo Instituto Moreira Salles / Escravizados em terreiro da Fazenda Monte Café –  Sapucaia, Vale do Paraíba, na década de 1880

Suas fotos tinham o objetivo de divulgar internacionalmente a imagem de um sistema produtivo e eficiente, por isso elas não apresentam os conflitos sociais e as ideias abolicionistas do período. Mesmo assim, quando examinadas detalhadamente, as imagens fogem das intenções do autor. Com fortes expressões, homens, mulheres e crianças escravizados encaram diretamente a câmera, expressando a violência do sistema brutal e anacrônico que se arrastaria até o final da década de 1880.

 

Acima,  Acervo Instituto Moreira Salles – Trabalhadores escravizados em fazenda de café
Vale do Paraíba, em 1885

Em 1873, um incêndio destruiu o ateliê de Ferrez, e muitas das fotos feitas por ele no início da carreira se perderam. Deste período restaram algumas raridades, que também estão na mostra: são paisagens de várias localidades, principalmente do Rio de Janeiro, em que é possível perceber o diálogo com os fotógrafos Revert Henrique Klumb e Augusto Stahl.

Acima,  Acervo Instituto Moreira Salles – Jardim no Passeio Público

Entre 1875 e 1876, Ferrez atuou na Comissão Geológica do Império do Brasil, cujo objetivo era realizar um levantamento geológico de todo o território nacional. Assim, ele percorreu o país de Norte a Sul, tornando-se o primeiro fotógrafo a documentar extensivamente as diversas regiões brasileiras. Por meio de projeções em grande formato, o IMS apresenta registros feitas nos estados do Nordeste e ao longo do rio São Francisco, pertencentes à coleção do Getty Museum de Los Angeles. A exposição fica em cartaz até o dia 15 de março.

Exposição  “Marc Ferrez: território e imagem

Instituto Moreira Salles – IMS Rio

De terça a domingo, das 11h às 20h – até 15 de março/2020

Entrada gratuita