Na noite de ontem, na Mul.ti.plo Espaço Arte, 32 obras em papel de Angelo de Aquino, do período de 1971 a 1981, voltaram às paredes. O lugar não poderia ser outro: a galeria da Rua Dias Ferreira, no prédio da livraria Argumento – por onde Aquino andou tantas e tantas vezes. A vernissage reuniu amigos, críticos, artistas plásticos e admiradores de um lado menos conhecido, mas não menos importante, de Angelo de Aquino: o da arte conceitual, de busca de si mesmo e da reflexão sobre os outros e o mundo. Uma trajetória que foi marcada pela inquietude. “Nesta exposição, vemos uma fase que de certa maneira foi sufocada por um trabalho mais recente e que o marcou muito, o cachorro Rex. É importante porque é a vontade do galerista que tenta se aproximar de um comportamento mais característico do museu: o do resgate”, disse o crítico de arte Frederico Morais. A ideia da exposição partiu da filha de Angelo, falecido em 2007. Há dois anos, a também artista plástica Eduarda de Aquino “descobriu” essas obras em papel ao vasculhar o trabalho do pai. E resolveu que mereciam ser resgatados. “Além de muito bonitos, são poéticos. Fiquei com vontade de mostrar esse lado dele às pessoas”, diz Eduarda que, ao lado da jornalista Cristina Aragão, ex-mulher de Angelo, recebia os convidados. “Foi muito importante tirar esse trabalho do ‘exílio’ do acervo da família. Este conjunto de obras tem um programa, um conceito, uma ideia: o atrito que a frase provoca no visual, constituindo uma outra questão, uma nova poética”, diz Maneco Muller, consultor da Mul.ti.plo e que, junto com uma das sócias da galeria, Stella Silva Ramos, com Luiz Eduardo Meira de Vasconcellos e com Marcelo Azeredo, amigos do artista plástico, selecionaram as obras. Confira como foi o evento nas fotos de Paulo Jabur.