A partir do dia 14 de abril, a Anita Schwartz Galeria de Arte apresenta a exposição do artista dinamarquês Jesper Dyrehauge (1966), que faz sua primeira individual no Brasil. Com curadoria da também dinamarquesa Aukje Lepoutre Ravn, a mostra terá 22 obras inéditas, das quais 12 pinturas produzidas no Rio de Janeiro em residência de mais de um mês do artista, e dez fotografias. A mostra fica até 25 de junho na galeria.

Em um trabalho singular, Jesper Dyrehauge usa cenouras como pincel, que aponta em formas geométricas – círculos, triângulos, quadrados – e usa como carimbos na tela de linho cru. “É um método para escapar das hierarquias e narrativas da pintura tradicional, e que permite imprevistos e sutis padrões que emergem do trabalho”, explica o artista.

O artista vem utilizando cenouras como pincel nos últimos dez anos. Ele iniciou o processo pintando com batatas, mas percebeu que as cenouras davam o efeito que ele queria. “Eu não chamo meus trabalhos de pintura. Prefiro chamar de telas ou trabalhos, pois carimbar com uma cenoura é, de alguma forma, uma maneira de não pintar uma pintura”, afirma.

“Ao longo da última década Dyrehauge desenvolveu filosofia artística única, que visa a desafiar a pintura tradicional. Por meio de nenhum outro instrumento de medição, apenas os olhos, a memória visual e a técnica de aplicação repetitiva quase mecânica, ele varia apenas ligeiramente a cor e a composição das telas, mas permitindo que cada pintura emane um forte senso de individualidade”, diz a curadora Aukje Lepoutre Ravn.

As pinturas estarão no grande espaço térreo da galeria e serão penduradas com espaçamento assimétrico entre si. “O alinhamento será de acordo com o seu centro, criando assim uma topografia rítmica por toda a sala, uma vez que os olhos seguem as linhas horizontais que dividem cada trabalho. As oscilações de cor e intensidade contribuem para esse ritmo”, diz Jesper Dyrehauge. “Eu quero enfatizar os pequenos detalhes e variações dos trabalhos. Todas as telas têm um tamanho diferente, algumas com apenas alguns centímetros de diferença. As obras variam, claro, na composição das cores e na proporção, mas, muitas vezes, essa variação é bem pequena e direciona a atenção para um ritmo talvez mais lento de percepção”, ressalta o artista.

Sobre este ritmo que traz o conjunto de pinturas, o artista destaca: “Cada obra tem uma composição diferente, dividida horizontalmente, criando uma sensação de ‘acima’ e ‘abaixo’. As marcas de tinta são feitas em cores brilhantes e também suaves, transparecendo tanto blocos vibrantes quanto desbotados, dando a sensação de assimetria, não só pelos diferentes tamanhos das telas, mas também pela composição de cada uma delas”. “Cada pintura traz uma sensação de tranquilidade e ordem dentro do campo de cor, ao mesmo tempo em que justapõe a constante relação flutuante entre o caos e a ordem, o equilíbrio e o desequilibrio”, observa a curadora.

O título da exposição é o símbolo “~”, do latim, “que se refere a algo ‘ser similar’ ou ‘de mesma magnitude’ e, em inglês, lê-se como ‘proximidade’”, explica a curadora. “Dyrehauge direciona nossa atenção para o poder transformador do ato de repetição”, afirma.

“Jesper Dyrehauge – ~”

Anita Schwartz Galeria de Arte, Rio

Abertura: 14 de abril de 2016, às 19h

Exposição: 15 de abril a 25 de junho de 2016

Entrada Franca

Anita Schwartz Galeria de Arte

Rua José Roberto Macedo Soares, 30, Gávea, 22470-100, Rio de Janeiro

Telefones: 21.2274.3873 e 2540.6446

Horário: 10h às 20h, de segunda a sexta, e das 12h às 18h, aos sábados

Entrada franca

galeria@anitaschwartz.com.br

www.anitaschwartz.com.br