Durante uma viagem a Lisboa, em 2010, para pesquisar fotografias históricas, a produtora cultural Renata Lima, que então preparava o livro Tapetes de Pedra, sobre as calçadas portuguesas, deparou-se com os belíssimos tetos dos edifícios onde ficavam esses acervos fotográficos. Surgiu, assim, o embrião de Tetos do Brasil – Origem, História e Arte (ed. Babel, 240 págs., r$ 160), obra lançada no final de dezembro que traz um olhar apurado sobre esses elementos arquitetônicos nas construções nacionais.

“Temos um patrimônio riquíssimo, daí a ideia de organizar um registro dos nossos tetos mais importantes”, diz Renata. “O livro documenta essas coberturas e as relaciona com o momento histórico e estético em que foram realizadas”, completa o fotógrafo Bruno Veiga, responsável por boa parte das imagens coloridas do título; o outro autor é o celebrado fotógrafo Cristiano Mascaro, colaborador da Casa Vogue, que também participa com um ensaio fotográfico em preto e branco.

Dedicado ao Brasil, o título – que expõe pinturas sobre madeira, afrescos e vitrais, entre outras técnicas – também mostra exemplares de diferentes partes do mundo. O prefácio do embaixador Marcos Azambuja, que girou o mundo devido à sua carreira diplomática, faz uma homenagem a alguns dos tetos mais belos já vistos, como o da Capela Sistina, em Roma.

Cada capítulo foi escrito por um especialista, entre eles, Vera Tostes, diretora do Museu Histórico Nacional, que discorre sobre o teto do Real Gabinete Português de Leitura, uma das bibliotecas mais importantes do mundo lusófono, no Rio de Janeiro; o arquiteto Altino Caldeira, que traça um painel histórico das civilizações e da construção do Brasil; e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que reflete sobre o papel da cidade como o grande teto do homem moderno.

Para produzir as belas imagens, Veiga e Mascaro passaram por algumas dificuldades de ordem física. “Embora tenha tido o privilégio de observar um lado diferenciado da realidade em que vivo, tinha dores constantes no pescoço e, muitas vezes, trabalhava deitado”, diz Veiga. Da mesma forma, Mascaro ficava na horizontal para não sentir tonturas.

Os dois fotógrafos, no entanto, estão em boa companhia na história. Quando Michelangelo Buonarroti pintou os afrescos do teto da Capela Sistina, ele, que também trabalhou deitado durante boa parte dos quatro anos em que realizou a obra, passou por grande sofrimento físico, com tinta caindo constantemente nos olhos e cabelo, além de um saldo de costelas quebradas.

Tetos do Brasil – Origem, História e Arte
Renata Lima
Editora Babel
240 páginas
Dezembro/2011
R$ 160

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Fonte: Site Casa Vogue