Na próxima terça (26), às 19h, será lançado na Lurixs: Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro, o livro “José Bechara – Território Oscilante” [Barléu Edições], que reúne a produção de 2010 a 2019 do artista. Três críticos de arte e curadores, de diferentes países, fazem uma reflexão sobre os trabalhos criados por José Bechara (1957, Rio) na última década: António Pinto Ribeiro (Lisboa, 1956), Beate Reifenscheid (Gelsenkirchen, Alemanha, 1961) e David Barro (Ferrol, Espanha, 1974). Os três, ao longo deste período, acompanharam a profícua produção de José Bechara, artista extremamente ativo no circuito internacional da arte. 

  

Seus trabalhos podem ser vistos atualmente na coletiva “Walking Through Walls”, que celebra os 30 anos da queda do Muro de Berlim, com curadoria de Sam Bardaouil e Till Fellrath, na Gropius Bau, na capital alemã (até 19 janeiro 2020); na Bienal de Arte Contemporânea de Coimbra – A Terceira Margem, com curadoria de Agnaldo Farias, Lígia Afonso e Nuno de Brito Rocha, em Portugal (até 29 de dezembro de 2019); e na edição da BIENALSUR 2019 realizada no Museu Nacional de Riyadh, Arábia Saudita, com a coletiva “Recovering Stories, Recovering Fantasies”, em curadoria de Diana Wechsler (até 5 de dezembro de 2019). Até o próximo dia 15 de dezembro está em cartaz na Fundação Iberê Camargo, em Porto Alegre, “José Bechara – Território Oscilante”, uma grande mostra dedicada a sua obra, com curadoria de Luiz Camillo Osorio.

O editor Carlos Leal, que criou a Barléu em 2002, e já publicou mais de 50 livros dedicados à arte, comemora: “Este é sem dúvida o mais bonito!”. “É o único em que usei a quinta cor, que vai trazer um grande impacto visual ao leitor”, afirma.  “O livro é gostoso de ler, e as esculturas, pinturas e instalações de José Bechara são belíssimas, e bem destacadas na publicação”.

Com capa dura, 240 páginas e trilíngue (português/inglês/espanhol) – foi mantido o idioma original de cada texto: em alemão, espanhol e português –, projeto gráfico de Rico Lins, formato: 26 x 27cm e tiragem de dois mil exemplares, o livro será distribuído para as principais livrarias de todo o Brasil. O preço será de R$ 125.

 

TEXTOS/AUTORES

Em “Para nadar é preciso vencer o mar”, António Pinto Ribeiro, pesquisador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, chama a atenção para as esculturas em vidro, e o fato de José Bechara se aproveitar de vários níveis da percepção. “Ele configura em camadas os níveis espaciais, e conduz a sua pintura para a racionalidade da experiência física, e conserva as emoções que podem detonar cores, luz e a profundidade espacial no observador”. A recente instalação do artista “Ângelas” (exibida em 2017 na grande individual no Museu de Arte Moderna) ganhou também destaque do crítico: “O artista conduz o espaço da realidade terrena para a cósmica quando, em sua instalação faz flutuar três bolas de mármore e, mais uma vez, insere as vidraças na frente e no meio, como se fossem filtros. O peso das bolas de mármore e das vidraças se torna perceptível e palpável, sendo, ao mesmo tempo, negado pela flutuação no espaço. De novo, os reflexos provocados na superfície dos vidros brincam com a falta de nitidez do próprio espaço em que o observador se encontra, pois os numerosos reflexos são como que inseridos no continuum de realidade e reflexos nas camadas e nos níveis espaciais que o observador percebe e dos quais quer se apropriar, ordenando-os. As esferas de mármore lembram inevitavelmente os planetas, e o fato de flutuarem no espaço sugere o movimento dos astros na infinitude do universo”. “Nesse trabalho, José Bechara abarca as fantasias de dimensões espaciais que, no universo, parecem se dissolver na falta de limites. É a ideia do cosmos como espaço da absoluta falta de limites, da supressão de todas as formas de limites e fronteiras. No plano espiritual, ele é assim para muita gente que crê na ação divina, e ao mesmo tempo, como realidade física”.

 

Serviço: Lançamento do livro “José Bechara – Território Oscilante [Barléu Edições]”

26 de novembro de 2019, às 19h

LURIXS: Arte Contemporânea, Rio de Janeiro

Rua Dias Ferreira 214, Leblon, Rio de Janeiro