Assinado pela arquiteta Marina Romeiro, do escritório MR Arquitetura, esse apartamento tem vista para os principais cartões postais do Rio de Janeiro. Localizado em Botafogo, no condomínio Casa Alta, projetado pelo arquiteto Sérgio Bernardes, em 1963, a vista de 180 graus contempla: da suíte principal, na fachada lateral, se avista o Cristo Redentor. A fachada frontal, onde ficam os 3 quartos e a sala de estar, tem-se a vista da baía de Guanabara, de Niterói e do Dedo de Deus, em Teresópolis. Já na área de serviço, na outra fachada lateral, a vista é do Pão de Açucar e do Morro da Urca.

Todos os cômodos deste imóvel de 170m2 foram trabalhados pela arquiteta e a decoração é 100% nova.

Bossa carioca, leveza e estilo contemporâneo definem esse projeto, na opinião da arquiteta que conclui ““O que mais me agrada nesse apartamento é o fato dele ser contemporâneo e atemporal. Minha maior preocupação foi evitar que os clientes enjoassem dele com o tempo, que ficasse muito datado”.

                    

A arquiteta incorporou parte de um banheiro de serviço à cozinha para ganhar alguns metros. Na área íntima, ela transformou o único banheiro que atendia aos três quartos em dois banheiros menores. Dessa forma, quando a família receber visitas em casa, elas poderão ter um banheiro exclusivo, deixando o outro reservado ao casal de filhos. 

Pedidos especiais dos moradores que nortearam o projeto:  os clientes queriam uma casa bem aconchegante que permitisse receber familiares e amigos confortavelmente. Um apartamento contemporâneo com uma dose de sofisticação mas, ao mesmo tempo, simples e despojado. Também solicitaram bastante espaço de armazenamento porque, além de fisioterapeuta, a moradora também é personal organizer e gosta de tudo organizado, no devido lugar. Os clientes também tiveram a preocupação de escolher produtos e materiais de boa qualidade e de fácil manutenção.

Conceito do projeto: a maior inspiração foi a vista do imóvel e o contexto no qual ele está inserido. Todo o projeto foi pensado de forma a não competir com a beleza do entorno, de tirar o fôlego. Por isso, o apartamento tem décor cool, com a leveza e a bossa do estilo carioca.

Paleta de cores na decoração da sala: como o cliente não abriu mão de utilizar um sofá de couro marrom, para compensar, a arquiteta usou por materiais mais leves como linho e algodão, que ajudaram a reforçar a sensação de aconchego. Ela também optou por cores mais secas e suaves, evitando criar contrastes com a paisagem externa. A ideia da sobreposição do tapete também foi um recurso que deixou o ambiente mais acolhedor, mesclando um modelo grande com textura e cor suave com um modelo mais colorido e feminino. O verde do paisagismo deu o toque final, trazendo vida e cor.

Destaque da área social, segundo a arquiteta: a abundância de luz natural e como ela valoriza o espaço e os materiais escolhidos. As texturas ficaram mais evidentes e o ambiente mais clean, sem ser frio.

Hall de entrada: os painéis de carvalho americano que revestem as paredes e o teto criam um efeito caixa, camuflando três portas que foram revestidas no mesmo material. Além de deixar o ambiente mais acolhedor, este  recurso de marcenaria também ajuda a demarcar a entrada do apartamento.

Quarto do filho: o Rafa é super estudioso e, acima de tudo, curioso. Ele adora Lego, curte estudar sobre culturas diferentes e lê bastante. A composição do amarelo com o azul foi um pedido dele, que elegeu essas cores como preferidas. A arquiteta não teve medo de usar a cor azul petróleo, um tom mais fechado, pois o quarto é farto em luz natural. O amarelo entrou pontualmente por ser uma cor muito vibrante, e a madeira ajudou a deixar o espaço mais acolhedor. A estampa de mapa mundi que reveste a parede da cama foi uma ideia que agradou a todos de cara. Por ser o maior da casa, o quarto do filho foi setorizado em área de estudo e área para brincar e dormir. A estante vazada com estrutura em serralheria e prateleiras em madeira preenche o espaço, sem pesar visualmente.

Quarto da filha: a Fernanda, mais conhecida como Fêfê, tem uma personalidade completamente diferente do irmão: é mais desinibida, adora falar, ama esportes (especialmente o futebol) e a cor rosa. A arquiteta inseriu a cor verde, em alusão ao gramado dos campos de futebol, mesclado com um tom de rosa bem suave, para não enjoar. Com a base do quarto bem suave e clara, a madeira foi inserida, pontualmente, para aquecer o ambiente, sensação reforçada pelas texturas do tijolinho e do papel de parede, com padronagem também leve e clara. O quadro de recados sobre a bancada de estudos tem a base em cortiça e a frente em grama sintética.

Sob a bancada, caixas sobre rodízios com frente em acrílico servem para guardar brinquedos, livros e bolas. Sobre ela, prateleiras com nichos ora abertos, ora fechados.

Cozinha: é o xodó do médico, que tem como hobby produzir pães de fermentação natural. Além de muito espaço de armazenamento, a cozinha conta com bastante espaço de trabalho nas bancadas. É nela que a família se reúne no fim de semana, enquanto cozinha e interage. A praticidade pesou na escolha de revestimentos e acabamentos. As bancadas em granito preto São Gabriel, por exemplo, é bastante resistente e compõem bem com as esquadrias de correr em serralheria, na cor preta, que separam a cozinha tanto da sala quanto da área de serviço. O acabamento dos armários inferiores em madeira freijó ajudou a “aquecer” o ambiente onde predominam materiais frios.

 

  • Fotógrafo: Denilson Machado, do MCA Estúdio (@mca_estudio) e Lilia Mendel (@liliamendel.fotografia)
  • Produção visual: Simone @Raitzik