Na madrugada desta quarta-feira (31), morreu em São Paulo, aos 85 anos, o arquiteto historiador  Benedito Lima de Toledo, após período de internação no Hospital Sírio-Libanês. Benedito  foi autor de 12 livros, entre eles  Anhangabahú, Álbum Iconográfico da Avenida Paulista e São Paulo: Três Cidades em um Século. O arquiteto foi quem melhor compreendeu e explicou as transformações paulistanas desde a chegada dos jesuítas ao Pátio do Colégio e tornou-se uma verdade unânime sua definição para a cidade de São Paulo, na qual ele explicava as camadas sobrepostas que tornam a cidade tão única e interessante. “A cidade de São Paulo é um palimpsesto – um imenso pergaminho cuja escrita é raspada de tempos em tempos, para receber outra nova”, escreveu Toledo. Assim ele explicava como a capital paulista, ao crescer, se modifica de tal forma e a uma velocidade tão grande que, de uma geração a outra, os jovens não conhecem arquitetonicamente a cidade onde viveram seus antepassados, mesmo os mais recentes. “São Paulo é assim porque aqui não se constrói para os lados, mas sim em cima e tal”, dizia ele, simplificando aos leigos sua própria tese.

Para acadêmicos e, sobretudo, para jornalistas que precisam compreender a evolução histórica e urbanística de São Paulo, Toledo – ou simplesmente, o “professor”, maneira mais comum de tratá-lo – foi paciente e cuidadoso entrevistado e, principalmente, uma profunda fonte de informações. Benedito  foi bolsista na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, em 1968. Especializou-se em Restauro e Conservação de Monumentos Arquitetônicos na Universidade de São Paulo, em 1974, e na École Nationale des Ponts et Chaussées, em Paris, em 1983. Era doutor pela USP. Ocupava a cadeira 39 da Academia Paulista de Letras.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil publicou texto lamentando a morte do arquiteto Benedito Lima de Toledo , lembrando passagens de sua vida. “Partiu de Benedito Lima de Toledo a ideia de realização de um concurso público para a revitalização do Vale do Anhangabaú, no centro de São Paulo, na década de 80”, registrou o órgão. “Na época, a Prefeitura apresentara projetos polêmicos para a remodelação da área e o arquiteto, em campanha que contou com a ajuda do jornalista Júlio Moreno, do Jornal da Tarde, acabou por dobrar a resistência para mudança de planos do prefeito Reinaldo de Barros e assessores. O concurso foi organizado pelo IAB/SP, saindo-se vencedora a proposta dos arquitetos e urbanistas Jorge Wilheim e Rosa Grena Kliass que transformou o vale em um boulevard de 43 mil metros quadrados, com o tráfego de automóveis ficando abaixo e recriando a área verde entre os viadutos do Chá e Santa Ifigênia.”

O Departamento do Patrimônio Histórico de São Paulo também divulgou nota de pesar. “Professor aposentado de História da Arquitetura e do Urbanismo, foi premiado por diversos trabalhos e é referencia na área de preservação do patrimônio histórico e artístico”, escreveu o órgão, parte da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo.

Seu sepultamento está marcado para as 16 horas de hoje, no cemitério Gethsemani. Ele deixa a mulher, a bibliotecária Suzana Aléssio de Toledo, de 78 anos.