Premiadíssimo por seu trabalho no teatro, o iluminador Maneco Quinderé também faz um enorme sucesso entre os arquitetos. Virou parceiro de profissionais renomados na área como Paulo Jacobsen, Jairo de Sender, Maurício Nóbrega e Miguel Pinto Guimarães, só para citar alguns nomes. Além de projetos de iluminação para casas e apartamentos, ele assina também a luz de badalados restaurantes, como Oro, Duo, Irajá Gourmet, Venga (do Rio e de São Paulo) e o recém-inaugurado Bretagne Boulangerie et Bistrot, do chef Olivier Cozan.

Iluminador de teatro desde 1980, Maneco começou a trabalhar com arquitetura quase por acaso. Foi em 1999 quando o artista plastico Antonio Bernardo pediu que ele iluminasse a sua exposição. Logo depois, uma amiga o convidou para fazer a iluminação de sua casa, cujo projeto era de Claudio Bernardes. “Depois disso não parei mais. Acho que seu eu largasse o teatro para mergulhar só na arquitetura teria um escritório muito maior e mais movimentado, tamanha é a procura”, conta.

Mas ele gosta de iluminar de um tudo (ou quase): casas, escritórios, lojas, restaurantes, desfiles de moda, peças de teatro e também shows. É dele a luz do elogiado espetáculo de Chico Buarque, atualmente em cartaz no Rio. “Também vou fazer o show de Maria Rita em homenagem à mãe, Elis Regina”, adianta. Atualmente, na área de arquitetura, entre tantos projetos, ele se dedica a criar a iluminação para o restaurante Gusto, dos mesmos donos do Duo, que será aberto no Centro do Rio. “Estou fazendo este trabalho junto com o Miguel Pinto Guimarães. Com o Jacobsen tenho o  projeto de um apartamento em Ipanema. O dono quer um ambiente bem moderno. Para ele, estamos desenvolvendo uma luminária em aço inox que vai ocupar o lugar de toda uma parede que foi derrubada”, conta ele que há onze anos mantém o Escritório Maneco Quinderé & Associados. Além disso, o mestre em iluminação está começando a fazer o projeto de uma casa em Angra. A ideia é iluminá-la toda com LED. “É o futuro da iluminação, ainda mais agora que pode ser dimerizado”, vaticina.

O trabalho de Maneco é quase artesanal, cutomizado. “Mais simplicidade, pureza e menos design”, descreve. Ele mesmo costuma criar as luminárias para a maioria dos projetos que assina. “É difícil encontrar aquilo que queremos no mercado, gosto de inventar”, diz.  No restaurante Oro, por exemplo, quase todas as luminárias foram projetadas por ele, como as belas peças feitas de cobre, material que remete ao nome do restaurante. Capítulo à parte: ele criou uma luminária para um apartamento com 270 lampadas (de 25 a 500 watts), todas penduradas no teto por fios de tecido. Uma verdadeira escultura de luz. Mas, como diz o velho ditado, “em casa de ferreiro o espeto é de pau”. Maneco confessa que até recentemente, o seu apartamento, onde mora com a esposa, a atriz Luciana Braga, e as filhas, não tinha nenhum projeto de iluminação. “Há pouco tempo fiz um projetinho para a minha casa. Agora temos luminárias em todos os cômodos, todas criadas por mim”.