O Ministério da Cultura e a Bradesco Seguros apresentam a exposição Mário de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari

O Museu da Chácara do Céu, no Rio e o Museu Lasar Segall, em São Paulo realizam em parceria uma exposição histórica sobre a relação do escritor Mário de Andrade com a obra dos artistas  Candido Portinari e Lasar Segall

Será inaugurada no dia 26 de maio, às 18h, no Museu da Chácara do Céu, a exposição Mário de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari. Sob a curadoria de Anna Paola Baptista, a mostra é uma celebração de mais de duas décadas de admiração e amizade que uniu Mário de Andrade (1893 -1945) e os dois artistas. O evento também é uma homenagem aos 70 anos de falecimento de Mário de Andrade, completados este ano.

O contexto em que se ancora a exposição Mario de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari é o de um cenário de mudanças no meio artístico nacional. Entre a década de 1920 e meados da década de 1940 assiste-se ao nascimento e sedimentação da arte moderna no Brasil. O eixo curatorial acompanha este percurso desde as primeiras lutas contra a arte chamada “passadista” (identificada com o parnasianismo na literatura e o academicismo nas artes plásticas), quando Segall (1891-1957) fixa-se no Brasil sendo logo acolhido nas hostes modernas, e prossegue com a segunda geração modernista, da qual Portinari (1903-1962) foi o principal expoente. Nesse momento, o moderno já havia adquirido algum lastro e infiltrava-se nas instituições, apesar do público geral ainda mostrar resistência.

Para Mário de Andrade, Segall e Portinari passaram a ser seus “dois pintores”, não só porque melhor lhe capturaram em tela, mas porque eram, em sua opinião, “os que contavam mesmo” na cena cultural brasileira. E ele passaria a viver entre os dois na medida em que se desenvolve uma extrema polarização entre Segall e Portinari no âmbito do mundo artístico brasileiro.

Segundo a curadora, Anna Paola Baptista, “a rivalidade entre os dois artistas, se não era certamente promovida ou causada por Mário de Andrade, com certeza passava também por ele, que tentava administrá-la, por vezes mitigando, por vezes fustigando. Com exceção de considerações tecidas acerca dos seus dois retratos (e estas somente em cartas para amigos), Mário jamais escreveu crítica comparativa da obra dos artistas. Mas o fato é que se sentia irremediavelmente colhido na rede de intrigas e partidarismos que ele afirmava o enojar.”

A exposição vai apresentar 50 obras de Lasar Segall e Candido Portinari, produzidas entre 1913 e 1943, provindas de coleções institucionais e particulares. Elas foram selecionadas com o intuito de criar um panorama da arte dos dois pintores a partir das impressões tecidas na crítica de arte e da relação pessoal que o escritor mantinha com ambos. São, portanto, as ideias e opiniões de Mário de Andrade que guiam o percurso das obras e sua distribuição em pequenos conjuntos. Também são de sua autoria os comentários que acompanham cada um dos trabalhos da exposição. Algumas obras-primas estarão reunidas na mostra, como os icônicos retratos de Mário de Andrade, pertencentes ao Instituto de Estudos Brasileiros, pintados por Segall, em 1927 e por Candido Portinari, em 1935. As telas “Mestiço” (1934), “Colona sentada” (1935), “A Barca” (1941), de Portinari; e “Os eternos caminhantes” (1919), “Bananal” (1927) e “Pogrom” (1937), de Lasar Segall.

Segundo Vera de Alencar e Jorge Schwartz, respectivamente diretores dos Museus Castro Maya e Lasar Segall, “Durante as décadas de 1920-1940, Lasar Segall e Candido Portinari figuraram como dois dos mais relevantes pintores do panorama cultural brasileiro. Eles encarnaram o ideal de artista proposto por Mário de Andrade e com ele partilharam laços de sociabilidade. Seu foco nessas duas grandes personalidades fez com que por ele fossem chamados de ‘meus dois pintores’, o que nos levou a prestar essa homenagem ao autor de Macunaíma. Ela procura traduzir os vários momentos dessa amizade. As obras selecionadas ficam ainda mais significativas quando se tem o privilégio de observá-las juntas, oferecendo, assim, uma representação do trabalho de três dos mais importantes atores de nosso cenário artístico moderno”.

Após a temporada carioca, a exposição segue para o Museu Lasar Segall em São Paulo, com abertura dia 8 de agosto, às 17 horas.

Mário de Andrade e seus dois pintores: Lasar Segall e Candido Portinari

Curadoria: Anna Paola Baptista  |  Consultoria: Jorge Schwartz

 

Inauguração: 26 de maio às 18 horas (para convidados)

Visitação: 27 de maio à 27 de julho de 2015

 

De quarta a segunda das 12 às 17 horas (fecha às terças)

Ingresso: R$ 2,00 – Grátis às quintas-feiras

Não pagam ingresso: menores de 12, maiores de 65, grupos escolares, professores e guias de turismo em serviço.

 

Museu da Chácara do Céu

Rua Murtinho Nobre 93 Santa Teresa

Estacionamento gratuito no próprio museu

( 21) 3970-1126

www.museuscastromaya.com.br

 

Crédito: Paulo Jabur