Carmen Mouro é uma apaixonada pela natureza e escolheu o paisagismo como forma de levar um pouco dela para os ambientes em que trabalha. E a paisagista aposta muito no momento do Rio: “Temos ótimos profissionais e escritórios de arquitetura paisagística na cidade e talvez o que falte, e espero que essa mudança venha muito rápido, é que nosso trabalho seja utilizado nas obras que virão com a escolha da cidade para sediar eventos mundiais nos próximos anos”, diz ela, que falou sobre seu estilo e carreira em entrevista ao Radar Decoração.

 

RD: Como você entrou para o mundo do paisagismo?
C.M: No início da faculdade de arquitetura (UFRJ) as matérias que mais me agradavam eram sobre o assunto e outras, que falavam de paisagem e urbanismo. Inclusive me tornei monitora e bolsista destas matérias, na mesma instituição, até ser contratada como professora quando eu tinha 24 anos. Durante esse processo, iniciei o meu primeiro estágio em um escritório de arquitetura paisagística, onde trabalhei após a formatura. Enfim, todas as minhas escolhas foram focadas para a escolha desta profissão.

 

RD: Como você define seu estilo de trabalho e qual foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
C.M: Contemporâneo, com o uso de materiais sustentáveis e o respeito com o solo e visadas, além do compromisso com a busca de novos materiais e com a renovação em meus projetos.
RD: De onde vem a inspiração para o trabalho?
C.M: Da vontade de trazer a natureza para os ambientes e áreas externas com que lido. Sou uma pessoa diurna, que faz programas e passeios sempre ligados à natureza, como trekking, escalada, e sou apaixonada por pássaros e plantas exóticas. Quero reter um pouquinho disso tudo nos projetos que crio. Trabalhar desta maneira é extremamente gratificante.
RD: Quais os projetos mais recentes que entregou?
C.M: Neste mês entreguei o ambiente da 3ª Mostra Beach&Country, duas residências na Barra da Tijuca e várias instalações de jardins verticais.
RD: Que projetos está fazendo agora? Algum que curte em especial?
C.M: Uma residência em parceria com um escritório de arquitetura no Rio de Janeiro, com uma vista maravilhosa para a Pedra da Gávea… uma inspiração imensa. Para a mesma estou especificando caminhos e acessos, jardins e paredes (instalações verticais),  materiais de revestimento, executivo das piscinas e sauna, móveis, iluminação, irrigação automatizada e marcenaria para área externa. Enfim, um projeto completo.
RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
C.M: O plano-diretor de uma cidade do Brasil, no Centro-Oeste, por conta da sua variedade de flora, fauna e da especificidade da cultura do seu povo. Seria bárbaro. E parcerias com alguns arquitetos, por conta do seus desenhos e conceitos únicos.
RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de paisagismo? O que falta nesse mercado?
C.M: Acho que os paisagistas cariocas têm caracteristicas e assinaturas criativas já reconhecidas e sabem que o nosso trabalho deve caminhar junto com o projeto de arquitetura existente, para valorizá-lo também.
Temos ótimos profissionais e escritórios de arquitetura paisagística no Rio de Janeiro e talvez o que falte, e espero que essa mudança venha muito rápido, é que nosso trabalho seja utilizado nas obras que virão com a escolha da cidade para sediar eventos mundiais nos próximos anos. As grandes construturas ainda solicitam projetos padronizados vindo de outras capitais, como São Paulo, talvez por conta de um hábito das gerências de recursos das mesmas. Vejo isso como um grande desperdício da nossa capacidade profissional.
RD: Como é a sua casa? O que você gosta de ter nela?
C.M: Divertida e prática, afinal tenho dois filhos pequenos. A varanda do meu apartamento é a atração da casa, como não poderia deixar de ser (risos), com muitos ensaios de arranjos que faço com bromélias epífitas que forneço, exclusivamente para as lojas Gabinete e Duilio Sartori, no Rio de Janeiro.
RD: Para você, o que um bom paisagista deve ter?
C.M: Um ótimo relacionamento com arquitetos e designers de interiores, meus grandes clientes e amigos, além de conhecimento em arquitetura e em arquitetura de exteriores, principalmente. Também é importante ter conhecimento sobre materiais e serviços aplicados em área externa, todos eles, e, claro, sobre as plantas e suas aplicações. É preciso ter a visão muito apurada da escala macro, pois quem domina áreas extensas provavelmente se sairá muito bem em escalas menores, como casas, varandas e jardins de inverno. Outro ponto é ter uma equipe motivada e interessada, além de ótimos fornecedores, uma biblioteca atualizada e incluo nesta categoria muitas viagens à feiras, congressos e cidades com áreas externas que valem a pena ser conhecidos.

Foto: Bruno Ryfer