O Segundo Caderno publicou em reportagem: “Nada de grandes obras, de intervenções gigantescas e muitas vezes predadores da vida comunitária. O Pavilhão do Brasil na 15 ª Mostra de Arquitetura da Bienal de Veneza, que acontecerá de 28 de maio a 27 de novembro, privilegia trabalhos numa escala humana, aparentemente pequenos, mas de grande força simbólica e real, na capacidade que têm de promover mudanças na paisagem humana à sua volta. “Juntos”, nome da exposição elaborada pelo curador Washington Fajardo, reunirá 15 projetos nascidos de um esforço da sociedade civil: ativistas culturais, pessoas dedicadas à cultura negra e ao espaço público. Na proposta pensada por Fajardo, sua atuação tem igual importância à dos projetos arquitetônicos, uma relação bem diferente, observa ele, daquela promovida na era modernista da arquitetura brasileira. — Eu já estava perseguindo uma exposição que apresentasse não um contexto antimodernista, mas que pudesse se libertar dessa tradição que é um pouco opressora para a gente: a ideia do arquiteto desvinculado da sociedade, dos processos sociais, como um esteta superior que organiza a nossa sociedade — diz Fajardo. Ele nota que essa relação, muito forte no passado, inaugurou um modo de intervir na cidade responsável pelo ciclo perverso entre Estado e empreiteiras, que assombra o noticiário nos últimos tempos. Sua exposição vai contra tudo isso. — Estou falando de uma arquitetura conquistada, fruto da união entre protagonistas da sociedade civil e arquitetos. É assim que, de 40 projetos pesquisados por ele, foram selecionados os 15 que dão corpo à sua ideia. Na favela do Vidigal, por exemplo, dois empreendimentos chamaram sua atenção: a da Escola do Vidigal ( BWArchitects), implementada pelo artista Vik Muniz, e a do Parque + Instituto Sitiê (+ D Studio), iniciativa de um morador, Mauro Quintanilha, que contou com a ajuda de Paulo César de Almeida e da comunidade do morro. — É de coisas como essas que quero falar. Um morador que começa a cuidar de uma pequena área e acaba por fazer um parque frequentado pela comunidade — diz Fajardo, que construiu sua mostra sobre esse outro tempo da cidade, “do dia a dia, da vida doméstica, das pessoas que caminham nas calçadas””. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Segundo Caderno/Reportagem: Nani Rubin/30/03/16