De acordo com reportagem do caderno Rio, “construído em 1862, o Palacete São Cornélio, localizado ao lado do Palácio São Joaquim, na Glória, foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em 1938, justamente por sua beleza. É um belo exemplar da arquitetura neoclássica — com porão alto e fachada voltada para a via pública —, que se deteriora dia a dia, e cujo destino está nas mãos da Justiça. Doado pelo proprietário, o comendador João Cornélio, à Santa Casa de Misericórdia, o imóvel está alugado, desde outubro de 2009, a uma cooperativa de médicos, a Gespar, que pretendia instalar no lugar um hospital. O projeto empacou, e o inquilino, que não tem pago os aluguéis, trava uma batalha judicial contra o despejo. Está encerrado o processo em primeira instância. Em dezembro de 2013, a juíza Maria Christina Berardo Rucker, da 52ª Vara Cível, decidiu pelo despejo da Gespar. No fim de janeiro deste ano, a juíza negou recurso impetrado pela ré, reafirmando a sua sentença, conforme informou Ancelmo Gois, em sua coluna no GLOBO. E, em 17 de março, ela determinou que outro recurso da Gespar subisse para o Tribunal de Justiça. — A empresa entra com recursos para protelar. Pagou só o primeiro aluguel. O palacete está caindo. O que está acontecendo é um crime contra o patrimônio nacional — reclama o presidente da Associação de Moradores da Glória (AmaGlória), José Marconi. Marconi conta que há empreendedores interessados em arcar com os custos da execução de um projeto, idealizado por um escritório de arquitetura e aprovado pela AmaGlória. A ideia, segundo o arquiteto Rodrigo Azevedo, é transformar o palacete em local usado por colecionadores privados para a exposição de arte contemporânea. Nos fundos, a projeto prevê a construção de uma nova edificação, da mesma altura do palacete (cerca de dez metros), para abrigar um teatro com 400 lugares, três salas de cinema com 90 poltronas cada, uma midiateca e uma livraria com lanchonete. No meio das duas construções, ficaria uma praça, com brinquedos, bancos e árvores. — A proposta é criar uma praça com atividades em volta, um centro cultural de bairro — explica o arquiteto. — O novo espaço se somaria ao Museu da República e à Casa de Rui Barbosa, equipamentos similares, que deram certo e têm uma dinâmica intensa”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Rio/Reportagem: Selma Schmidt/15/04/14