Mais de 50 profissionais, distribuídos em 11 estados brasileiros e 4 países, assinam os ambientes da sétima edição da Mostra Modernos Eternos SP. Realizada este ano de forma 100% digital, o evento inaugurou nesta segunda (7) e tem como base real a Casa Modernista da Rua Bahia, em Higienópolis, ícone do modernismo paulistano, criada por Gregori Warchavchik em 1930. 

Idealizada e organizada pelo jornalista Sergio Zobaran, Modernos Eternos traduz o conceito de uma mostra anual de arquitetura, design e arte realizada física e presencialmente em duas capitais brasileiras: São Paulo (desde 2014) e Belo Horizonte (desde 2016).   

A ocupação virtual de cada metro quadrado da casa e de seus jardins possibilitou resultados inéditos: os profissionais, que compõem o time, fizeram várias intervenções contemporâneas na casa tombada, que pode ser vista gratuitamente no portal www.modernoseternossp.com.br.

 Abaixo, confira nossa seleção dos 10 espaços, que especialmente mais nos chamaram atenção:

        

 

Acima, SALA OFF  por Luciano Dalla Marta

“O espaço tem pontos muito interessantes e singulares que nos ajudaram a definir o seu uso. Localizada na parte inferior da residência, a sala é ampla e tem o pé direito generoso. É perto da escada, mas ao mesmo tempo reservada em relação ao núcleo principal das atividades da casa. Perfeita para abrigar a Sala Off, pensada para momentos necessários de pausa. Todo o ambiente foi criado em tons claros, estofados confortáveis e tecidos naturais, e possui texturas que convidam à uma experiência sensorial. Logo na entrada, bem minimalista com parede revestida em linho (Donatelli), posicionamos um par de arandelas vintage (loja Teo) como ponto focal. Entrando na sala, temos uma grande parede com painéis de espelhos envelhecidos e uma importante obra do artista brasiliense Rodrigo Bivar (SIM Galeria).

Ocupando quase toda a extensão desta parede, montamos um longo móvel composto de elementos modulares da marca suíça USM na cor off-White (Atec Original). A tecnologia de ponta está nas caixas de som alemãs da marca Avantgarde e no toca discos de vinil de mármore, desenhado por Pierre Riffaud para Saint Laurent. O forro e parte das paredes têm materiais acústicos revestidos em tecido, trazendo ainda mais privacidade para o uso do ambiente. Dois grandes elementos chamam a atenção e equilibram o espaço. O desenho, em preto e branco, no teto que criamos inspirados pelas pinturas contemporâneas de Richard Serra e o tapete (Botteh), também desenhado pelo Studio LDM, inspirado em Le Corbusier como uma homenagem ao modernismo dos painéis pintados pelo arquiteto em residências nas décadas de 40 e 50. Pensando no conforto e no aconchego, abusamos das formas e mobiliários orgânicos. “

 

Acima,  A 7ª  ART COMO INSPIRAÇÃO  por Maximiliano Crovato

A suíte principal no segundo andar da Casa Modernista da Rua Bahia, em São Paulo, é o cenário perfeito para um espaço cinematográfico, assinado por Crovato. Com seus 40m2, o grande quarto criado originalmente pelo arquiteto Gregori Warchavchik para o casal Luiz da Silva Prado, em 1930, hoje acolhe uma cena de cinema inspirada na Hollywood dos anos 1920/30, em releitura do estilo Art Déco especialmente para a mostra.
A cama em aço polido e tiragem limitada (na Legado Arte), assinada pelo autor do novo projeto, cria o eixo central da ocupação deste espaço minimalista e, ao mesmo tempo, glamuroso, romântico e inspirador. A parede ao fundo ganhou dois arcos e nichos com vasos de Michael Young, e a parede da janela recebeu persianas Uniflex e cortinas com tecido Gastón y Daniela da Safira também confeccionadas pela Uniflex, em estampa com a qual homenageia um dos grandes decoradores cujo estilo passou pela casa: Germano Mariutti.
O tapete desenhado por Maximiliano remete com suas linhas à cama que recebe, por trás de sua cabeceira, a mesa de trabalho. “Cama-desk”, define Maximiliano, que escolheu o azul como cor predominante em seu ambiente, iluminado pontualmente com peças como o lustre de Michael Anastassiades.

 

Acima,  A SALA MODERNISTA  por Tufi Mousse Arquitetura

 Moderno, leve e limpo está a nossa Sala Modernista projetada para a Mostra Modernos Eternos. “Onde está o moderno hoje”? A Sala Modernista reponde através de uma visita.
O desenho do ambiente respeita o projeto de Gregori Warchavchik, onde janelas e demais aberturas foram preservadas e fazem parte de nosso projeto proposto. A escolha do acervo de movelaria para o projeto foi ao encontro de designers que têm base modernista e produzem o Modernismo da atualidade, assim como a movelaria que projetamos, mas não deixando de trazer alguns ícones do Modernismo como Jean Prouvé, com sua cadeira executiva, e Marianne Brandt, com o elegantíssimo jogo de chá e café.
A estante transmite a fluidez da linha concreta e moderna, assim como o sofá, chaise e tapete. A Sala Modernista nos mostra quão modernos somos diante de tanta contemporaneidade e inovação. Modernos Eternos.

 

Acima, LOFT CULTURAL  por  Studio Zanini

A equipe do Studio Zanini se apropriou de formas geométricas para criar o projeto, de modo que o cubo se integrasse com a natureza e a edificação existente ao invés de destoar dela ou encobri-la. A estrutura vertical com uma escada helicoidal composta por 50 degraus de metal oxidado parece flutuar.  Multiuso, o espaço foi concebido com o intuito de proporcionar ao público uma experiência sensorial e de conexão com a natureza, com a arte e com o design.

No andar térreo foi criado um volume que abraça a árvore de pau ferro de 24 metros, plantada por Mina Klabin, mulher de Warchavchik, que assinou os jardins tropicais da residência. Neste espaço o visitante pode contemplar e venerar a natureza, as peças de design e as obras de arte expostas.

Já no terraço, a vista de 360° é um convite para apreciar a beleza e se conectar aos dois blocos prismáticos justapostos lateralmente através de uma parede comum.

“A casa é muito bonita com seus volumes construtivos, além de um importante patrimônio histórico. Desde o começo, sentíamos o desejo de criar um espaço de contemplação no local, integrando a natureza e deixando a arquitetura de Warchavchik como protagonista”, afirma Zanini de Zanine.

O conceito por trás do LOFT 55 Cultural, aliado à união entre as matérias primas como o concreto, madeira, ferro e vidro, e a influência de linhas retas, forma um design totalmente contemporâneo.”

 

Acima, OFFLINE LOUNGE  por Ana Weege

O projeto tem o seu conceito originado da vontade e necessidade de nos reconectarmos com nós mesmos. A casa vem sendo peça chave para isso, prioritariamente agora em que vivemos um período de clausura. A busca por aconchego e relaxamento em um ambiente saudável e que nos permita sentir livres, vem sendo mantido no topo da lista de prioridades. Um dos partidos foi deixar com que a natureza o circundasse, utilizando grandes aberturas envidraçadas, emoldurando assim esse espetáculo natural. O espaço configura quase que uma circulação da casa, mas que convida os passantes para uma pausa. Um ambiente leve, despretensioso, fluido e sem obstáculos no trajeto que leva até o jardim. Ao mesmo tempo que optei por texturas e materiais naturais, busquei valorizar traços simples, retos e geométricos. Cada um dos elementos foi escolhido a dedo para a composição, garantido personalidade ao ambiente. Com o tema da mostra sendo o Modernismo Brasileiro, é quase impossível, para mim, não pensar de imediato no nome Lina Bo Bardi e sua trajetória icônica. Optei pela maravilhosa poltrona Bola, marcando e representando esse período histórico no design.

 

Acima, SALA DE BANHOS por Stella Crissiuma e João Rangel Crissiuma

O resgate de elementos originais da casa — como o piso de granilite verde claro e a banheira em cerâmica verde jade — e o uso de linhas puras, que dialogam com a arquitetura modernista, demonstram uma postura reverente ao patrimônio arquitetônico. O tom do revestimento da parede foi escolhido para dialogar com o piso e a banheira preexistentes. O contexto se completa com poucas (e ótimas) peças assinadas por mestres do modernismo brasileiro, como a luminária de Lina Bo Bardi e a penteadeira com banquinho de Jorge Zalszupin.

As paredes foram revestidas de cerâmica Portinari. Mármore na bancada, nichos e detalhes, na NPK, tipo Calacatta Vagli. Metais e louças Deca, acabamento em corten. Mobiliário: penteadeira e banqueta, desenho original Jorge Zalszupin (1959/2014) fabricados pela Etel. Objetos e mobiliário vintage LojaTeo, espelho na bancada anos 1960 em jacarandá, mesa lateral Jorge Zalszupin, conjunto de vidros de farmácia. Toalhas e roupões Casa Almeida. 

 

Acima, SALA DE ESTAR  por Cintia Klamat Motta e Bianca Klamat Motta

Todo o entorno foi criado para destacar as peças renomadas de design e magníficas obras de arte, visando o bem estar, conforto e funcionalidade para uma sala de conversação, música, office, leitura e relax. A predominância é de tons claros, com piso em ônix da NPK, paredes com papel cinza claro, cortinas e persianas da Uniflex no mesmo tom, criando uma unidade para destacar a majestosa estante/escultura em bronze fosco da Casual, com espelho bronze e iluminação embutida ao fundo, ornada com livros e vasos brancos; e mesa de trabalho em vidro curvo, para atender nosso momento atual. A parede revestida em linho azul é pano de fundo para a imponente mandala da Mabel Poblet. Nas demais paredes, obras importantes de Palatnik, Adriana Duque e Nathalie Cohen, todas da galerista Jackie Shor, devidamente iluminadas pela Lumini, presente no ambiente com suas peças assim como a Firma Casa e a Loja Teo, com seu lustre Venini, em murano, de 1950. O mobiliário tem predominância do P&B, em contraponto com as poltronas Traffic cinza da Firma Casa. As peças modernistas são assinadas por Jorge Zalszupin, Oscar Niemeyer e Platner, e contornam o sinuoso sofá em curva. No piso, o lindo tapete Lina Bo, do Estúdio Noel Marinho, completa a proposta do estilo e recebe mesa de centro em vidro da Breton, do Diogo Giacomo, leve e incolor para não tirar a visão da arte de Noel sobre o piso. Peças decorativas da Casual (Venini) e Casa Kasar, da designer Regina Medeiros dão o acabamento ao ambiente.

 

Acima, SALA DE ESTAR por Marcos Bertoldi Arquitetos

O espaço, destinado a uma Sala de Estar, é central na área social da residência e comunica-se com outros três espaços laterais, o que nos colocava diante de uma série de circulações cruzadas, dificultando a resolução do layout. O mobiliário, distribuído de forma assimétrica, organiza-se a partir do sofá contemporâneo e curvo de Paolo Castelli (2020) para a Casual Móveis, descrevendo um arco sob a janela em fita, descolando-se da ortogonalidade dos espaços. Reedições de clássicos modernistas brasileiros como a mesa lateral Warchavchik (1928), a mesa de centro Aranha, de Branco &Preto (1952), a poltrona e pufe Annette, além do bar Gávea, todos de Jorge Zalszupin (1959), para Etel, sublinham o espaço. A poltrona PK 20 de Poul Kjærholm (1967) da Fritz Hansen, em couro, vime e metálica, com suas formas curvas e leves contrapõe-se ao bloco maciço e compacto em madeira do bar. As banquetas PK 33 (1959) e Eames Walnut Stool (1960) para Atec, completam o ambiente. Luminárias que contam a história do design, como a Bubble Pendant (1952) de George Nelson – Fritz Hansen para Atec e a Taccia (1962) de Achile Pier Castiglioni – Flos para a Casual Móveis, além de um importante conjunto de objetos, completam o projeto. Entre os mais antigos o boneco Monkey (1951) do dinamarquês Kay Bojesen e os vasos da Venini – Murano, Bolle Bottles (1966) do finlandês Tapio Wirkkala. Entre os mais recentes, os vasos Ikebana de Jaime Hayón e o vaso em madeira Estação, de Lia Siqueira, de 2016 e 2019 respectivamente. Os tecidos e superfícies têxteis são naturais, como os tecidos para cortina, (montada com o Sistema Wave – Uniflex), e sofá, em linhos Twin e Varese, assim como o tapete em lã de ovelha Sheep, todos da Empório Beraldin. Obras de arte da Galeria Simões de Assis – SIM, foram cuidadosamente selecionadas, estando presentes grandes artistas plásticos brasileiros, como Eliane Prolik, Célia Euvaldo e Antonio Malta Campos, além do modernista uruguaio, Carmelo Arden Quin, um dos fundadores do movimento MADI em 1946, na Argentina.

 

Acima, ESCRITÓRIO SLOW LIVING por Patrícia Marinho e Manuèle Colas

Um Escritório ‘Slow Living’ conjugando moradia e trabalho onde o partido foi a otimização de um espaço desafiador: 3,20 x 8.50m. Presença de funcionalidade e conforto e forte personalização de estilo de inspiração modernista integram o ambiente de múltiplas possibilidades, onde se harmonizam peças de design e objetos de arte de época, período de 1932 a 2020, criações atemporais e contemporâneas.

Destaques para: Logo à entrada, painel de azulejos de Noel Marinho, desenho-matriz Mario Pedrosa, que ocupa o espaço de duas paredes em ângulo e alcança a esquadria de vidro. A geometria do tapete, por sua vez, vem do desenho-matriz Jorge Moreira. Ambos inéditos, painel e tapete, criações a partir de estudos em colagem de Noel Marinho, entre 2015 e 2018, agora em linha por ocasião da mostra Modernos Eternos.
Mesa Copacabana, design de Noel dos anos 1970, em diálogo com a poltrona de Jorge Zalszupin para Etel, de 1959, e a luminária de Lina Bo Bardi, 1951, produzida pela Lumini. O teto em madeira rebaixado criando uma solução de iluminação indireta para o ambiente.
As poltronas giratórias Papilio, de Naoto Fukusawa para B&B Italia, foram escolhidas pelas suas características de forma, dimensões e função adequadas ao espaço. E um projeto de marcenaria e estante com uma porta de correr que esconde a TV, desenhada por Patricia Marinho.

 

ESTHER ROOFTOP CAFÉ por  Alexandre Bianco 

O Esther Rooftop Café da Modernos Eternos SP’ 2020 remete ao olhar de cada um de seus visitantes à observação, como quem passa na rua e vê as mesas dispostas à frente das portas dos cafés, com os toldos debruçados sobre as calçadas. Esse simbolismo definido na disposição geométrica da passarela de acesso do público, enfatiza a importância da entrada nos espaços…

É um foyer ao ar livre, que representa a primeira interação do usuário no espaço do ambiente, se transformando no palco de um grande acontecimento: a chegada do público onde todos desviam os olhares de suas mesas para os novos personagens, novos agentes desse cenário.

Não poderiam faltar no mobiliário e luminárias exclusivos da “Casual Móveis”, a releitura das tradicionais mesas redondas com suas cadeiras bem próximas, bem juntinhas… já definido no conceito original do café parisiense; mas que também misturadas aos dois lounges, numa leitura atual destinando maior espaço para grupos com conversas e discussões mais calorosas na parte central do jardim.