Vik Muniz retorna a São Paulo nesta quinta-feira, 24, após três anos sem expor individualmente na cidade, com a exposição Superfícies, na Galeria Nara Roesler.  Composta por 22 obras inéditas, produzidas em 2019,  os trabalhos do artista exploram limites entre fotografia e pintura, partindo de obras abstratas de outros autores.

Em sua nova série, o artista subtrai novamente o elemento concreto que diferencia uma pintura de uma fotografia e a reapresenta, através de uma imagem em camadas.  Os trabalhos a serem apresentados em Superfícies, exploram duas abordagens recorrentes em seu vocabulário artístico: ora um material em busca de significado, ora uma imagem em busca de uma renovação física.

Geral da exposição

As obras que compõem a série são resultado de quatro anos de investigação, conta Muniz. “Comecei a identificar o fenômeno da ‘trivialização’ da fotografia, como ela passou a se tornar cada vez mais imaterial, acessível e popular”, explica o artista. Foi na relação entre o meio e o suporte físico – ou a não existência dele – que Muniz encontrou uma questão essencial. “Essa popularização faz com que nós tenhamos uma relação diferente com o mundo. Ela já está reformulando a maneira como nos relacionamos com as coisas”, explica.

Obra de Vik Muniz

     E embora as obras utilizem a pintura tanto em seu processo quanto em seu conceito, elas não são pinturas – ainda assim, enquanto imagens fotográficas de obras que existem de forma autônoma e física, elas também não são abstrações. O resultado são imagens fotográficas não reprodutíveis, que de forma ambígua, valorizam simultaneamente as superfícies materiais e conceituais da pintura e que, para obterem êxito, necessitam da presença física do observador.

Galeria Nara Roesler – Av. Europa, 655, Jardim Europa, região oeste, tel. 2039 5454. Abertura qui. (24). Seg. a sex.: 10h às 19h. Sáb.: 11h às 15h. Até 30/1. Grátis