Elas cursaram arquitetura juntas, mas cada uma seguiu seu caminho e foi através de uma amiga que Cristina Bezamat conheceu o irmão de Laura Bezamat, com quem se casou. Elas estavam em escritórios de arquitetura diferentes com dificuldade de conciliar a vida profissional e o trabalho quando apareceu o projeto de um restaurante que resolveram fazer juntas. Depois desse, os trabalhos não pararam de surgir, elas perceberam que a dupla trazia mais facilidade quanto aos horários e autonomia e vão completar 21 anos de uma parceria conhecida por ser “pé no chão”.

 

RD: Trabalhar em dupla facilita ou atrapalha na hora de definir o estilo do projeto?
L.B e C.B: Nós somos muito diferentes em personalidade, mas temos muito em comum, principalmente no gosto, e ficamos muito à vontade para comentar o trabalho da outra. Nada sai do escritório sem as duas olharem. Nós conseguimos lidar bem com a crítica e o trabalho em dupla acaba sendo uma vantagem, não só porque facilita por serem duas pessoas pensando e executando, mas porque os olhares diferentes potencializam o resultado.

RD: Por que vocês escolheram a arquitetura?
L.B e C.B: A Cristina sempre foi ligada à arte, mas não como uma artista plástica. Sempre quis criar, mas gostava da objetividade, de coisas mais concretas. Por isso, ela gosta mais da parte de criação, embora precise focar e ter um papel na mão para ter ideias. Já a Laura tem grande capacidade de imaginação e pode trazer uma ideia nova chegando da rua. Ela tem muita facilidade na fase de desenvolvimento, de acompanhar o projeto. Nós duas fazemos as duas coisas, principalmente quando é um projeto grande, mas tem essa diferença de um gosto maior de uma pela criação e de outra pelo desenvolvimento.

RD: Como vocês definem seu estilo? Como fazem suas escolhas?
L.B e C.B: É difícil definir, porque é contemporâneo, mas com mistura de peças mais antigas e outras mais modernas. A essência é fazer ambientes aconchegantes e dar personalidade através do mix da cara do cliente com o que nós gostamos. É inevitável gostar de muitas coisas e ficar doida pra usar quando se está nesse meio, mas quando conseguimos juntar aquela peça que adoramos com o gosto do cliente é ótimo. Trabalhamos com pouca mistura de cor, mexendo só nas gamas de cor e seguindo uma tendência clean, quando é o estilo do cliente. Algo que nos marca é um jeito “pé no chão”, a preocupação em pensar na funcionalidade, ou seja, onde o cliente vai guardar sua roupa de cama, louça de festa, rouparia. Não adianta fazer um projeto maravilhoso sem pensar no cotidiano dos moradores. Esse nosso olhar “dona de casa” é um plus no relacionamento com o cliente, porque ele percebe que pode contar com a gente, que nos preocupamos com a manutenção e em não usar nada que vá ficar envelhecido logo. Pode ficar lindo, mas não vamos indicar mármore branco para a pia da cozinha. É importante ter responsabilidade com o dinheiro do cliente. Outro dia chegou aos nossos ouvidos que dizem que nós somos normais, o que não é muito comum no mercado (risos).

RD: Como vocês se informam sobre o mercado de decoração?
L.B e C.B: Assinamos as principais revistas, como Casa Claudia, Casa Vogue, a Bamboo e algumas estrangeiras. Acessamos muito os sites dos fornecedores e guardamos numa pasta tudo o que nos agrada para usar depois. Gostamos também do Cool Hunter e do Contemporist.

RD: Quais vocês acreditam serem as peculiaridades do mercado carioca? O que falta nele?
L.B e C.B: O mercado forma uma cidade partida que só o arquiteto carioca consegue entender. Temos duas áreas de ação, a Zona Sul e a Barra. O cliente da Zona Sul é aquele da reforma, que tem boa compreensão do projeto e procura entender as opções. O cliente da Barra é o da obra nova, que começa do zero e tem critérios diferentes. O público da Zona Sul é mais homogêneo e o da Barra é mais eclético, exige uma versatilidade maior do arquiteto. O que falta é o progresso econômico, porque o potencial de construção é imenso e existe uma grande demanda reprimida, uma demanda por espaço construído, por construção. O Rio já está crescendo, mas tem que se manter nesse patamar para que surjam novos clientes. Nos últimos 20 anos houve um declínio econômico por uma falta de atenção do governo do estado e muitas empresas saíram do Rio. A Avenida Brasil é um deserto, tudo abandonado. Hoje isso está mudando, porque o país todo está fortalecido e isso reflete no Rio, mas é preciso consolidar esse crescimento.

RD: Qual o estilo da casa de vocês?
L.B e C.B: As duas casas têm estilo misturado. Nós vemos muita novidade e ao contrário do que parece, não colocamos todas dentro de casa. É muita indecisão. Por isso, procuramos comprar peças sóbrias para combinarem entre si e não nos cansarmos delas. Não temos peças super marcantes. Usamos colchas brancas, estofamentos neutros e brincamos com os acessórios. A casa é interativa, porque nunca acaba, vive mudando.

RD: Falem um pouco dos projetos que estão fazendo atualmente.
L.B e C.B: Terminamos agora um apartamento na Praia do Flamengo que foi muito bacana. Detonamos o espaço inteiro, fizemos o projeto e a sala de almoço foi premiada pelo Casa Premium. Estamos começando outro em Ipanema que também envolve arquitetura mesmo. Depois vem a decoração. O investimento para esses projetos é de cerca de um ano de trabalho. Nós também trabalhamos muito com construtoras, fazendo o design de interiores das áreas de uso comum, principalmente. Trabalhamos com 80% das construtoras da cidade. Começamos esse tipo de projeto em 2005 e fomos sendo indicadas de um cliente para o outro e pelos escritórios de arquitetura que fazem a parte mais pesada. É um trabalho meio insano, muito corrido, que costuma durar 15 dias. É legal porque dá visibilidade no mercado e atrai novos trabalhos com facilidade.

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