O que o brasileiro sonha ter em sua casa? O que valoriza em termos de espaço e decoração? Como se delineia a casa do futuro? De olho nessas questões, a socióloga paulista Natalia Tanese Miranda – a frente da empresa de planejamento de mercado NM4NM4 – desenvolveu uma pesquisa qualitativa completa com o público que visitou as duas últimas edições do Casa Cor. Na semana passada, a convite de Patricia Quentel e Patricia Mayer, da 3Plus, ela apresentou, no palacete Linneo de Paula Machado, onde acontece o Casa Cor Rio 2011, os resultados desse trabalho, e afirma que a casa brasileira atual carrega ainda muitas das funções sugeridas na “casa grande” das obras de Gilberto Freyre. “O acolhimento e a relação da arquitetura com a natureza são conceitos primordiais, que nunca deixaram de ser valorizados aqui. A alma do brasileiro é hospitaleira, gosta de receber”, aponta Natalia.

palacete Linneo de Paula Machado

 

Conheça abaixo alguns destaques da pesquisa.

  • Conforto, liberdade e proteção: esses são os conceitos básicos que o brasileiro sonha ter em sua casa. Para isso,  tecnologia é fundamental. “Poder acessar de longe a sua casa, tornando-a pronta para recebê-lo, com iluminação na medida certa, é algo muito valorizado. Como uma segunda pele, a casa é o porto seguro, que vai equilibrar e acolher nas medidas certas”.
  • Sustentabilidade é um conceito cada vez mais importante – em todos os sentidos. “A natureza é uma referência forte, dentro e fora dos ambientes. Em geral, a imagem da casa dos sonhos tem passarinhos cantando e plantas ao redor. Por isso, cultivar o verde, seja em um canteiro na varanda, seja em um vaso, é um hábito fundamental. E isso reflete também no uso racional de energia e na escolha de revestimentos mais naturais, em dia com o meio ambiente”.
  • Integração e mobilidade não podem ser deixados de lado. “A cozinha, moderníssima e com design, passou a ser um ponto de encontro, uma estação de relacionamento, e migrou para dentro da sala. Os espaços ficam também mais amplos e menos confinados. E outra tendência é a casa ser mutante, versátil. As paredes são mais fluidas e as divisórias, móveis”.
  • O jovem é um público específico, que pede uma casa mais compacta, inteligente e sem excessos. “Aqui se exclui o supérfulo. O espaço reduzido e bem-planejado tem absolutamente tudo. E tudo satisfaz”.
  • Hospitalidade é fundamental. “Esse conceito está impregnado na alma brasileira e já aparece no relato da Casa Grande de Gilberto Freyre. Uma cozinha acolhedora, com aroma, sabor, e cercada por espaços amplos e natureza… essas imagens fazem parte da cultura do morar bem”.
  • Casa Cor Rio 2011, que acontece em outubro, no Palacete Linneo de Paula Machado. “O palacete é um exemplo maravilhoso de uma arquitetura de antigamente, preservada. Conseguir evidenciar portanto a história e a beleza do lugar, fazendo ali uma ligação entre passado, presente e futuro, é um desafio e tanto para os profissionais envolvidos. O principal é usar a criatividade, indicando caminhos de como aliar estilos de diferentes épocas. A construção original, em si, é um grande passeio, sob medida para quem busca beleza e emocão”.