A Gustavo Rebello Arte inaugurou ontem dia 11 de setembro, uma exposição dedicada a desenhos em óleo sobre papel de Jorge Guinle, um dos principais expoentes da pintura brasileira nos anos 80, e maior articulador da chamada Geração 80, cuja emblemática exposição tomou de assalto a Escola de Artes Visuais do Parque Lage em julho de 1984.  A mostra, que pode ser vista até 6 de outubro, reúne cerca de 50 desenhos, gerados entre uma tela e outra. Produzida essencialmente nos anos 80, a obra de Jorge Guinle revela a potência de um artista cuja biografia foi marcada por uma incessante, ainda que breve, produção iconográfica.  “A minha iconografia é abstrata. É uma iconografia da história da arte e não uma iconografia identificada, como a dos neo-expressionistas alemães e italianos, ou mesmo de Schnabel, que, mesmo usando uma imagem, reduz sua função a zero. Neste ponto acho que divergem os caminhos da nova escola, da noção de uma escolha de estilo já dado e digerido; numa heterogeneidade que negaria a unicidade de pensamento que cria o sublime homogêneo”, disse ele, em seu statement para o catálogo da 20ª Bienal Internacional de São Paulo.

O marchand Gustavo Rebello, que pelo segundo ano consecutivo participa da RioArt Fair, lembra que até mesmo na calçada, em frente ao ateliê do artista, via-se rastros das tintas empregadas pelo artista. Como se sua pintura buscasse extrapolar os limites da tela. Marco Rodrigues, companheiro de Jorge Guinle até sua morte, em 1987, ensina que os pequenos desenhos do artista são para serem degustados como canapés. “São meus hors-d’oeuvres”, delicia-se. Confira nas fotos de Eduardo Costa quem esteve no evento.