Uma arquiteta apaixonada pelo que faz, Emmilia Cardoso vê arte no trabalho com arquitetura e afirma que a casa é o lugar onde se abrigam vontades. “Os ambientes devem despertar sensações agradáveis, identificados com quem vai morar. Por isso não me preocupo com tendências estéticas”, diz ela em entrevista ao Radar Decoração.

 

RD: Por que você escolheu essa profissão?
E.C: Eu não escolhi. A arquitetura me escolheu. Quando pequena eu amava desenhar, desenhava tudo que via pela frente. Simplesmente acreditei na arte. Segundo Ezra Stoller, “a arte é a arquitetura”.

 

 

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
E.C: A casa é o lugar onde se abrigam vontades. Antes de projetar, olho as coisas em volta, a vida de quem mora lá. A casa tem que ser 100% utilizada, não deve ter espaços vazios. Os ambientes devem despertar sensações agradáveis, identificados com quem vai morar. Por isso não me preocupo com tendências estéticas.

 

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
E.C: Honestamente, acredito que o moderno é poder projetar com conforto. Também acredito que as boas criações são as que são acessíveis para quem vai utilizar.

 

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
E.C: Acredito que usando materiais sustentáveis, fazemos a nossa parte. Posso afirmar que desenvolvimento sustentável sem comprometimento das gerações futuras é que todo arquiteto deve fazer. Temos que cooperar.

 

 

RD: De onde vem a sua inspiração?
E.C: Vem das minhas observações, surgem naturalmente. Eu costumo fazer paralelos com situações bem banais. Vejo design onde ninguém espera ver.

 

 

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
E.C: Gosto das cores básicas. Permeio entre os beges, brancos e cinzas. Deixo as cores fortes para os adornos e detalhes. Deixo os verdes entrarem na casa pelas aberturas dos jardins. Eles amenizam os tons cinzas do concreto.

 

RD: Forma, função ou emoção?
E.C: Eu admiro a arquitetura e o design brasileiro pela sua funcionalidade. Gosto também da emoção, pois os ambientes devem despertar sensações visuais. Eles não podem passar despercebidos.

 

RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? O que falta nele?
E.C: Acho que o modo de viver do carioca é perfeito, além do fato de que o mercado imobiliário está bastante aquecido. Mas me fascina o profissionalismo do mercado paulista.

 

RD: Como é a sua casa? O que você gosta de ter nela?
E.C: Minha casa tem o que eu gosto, por isso respeito muito o que o cliente/morador tem. Adoro coleções, tenho de várias coisas (caixinhas, tacinhas, de bonecas de países, etc). A casa gostosa tem a identificação de quem a usa.

 

 

RD: Que projetos entregou recentemente ou está fazendo que gostaria de destacar?
E.C: Estou fazendo um retrofit em uma casarão no Alto da Boa Vista com uma proposta muito interessante, sem acréscimo de área, mas com alterações substanciais nas funções dos espaços.

 

RD: Que projetos está fazendo atualmente? Algum que curte em especial?
E.C: A gente começa a projetar sem grandes pretensões e o cliente vai se deslumbrando com as mudanças e vai querendo crescer o projeto. Isto está acontecendo agora em uma casa de uma vila bem gostosa no Humaitá.

 

 

RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
E.C: Gostaria de ter a oportunidade em fazer alguma fazenda que explorasse composições de arquitetura e paisagismo com muitos caminhos que serpenteassem em curvas.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
E.C: Tenho muito respeito e admiração por Isay Weinfeld, Antonio Citterio, Jean Nouvel e Daniel Libeskind.

 

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
E.C: Eu amo a minha profissão, ela é apaixonante. Acho que a liberdade que ela nos proporciona nos dá maior criatividade.

 

 

“Foto: Kitty Paranaguá”