Loja carioca da marca Fernando Jaeger reabre com mostra de plantas e a participação de dez paisagistas e floristas.

Flores, plantas, o verde, a vida. O que torna a sua casa mais íntima e pessoal, ainda mais em momentos extremos, de pandemia, quando o lar é um verdadeiro refúgio? E o que a deixa também mais alegre e festiva? Cuidada e aconchegante?  O Atelier Fernando Jaeger deu esse desafio para dez paisagistas e floristas, pedindo que transformassem com itens naturais – arranjos, paredes verdes, plantas de todo o tipo – os espaços da loja localizada numa simpática casa no Jardim Botânico.

– Tiramos os quadros, deixamos as paredes brancas, e cada uma conceituou seu ambiente de uma forma única, criativa, mas sempre permeada com um olhar repleto de ternura e afeto para a nossa casa pensando neste momento de reclusão. Tudo muito rápido. Foi apenas um dia de transformação (poucas horas na realidade!) – e, vejam só, com um efeito impressionante – diz Simone Raitzik, curadora do evento.

Apesar desta ser a primeira mostra botânica realizada no Atelier Fernando Jaeger, a presença da natureza não é nenhuma novidade no local já que, além de um jardim aconchegante, a casa centenária é ambientada como uma casa de verdade com os móveis da marca, obras de arte e arranjos de flores, como um cuidado especial tanto para o seu espaço como para os clientes que recebe.

– Estamos vivendo um momento extremo, em que todo mundo está precisando de acolhimento. E a planta traz isso: acolhimento, aconchego. E transforma, completamente, a casa. Daí a ideia de pedir aos paisagistas que fizessem essa interferência no nosso espaço, apenas com as plantas. É uma ideia que todo mundo pode fazer em casa. E que faz uma diferença enorme – explica Regina, sócia do Fernando Jaeger.

Entre as paisagistas e floristas convidadas, estão: Esther Bonder e Drika Silami (Meu Refúgio, Sala Principal), Laura Sugimoto do Wabi Sabi Ateliê (A Pausa da Artista, Jardim de Inverno), Camila Cáceres da Casa de Flores (Poesia & Memórias, Sala Tecidos), Joana Bonelli e Cissa Geyer da Astromélia (Arte Viva, Bay Window), Monica Carvalho Atelier (Garimpos e Catados, Sala Interna), Fabiana Pomposelli do Atelier Clementtina (Ninho de Amor, Salinha 1), Ana Ceppas Paisagismo e Sandra Gasparian da Si Poesia Engarrafada (Secos e Molhados, Salinha 2) e Vanessa Lazzari (Corredor).

Confira a seguir o conceito de cada um dos oito ambientes, que poderão ser visitados até o dia 30 de maio, com agendamento prévio, pelos telefones (21) 98558-1461 / 2274 6026. O Atelier Fernando Jaeger fica na Rua Corcovado 252, Jardim Botânico. Para agendar a visita, entre em contato.

 

Acima, MEU REFÚGIO (Sala Principal), por Esther Bonder e Drika Silami
@estherbonder

O ambiente foi pensado a partir da pintura “Cinetose-43 passos” de Esther Bonder que se destaca na parede principal. Uma das obras da nova série assinada pela artista plástica, arquiteta e paisagista, ela reflete a sensação de cinetose (ou ‘mareamento’ pós desembarque), que todos estamos sentindo na pele após mais de um ano de pandemia. “Parecemos estar todos em uma grande viagem, um hiato no tempo e espaço”, reflete Esther. Na mesa de centro, foram colocadas esculturas feitas com flor de lótus (permanentes) em pedras de madeira, garimpadas por Esther em uma viagem a NY. “Há um vaso de eucalipto natural, que traz um aroma de mato para o ambiente e, de resto, optamos por arranjos híbridos, com galhos secos, que dispensam manutenção, tornando a convivência com a natureza possível e prática”, aponta ela. A escultura “Inflorescência”, de tela de aço inox com pintura automotiva também assinada por Esther, compõe com leveza o ambiente. Em tempo: a flor de lótus é muito comum em ashrams e, com sua forma delicada e equilibrada, induz à meditação e passa uma sensação de delicadeza e equilíbrio. “Estamos sempre em busca de galhos e ‘catados’, buscando trazer o design biofílico para dentro de casa. Tudo simples e natural”, arremata Esther.  

 

Acima, A PAUSA DA ARTISTA (Jardim de Inverno) por Laura Sugimoto (Wabi Sabi Ateliê)
@wabisabiatelie

Todo montado em tons de verde, no espaço iluminado do Jardim de Inverno, o ambiente assinado pela Wabi Sabi aposta em poucas espécies, e todas com texturas próximas em tons de verde. Fã de um paisagismo mais minimalista, Laura trouxe uma linguagem de urban jungle, criada com folhagens de diferentes calibres que formam um degradê de verdes em camadas, com vasos e suportes variados, no piso, paredes e teto.  “Aqui é a natureza que prevalece. Onde a única distração é observar as plantas. Deitar no sofá, tomar um chá, ler um livro, e se sentir naturalmente no meio de uma floresta. Sendo assim, dentro desse lugar, o ritmo é outro. Um ritmo mais leve, assim como a natureza, que tem seu tempo para brotar e florecer”, conta. Uma verdadeira imersão.  

Acima, POESIA & MEMÓRIAS (Sala Tecidos), por Camila Cáceres (Casa de Flores)
@casadefloresbrasil

Inspirada pela arquitetura centenária da casa, Camila desenhou um espaço poético, com peças artesanais compondo a estante e as paredes. Uma poesia bordada, de autoria de @_palomacc, se transformou em um quadro e dá o tom do espaço, que fala de memórias, da força que a natureza tem em qualquer tipo de ambiente – ainda mais em pleno confinamento, quando o lar se transforma em um verdadeiro refúgio. Misturando plantas de texturas delicadas, Camila fixa arranjos no teto, caindo feito cascatas verdes que se transformam em instalações vivas. Há ainda composição de vasos com espécies como Proteias e “Sacos de velho” – trazendo o mix clássico (e sempre poderoso) de tons de verde e rosa. O ambiente contou ainda com a participação do paisagista Pedro Ricardo (Jardinzin Carioca).

 

Acima, ARTE VIVA (Bay Window), por Joana Bonelli e Cissa Geyer (Astromélia)
@astromelia.flor

Para cada projeto, Joana Bonelli e Cissa Geyer desenvolvem uma linguagem específica – com uma paleta própria – e que flerta com o universo artístico, paixão da dupla. Com esse olhar afinado, que transforma a flor em peças de arte, as floristas vão pontuar a sala de jantar do nosso showroom com arranjos esculturais – simples, mas com muito impacto.  As cores neutras e mais sóbrias trazem para o ambiente o aconchego do outono. Uma nuvem de plantas paira sobre a mesa como um sonho lúcido (e mágico). “Tentamos trazer para a decoração do nosso espaço elementos que conversem com o lúdico e o etéreo. Daí a escolha de uma instalação aérea, que se assemelha a uma nuvem”, explica Cissa.

 

Acima, GARIMPOS E CATADOS (Sala Interna), por Monica Carvalho Atelier
@monicacarvalhoklausschneider

Expert em transformar sementes, galhos e todo tipo de fibra natural em pura arte, a designer Monica Carvalho cria aqui uma sala inspirada em um amante da natureza, colecionador de ‘catados’ que garimpa por onde passa. São relíquias naturais, cachos de espécies perdidas, alguns emoldurados em caixas, outros apenas fixados na parede, desenhando uma composição inusitada. Como um verdadeiro gabinete de curiosidades, anomalias e humores da natureza criados com a acervo particular de Monica. “A natureza traz a referência de onde viemos, quem somos, nossa ancestralidade. Nesse período tão difícil que estamos enfrentando ficar perto da natureza nos revigora e nos equilibra”, diz.

 

Acima, NINHO DE AMOR (Salinha 1), por Fabiana Pomposelli (Atelier Clementtina)
@atelierclementtina

Como passar ternura e afeto em um espaço físico? Como montar uma decoração que transpire amor? A designer Fabiana Pomposelli pretende trazer esse tom de “abraço carinhoso” ao seu ambiente, como se as flores fossem a forma de desejar o melhor dos mundos para quem entra ali. “Em momentos de pandemia, a flor é uma mensagem de afeto. São arranjos para celebrar, para energizar, para alimentar a alma, para matar saudades, e para dizer ‘eu te amo’. Ser essa mensageira é o que me move”, diz ela, que está sempre atenta a todas as referências que possam servir de inspiração (filmes, arte, gastronomia, poesia) para seu universo florido.

 

   

Acima, SECOS E MOLHADOS (Salinha 2), por Ana Ceppas Paisagismo e Sandra Gasparian (Si Poesia Engarrafada) @annaceppas_paisagismo

Misturando plantas e flores secas com espécies vivas (e bem verdes), Ana e Sandra – ambas do universo da moda: Ana foi da Richards e Sandra, da Farm – pontuam o espaço com verdadeiras esculturas e móbiles naturais. Sandra, em sua Si Poesia Engarrafada, cria uma série também de objetos artísticos com flores secas, que aqui vão ficar expostos como coleções, criando o cenário mágico de um ateliê repleto de cores e texturas. “A Si Poesia Engarrafada é carinho e delicadeza dentro de garrafas. E, num momento tão difícil que a humanidade está passando, quisemos trazer para o ambiente um pouco da afetividade, carinho e demonstração de amor que as flores secas engarrafadas transmitem”, conta Sandra.

 

Acima, CORREDOR, por Vanessa Lazzari  @vanessalazzari

Completando a mostra, quatro plantinhas bem diferentes prometem chamar atenção de quem passear pelo corredor da loja. São duas Espadas de São Jorge, um Costela de Adão azul e uma samambaia. Todas feitas com restos de tecido da indústria têxtil – mais precisamente veludo! O trabalho desenvolvido pela designer gaúcha Vanessa Lazzari é inédito aqui no Rio e surge como uma ótima solução para quem quer ter uma urban jungle em casa, mas não tem exatamente o dedo verde. “A Coleção Plantae, de plantas artísticas, traz mais cores para dentro de casa, inclusive o verde. A minha maior inspiração é a natureza com suas formas orgânicas, claro, mas não reproduzo apenas. São peças artísticas que não têm a intenção de parecer reais”, conta Vanessa.