Novos métodos de construção, áreas da cidade que estão sendo valorizadas, a importância das novas obras de mobilidade e infraestrutura urbana para o futuro do setor da construção: estes foram alguns dos assuntos tratados ontem, no auditório da Firjan, no debate Caminhos da construção e a moradia no Rio de Janeiro, que fez parte do coquetel de lançamento da Feira Construir Rio 2013, promovida pela Fagga | GL events Exhibitions, em parceria com o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Rio de Janeiro (Sinduscon-Rio) e com a King Ouro, e que acontece de 14 a 17 de agosto no Riocentro.

 

Mediado pelo jornalista Edimilson Ávila, da TV Globo, a mesa de debatedores recebeu três setores da cadeia produtiva da construção civil: o presidente do Sinduscon-RJ, Roberto Kauffmann; Elmo Esteves, da King Ouro, o maior atacadista de material de construção do Rio de Janeiro;  o arquiteto e urbanista Sérgio Conde Caldas; e o arquiteto Maurício Nóbrega, que faz a curadoria de uma área inédita da Feira este ano: o Espaço Tendências, voltado para revestimentos, paisagismo e mobiliário.

 

Quatro pontos que influenciam no caminho da construção civil foram levantados por Ávila para a provocação do debate: o primeiro foi a mobilidade urbana, com as vias expressas que interligam a cidade (a Transcarioca, a Transbrasil e a Transolímpica), além da linha 4 do metrô e o aumento dos trens da Supervia.  “Isso significa 220 quilômetros de malha urbana, a maior do Brasil”, afirmou. O segundo tema abordado foi a segurança pública, com as UPPs instaladas nas favelas. No total, segundo o jornalista, 1 milhão e 500 mil pessoas já foram beneficiadas com as UPPs. O arquiteto Maurício Nóbrega ilustrou com um exemplo prático. “E sem dúvida, trazem outros benefícios, como a valorização de áreas antes consideradas menos nobres e que hoje estão sendo procuradas. Neste momento estou trabalhando em uma experiência nova para mim como arquiteto: um projeto de um hostel no Vidigal. Sei que outros arquitetos também estão com projetos ali, com hotéis-boutique, voltados para turistas”, contou Nóbrega, que deu um dado que deixou a plateia espantada: “Hoje, o metro quadrado do Vidigal custa de R$ 6 mil a R$ 7 mil. Ou seja: se transformou em uma área nobre da cidade.”

 

As obras de reestruturação da cidade, por conta da Copa do Mundo e das Olimpíadas, foram o terceiro assunto da mesa. A revitalização da Região Portuária foi a mais enfocada: “É um processo irreversível. São 5 milhões de metros quadrados que permitem este enorme volume de obras. Uma coisa interessante são as construções históricas, cerca de 5 mil imóveis na região, que podem ser retrofitadas – desta forma preservando sua fachada – e transformadas em apartamentos”, disse Roberto Kauffmann. A última questão discutida foi a da sustentabilidade no processo de construção. O arquiteto e urbanista Sérgio Conde Caldas apresentou alguns exemplos de projetos de seu escritório voltados para processos conscientes de construção. Um deles foi o Movimento Terras, único na América Latina a receber o selo BREAMM de sustentabilidade, pela utilização de materiais ecologicamente corretos, proteção dos contornos naturais e, principalmente, pela eficiência energética na construção e em sua manutenção.

 

Finalizando o encontro, os convidados apontaram direcionamentos para o futuro da construção. “A racionalização da construção e a modernização do método construtivo têm de evoluir, para trazer maior eficiência e rapidez. O Brasil é campeão de desperdício de material de construção e perda de material”, disse Sérgio Conde Caldas. Roberto Kauffmann deu dados interessantes: “Hoje já se faz o reaproveitamento dos resíduos da obra visando reduzir essas perdas. Além disso, temos que ampliar a oferta de mão-de-obra, que se encontra deficitária. Por isso, realizamos diversos cursos de iniciação e formação profissional para jovens de comunidades, e, incrivelmente, 50% dos que estão matriculados são mulheres”, afirmou Kauffmann, que anunciou que as negociações para a instalação de um polo de inovações tecnológicas para a construção civil na Baixada Fluminense estão avançando.

 

Para o arquiteto Maurício Nóbrega, a integração da cidade é um saldo positivo. “É importante perceber que o Rio deve, realmente, ser uma cidade integrada de várias formas. A facilidade de mobilidade traz não apenas maior movimento dos cariocas entre bairros mas também a busca por descobrir novas áreas para construções inteligentes.” Elmo Esteves mostrou-se otimista em relação ao futuro do setor: “Nosso segmento, no estado do Rio, está em bom caminho. Não apenas pelas grandes obras em andamento, mas também pela valoração de áreas antes pouco nobres da cidade e que daqui para a frente serão cada vez mais valorizadas. A cidade vai crescer e se redescobrir.”