O caderno Economia trouxe em matéria: “Pátina no móvel da sala, persiana em vez de uma parede de vidro, além de muitas almofadas no sofá. Esqueça a nova pia de granito no banheiro. A solução é pintar a louça antiga. É assim que boa parte dos brasileiros vem se arrumando com orçamento mais apertado. Enquanto a compra da casa nova e até a reforma completa do imóvel entraram definitivamente na gaveta, a reforma mais light ganha espaço neste fim de ano. A estratégia já é observada pelas redes de material de construção, que constataram vendas maiores dos chamados itens de decoração do que dos de reforma propriamente dita. Na Leroy Merlin, por exemplo, itens como almofadas, luminárias, tintas e até lâmpadas devem fechar em alta de até 25% nas vendas neste ano, enquanto produtos de acabamento, como pisos e revestimentos, não avançam. Walter Cover, presidente da Abramat, associação que reúne os fabricantes de material de construção, diz que, com a falta de perspectiva e o medo de entrar em grandes financiamentos, a saída do brasileiro foi apelar para pequenas reformas. É o que tem estimulado parte do mercado, apesar da previsão geral ser de queda nas vendas este ano. Ele afirma que o momento é propício para as compras, já que o Índice de Preços da Construção Civil (INCC) subiu 6% nos últimos doze meses até outubro, bem menos que os quase 10% da inflação geral. — Isso demostra o que está acontecendo com o setor, que nos últimos anos teve demanda maior que a oferta — diz Cover. — Hoje, há um movimento de reformas menos estruturantes, com o uso de itens mais ligados ao acabamento. Foi assim que a corretora Paula Moreira, moradora da Zona Sul do Rio, apostou na criatividade para reformar a casa sem gastar muito. Ela conta que usou uma persiana para dividir dois ambientes, em vez de instalar uma parede de vidro, devido ao preço menor. — Usei ainda muitas almofadas novas e luminárias diferentes. Trocar o piso e fazer obras mais estruturais estão completamente fora de cogitação. Papel de parede também é uma boa saída, e trocar quadros de lugar. Enfim, dá para fazer muita coisa sem gastar muito — diz Paula, que mudou a posição dos quadros para revigorar o ambiente. A iniciativa de Paula é endossada pela arquiteta Gorete Golaço, cujo escritório criou um serviço chamado Express. O objetivo, diz a profissional, é fazer reformas e repaginar o ambiente de olho no orçamento dos clientes, cada vez mais enxuto por causa da crise econômica”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/Economia/Reportagem: Bruno Rosa/06/12/15