Com mais de 30 anos de profissão, Francisco Amorim afirma que o segredo é manter o bom humor e mostra que gosta do que faz. Em entrevista ao Radar Decoração, ele diz que arquitetos e designers de interiores são realizadores de sonhos cujo papel é descobrir o equilíbrio e a beleza dentro do que os clientes querem.

 

RD: Por que você escolheu essa profissão?
F.A: Desde que eu me entendo por gente eu já gostava de projetar casas e navios. Aos 8 anos eu já desenhava plantas baixas sem nunca ter aprendido sobre o assunto.

 

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
F.A: O meu estilo é a harmonia na realização dos desejos dos clientes. Nós somos realizadores de sonhos e por isso temos de ter a capacidade de descobrir o equilíbrio e a beleza nos sonhos dos clientes.

 

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
F.A: Equilíbrio, harmonia de cores, materiais de qualidade e iluminação aconchegante.

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
F.A: Cada vez mais a sustentabilidade está se tornando um ponto primordial nos meus projetos, desde materiais reciclados que estão surgindo com ótimo design e excelente qualidade até à preocupação com economia de energia e utilização de recursos renováveis. Utilizo muito os equipamentos de consumo reduzido, como torneiras, descargas, iluminação de LED, assim como equipamentos de aquecimento solar e de reutilização de águas.

 

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
F.A: Eu sou um apaixonado pelas cores e acho que todas elas podem ser bem usadas com equilíbrio e elegância. Mas os meus tons de partida sempre são os tons neutros e os tons de terra e vermelhos, tons quentes.

 

RD: Forma, função ou emoção?
F.A: Forma, função E emoção! Eles têm que estar sempre integrados ou não se consegue o equilíbrio.

 

RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração? O que falta nesse mercado?
F.A: O mercado carioca é mais emocional e isso é uma coisa que eu gosto e me identifico. O Rio, no contexto brasileiro, representa o charme despojado, o bom gosto com elegância e descontração, a sensualidade. Acho que no mercado do Rio não falta nada e a cada dia ele se consolida mais.

 

RD: Qual seria a casa dos seus sonhos?
F.A: A casa totalmente autosustentável. Esse seria o sonho que acredito não estar muito longe de se realizar.

 

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
F.A: A minha casa é uma coletânea de emoções. Adoro obras de arte e objetos que me emocionam e que fizeram um momento importante da minha vida. Adoro receber amigos em casa e ela conta a minha história em mínimos detalhes. Gostaria de ter uma tela de Burle Marx.

 

RD: Que projetos entregou recentemente e está fazendo atualmente? Algum que curte em especial?
F.A: No final de 2012 e início de 2013 entreguei 4 grandes apartamentos que ficaram excelentes e fizeram o sonho dos clientes. Dois desses clientes viraram amigos para a vida toda. Agora estou fazendo 3 residências para a mesma família e isso é uma situação bem engraçada.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
F.A: Prefiro sempre os designers brasileiros. Temos criadores fantásticos e talentosíssimos. Nem vou citar nomes pois a lista seria enorme. Gosto de alguns clássicos, mas a minha preferência está sempre no design com materiais naturais.

 

RD: Quantos anos de carreira e qual o maior aprendizado nesse tempo?
F.A: São 31 anos de carreira e acho que o maior aprendizado neste tempo todo foi desenvolver a paciência e o bom humor sempre.

 

 

Foto: Antonio Vinicius