Elas trabalham juntas há 12 anos e se completam na realização de um projeto. Ana Luiza Jardim e Tina Pessoa de Queiroz contam como dividem o trabalho e afirmam que o maior aprendizado nos anos de profissão é saber ouvir mais do que falar. Confira na entrevista que Ana Luiza deu ao Radar Decoração.

 

RD: Por que vocês escolheram essa profissão?
A & T: Eu sempre fui muito ligada à estética e a Tina à arquitetura. Temos uma satisfação enorme quando vemos uma casa pronta para o cliente. Tanto uma quanto a outra tem prazer em arrumar a casa. Somos muito apaixonadas pelo nosso trabalho.

 

RD: Como vocês definem seu estilo e como foi o caminho que percorreram para desenvolvê-lo?
A & T: Temos um estilo moderno e contemporâneo, sempre com a cara do cliente. A primeira coisa com a qual nos preocupamos é em saber o que o cliente quer e gosta, porque a casa é feita para ele. É importante que ele passe o briefing e a partir disso podemos orientar e fazer um projeto bacana. Alguns dos nossos projetos acabam tendo toques mais modernos e outros são contemporâneos porque juntam o clássico com o moderno, quando usamos, por exemplo, móveis que o cliente traz e fazem parte da história dele.

 

RD: Quais são as vantagens de trabalhar em dupla? Vocês dividem o trabalho de alguma forma específica?
A & T: Dividimos. E a vantagem é justamente essa divisão de funções. A Tina é formada em Engenharia e Arquitetura e eu, em Decoração. Eu fico, como ela costuma brincar, com a parte do “frufru”. Ela foca na questão arquitetônica, na estrutura, nas plantas. Isso é ótimo porque se o cliente está um pouco cansado de uma, entra a outra e é uma cara nova. Ás vezes tem algo difícil de solucionar e só de entrar a outra, já se resolve.

 

RD: O que consideram essencial em qualquer bom projeto de interiores?
A & T: Proporção. A pessoa pode amar um sofá imenso, mas se não ficar bem na casa dela, você tem que saber dizer que não vai ficar bom.

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
A & T: Eu acho que a sustentabilidade é a grande palavra atual e do futuro. Se não nos preocuparmos agora não sei o que vai ser. Mas o mercado ainda é muito precário, tem poucas opções bonitas e boas, principalmente na parte da decoração.

 

RD: Forma, função ou emoção?
A & T: Emoção.

 

RD: Quais vocês acreditam serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração? O que falta aqui?
A & T: O Rio tem um estilo muito despojado que fascina as pessoas. Essa coisa de ser uma cidade de negócios, cosmopolita, mas que ao mesmo tempo tem esse ar de praia. Aqui dá para fazer uma casa de praia dentro da cidade. Isso é um mercado bom, porque a pessoa pode trabalhar o dia todo e chegar em casa com um clima de veraneio. Todo mundo quer morar aqui. É uma coisa única no Rio. Mas faltam muitas lojas no Rio. Em São Paulo o mercado oferece mais opções.

 

RD: Qual o estilo das suas casas? O que vocês gostam de ter nelas?
A & T: Goto de uma casa moderna e ao mesmo tempo acolhedora. Minha casa não é de revista, é de bom gosto e você se sente bem.

 

 

RD: Que projetos entregaram recentemente e estão fazendo atualmente? Algum que curtem em especial?
A & T: Acabamos de fazer uma cobertura no Jardim Botânico que era completamente sem proveito, sem graça, e transformamos numa super sala com churrasqueira, cozinha gourmet, sauna, piscina, deck. O cliente está muito satisfeito, porque nem ele imaginava todo esse potencial.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
A & T: Gostamos do Sergio Rodrigues, Etel Carmona, Maria Cândida Machado e muitos outros.

 

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
A & T: O maior aprendizado é que a gente tem que saber escutar mais do que falar para poder pescar realmente a ideia da pessoa.

 

Foto: Gilza Veloso