Da criança que brincava de desenhar casas para os Jetsons a um dos maiores arquitetos do Rio foi um grande caminho, e Pedro Paranaguá conta um pouco dessa trajetória em entrevista ao Radar Decoração. “Nos anos de profissão aprendi que estamos eternamente vivendo e aprendendo”, afirma o arquiteto, que diz que conforto e equilíbrio
fazem parte do seu estilo de tra
balho.

RD: Como a arquitetura entrou na sua vida?
P.P: Desde sempre. Quando criança eu já brincava de desenhar casas para os Jetsons.


RD: Como você define seu estilo e qual foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
P.P: Hoje acho que procuro sempre a arquitetura do “conforto e do equilíbrio”, sendo que pra mim, conforto significa espaços generosos, bem iluminados, bem arejados, aconchegantes, entre outras características. Já no equilíbrio, para se obter um ambiente elegante, procuro dosar o uso de alguns materiais ou móveis de forma equilibrada, ou seja, entre o Ying e o Yang. Por exemplo, materiais frios (vidro, aço, espelho…) com materiais quentes (madeiras, tecidos de algodão ou couros…) e móveis com um design moderno, com alguns mais clássicos.


RD: O que te inspira para o trabalho?
P.P: As pessoas de uma maneira geral, como coletivo e como indivíduo, com suas particularidades e variedades.


RD: Quais os projetos que entregou recentemente ou está fazendo no momento? Algum que curte em especial?
P.P: Chez Anne, no Shopping da Gávea, livraria Argumento Leblon, retrofit de um edifício comercial em Ipanema, recuperação e ampliação de 21 casas de uma vila na Tijuca, diversos trabalhos para o setor imobiliário, principalmente para a Brookfield, Gafisa e Even, além de diversas residências entre Rio, São Paulo e Búzios. Todos são especiais.

RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
P.P: Um pequeno hotel-boutique com muito charme e um apartamento em New York, por exemplo.


RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração? O que falta nesse mercado?
P.P: O Rio tem um estilo bem particular, aliando descontração e beleza, bem do jeito carioca de ser. Este estilo vem sendo copiado, sem muito resultado, por outras localidades. Hoje o Rio está em evidência, o que nos posiciona muito bem em termos de estilo e maneira de viver. O sofisticado descontraído é nosso!!! O que falta, às vezes, é um comprometimento maior por parte das pessoas, sejam os clientes ou os fornecedores.

RD: Como é a sua casa? O que você gosta de ter nela?
P.P: Minha casa é bem do jeito da Naná, minha grande companheira de estrada há 30 anos, e reproduz bem o que falei acima. É sófisticada, chique, mas descontraída, também por causa dos meninos e amigos. É uma casa “usada”, o oposto de vitrine. Uma particularidade é estarmos sempre mudando alguma coisa (podem ser almofadas, estofados, cor das paredes ou uma colcha, etc). O que gosto na atual é a vista maravilhosa para as montanhas, Cristo, as palmeiras do Jardim Botânico e o sossego da rua na Gávea (parece cidade do interior, fora do carnaval, claro…).

RD: Nesses anos de profissão, qual foi seu maior aprendizado?
P.P: Que nunca sabemos o suficiente. Estamos eternamente vivendo e aprendendo. Comparo a vida a um livro com vários capítulos e páginas. Cada dia escrevemos um pouco mais.