Uma designer, uma médica e uma advogada que fazem, quem diria, lindos projetos de interiores. Mabel Graham Bell, Luciana Nasajon e Juliana Neves se encontraram no curso da Cândido Mendes e há 8 anos e criaram a A3 Interiores, que faz parte das principais mostras da cidade e tem um número invejável de projetos no currículo, como você vê na entrevista do trio ao Radar Decoração.

 

RD: Por que escolheram essa profissão?
Mabel – Sou formada em Desenho industrial pela PUC-Rio. Tive filhos cedo e depois, para me colocar no mercado com 2 crianças pequenas, tive que buscar algo que pudesse exercer de alguma forma a criatividade e o design. Prestei outro vestibular e fiz o curso de interiores na Cândido Mendes.

Luciana – Formada em Medicina com mestrado em Ginecologia, se deu conta de que tinha abandonado a paixão pelas artes. Entrou no Curso da Cândido como um hobby e acabou se envolvendo tanto que optou por trocar de profissão.

Juliana – Formada em Direito pela UCAM, advogou por 3 anos e viu que não era bem aquilo que queria. Entrou no curso e também se apaixonou por essa nova carreira, optando por largar o direito.

 

RD: Como definem o estilo de vocês e qual foi o caminho que percorreram para desenvolver esse estilo?
A3: Não gostamos muito de rótulos. Na verdade procuramos fazer um trabalho atual, leve e que atenda aos desejos e a forma de viver do cliente. Priorizamos o conforto e a qualidade de vida das pessoas que buscam a nossa ajuda.

 

RD: Quais são as vantagens de trabalhar em trio? Vocês dividem o trabalho de alguma forma específica?
A3: Trabalhar a 3 é muito bom! É sempre bom ter com quem trocar ideias e no trabalho de desenvolvimento de projeto, a bagagem individual que cada uma traz agrega muito ao conjunto. É um processo muito enriquecedor. Todos os trabalhos começam com uma reunião a 3, na qual fazemos um “brainstorm” e iniciamos a pesquisa. Depois disso, uma das três “assume” o projeto e passa a liderar o desenvolvimento. No entanto, sempre mantemos as 3 a par de tudo que é definido, permitindo que haja interferências ao longo do processo. Na organização do dia-a-dia do escritório também é muito bom podermos dividir as tarefas. Sempre tem uma que fica mais responsável pelo administrativo, outra que está mais ligada nas obras e outra que fica mais em cima dos desenhos e modificações dos projetos. Essa divisão das tarefas ocorre naturalmente e ajuda a deixar o trabalho mais organizado.

 

RD: Quais os projetos que entregaram recentemente?
A3: Nos últimos dois meses entregamos uma gestora financeira em Ipanema, um escritório de uma empresa de engenharia na Barra, um apartamento com jeito de loft no Leblon, um quarto de menina no Jardim Botânico, um quarto de bebê na Barra, um quarto de jovem no Leblon, uma sala multi-uso e os quartos de uma casa em São Conrado.

 

RD: Quais os projetos que estão fazendo agora? Algum que curtem em especial?
A3: Uma cobertura na Lagoa, um apartamento no Leblon, um flat na Barra, um apartamento no Jardim Botânico e dois quartos de meninas pré adolescentes. Adoramos o nosso trabalho e temos um enorme prazer em vencer os desafios específicos que surgem em cada projeto.

 

RD: Algum projeto que sonham em fazer e nunca fizeram?
A3: Adoraríamos fazer os ambientes de um hotel, hostel ou pousada de charme.

 

RD: O que consideram essencial em qualquer bom projeto de interiores?
A3: Juntar de maneira harmônica o funcional e o belo. Deixar os clientes felizes.

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
A3: Em uma reforma procuramos inserir esses materiais o máximo possível, usando revestimentos certificados, louças e torneiras que ajudam no controle do consumo de água e outros. Não é tão fácil adotar todos os conceitos ideais de sustentabilidade quando entramos para fazer alterações em um apartamento que já foi construído sem esse conceito. Mas é algo que está ganhando cada vez mais importância, e à medida que os clientes vão se conscientizando, fica mais fácil projetar dentro desse conceito.

 

RD: Forma, função ou emoção?
A3: Acho que o perfeito é tudo junto, mas ás vezes um deles fala mais alto para atender melhor alguma situação.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
A3: Sérgio Rodrigues, Zanine, Cláudia Moreira Sales, Pedro Useche e Philippe Starck, entre outros.

 

RD: Quais vocês acreditam serem as peculiaridades do mercado carioca? Qual o papel ou importância do Rio dentro do mercado brasileiro de arquitetura e decoração? O que falta nesse mercado?
A3: Um chique despojado. Acho que a nossa vibração movimenta bastante este mercado. Apesar de grandes fábricas ou representantes internacionais de mobiliário e revestimentos se instalarem primeiro em São Paulo, o “astral” do Rio é muito importante e faz com que eles queiram estar no cartão postal mais bonito do Brasil e sem dúvida trabalhar com profissionais com estilo carioca. Além disso, nos próximos anos, o Rio será foco de grandes eventos internacionais, o que nos coloca em uma posição muito favorável.

 

RD: Como são as casas de vocês? O que gostam de ter nelas?
A3: Por acaso moramos todas em coberturas. Cada uma tem um jeito de viver e receber as pessoas. Mas em geral gostamos de ter conforto e funcionalidade para família e amigos.

 

RD: Quantos anos são de carreira e qual o maior aprendizado que tiveram nesses anos?
A3:Já estamos juntas há 8 anos. Como somos 3, saber ouvir, em todos os sentidos, faz toda a diferença no resultado final do projeto.

Foto de Divulgação