A frase do arquiteto Mies van der Rohe, sobre ter a cabeça nas estrelas e os pés no chão, é o lema de Patricia Marinho. A arquiteta diz em entrevista ao Radar Decoração que a paixão pela arquitetura veio da família e conta mais sobre seu trabalho e o que pensa da profissão.

R.D: Por que você escolheu essa profissão?
P.M: Em primeiríssimo lugar porque está no sangue, porque meu pai é arquiteto e minha mãe era professora na Escola de Arquitetura da Gama Filho. Fora escultores e pintores que havia na família. Era uma coisa que estava dentro de casa. Com 11 anos fui pra Nova York com minha mãe e fui ver todos os projetos do Frank Lloyd Wright. Não tinha outra coisa para fazer da vida.

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
P.M: É fundamentalmente contemporâneo. Meus pais sempre foram super modernos, pessoas que têm um olhar à frente, na modernidade, na contemporaneidade e no que esta por vir. Ao mesmo tempo, também tenho uma ligação com a história da família, com móveis e pinturas de família. É um clássico moderno sempre focado na atualidade, nas tendências. Mas gosto também das peças que são fontes de inspiração, coisas lindas dos mestres do século XX, que são as nossas referências

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
P.M: Eu acho que o essencial é estar em boa conexão com o cliente. Não é ter isso ou aquilo, mas estar em sintonia com o cliente.

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
P.M: É fundamental. Acho que hoje em dia ninguém pode perder esse foco, ou estará fora de moda. Quem não pensa nisso está ultrapassado.

RD: De onde vem a sua inspiração?
P.M: Vem de tantos lugares, mas principalmente de viagens, literatura e das belezas da cidade. A literatura é uma coisa que estimula a imaginação. Quando lemos, construímos um espaço dentro da gente. E viagem pra mim é uma coisa fundamental, porque a gente sempre se renova, abre a mente e o espírito. E no Rio de Janeiro, o Jardim Botânico, por exemplo, é uma fonte de inspiração diária. A cidade como um todo, com essa luz e a natureza, inspira. Isso tudo é importante porque o arquiteto é um ser curioso.

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
P.M: O vermelho. É uma cor que vai com tudo. Ele é pontual, mas é uma marca muito forte. Quando posso, pontuo com vermelho.

RD: Forma, função ou emoção?
P.M: Os três de mãos dadas. Tem uma frase do arquiteto Mies van der Rohe que é meu lema de todos os dias: “Nós temos que ter a cabeça nas estrelas e os pés no chão”.

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
P.M: A minha casa é muito particular, porque tem moveis de família e também os clássicos de sempre, anos 30, 50, 70. Eu sou muito ligada a essas coisas bacanas de família. Tenho muitos livros e quadros do piso ao teto.

RD: Que projetos entregou recentemente?
P.M: Um iate de 92 pés, que foi uma experiência extraordinária. Tem também uma cobertura tríplex no 31º andar, em Belém, fora do normal, saindo do forno.

RD: Que projetos está fazendo atualmente? Algum que curte em especial?
P.M: Estou fazendo uma casa em São Paulo em parceria com meu pai, que tem 83 anos e está na ativa. Ele fez o projeto e eu estou fazendo o interior. É uma super casa e é a paixão aqui do escritório. São trabalhos muito estimulantes.

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
P.M: Sergio Rodrigues, porque o conheço há muito tempo, ele é amigo do meu pai. Ele é um ícone, não tem nem o que falar. Adoro Etel Carmona também. Se eu pudesse, só teria estes nos meus projetos e pontuava com alguns italianos.

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
P.M:  Acho que é saber traduzir os desejos dos clientes. Isso é um aprendizado de todos os dias.

Foto: Kitty Paranaguá