Com experiência em diversas áreas e uma estreia elogiada no último Casa Cor Rio, Ketlein Amorim afirma ser importante analisar o cliente para saber o que projetar. “Vejo o espaço que tenho e o potencial que há ali e adequo isso às necessidades dele. Não acho que o arquiteto tenha que ter um estilo definido. Acho que o estilo tem que ser definido pelo perfil do cliente”, diz a arquiteta em entrevista ao Radar Decoração.

RD: Por que você escolheu essa profissão?
Desde pequena gosto de desenhar plantas. Na escola eu projetava casas para os amigos, fazia como hobby. Adorava criar espaços e ter como desafio solucioná-los funcionalmente e esteticamente. Daí, resolvi tentar a profissão, mesmo sem ter nenhuma referência na família quanto a esse caminho profissional.

 

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
K.A: Eu analiso o cliente. Aprendi que a arquitetura caminha junto com a psicologia. Vejo o espaço que tenho e o potencial que há ali e adequo isso às necessidades dele. Não acho que o arquiteto tenha que ter um estilo definido. Acho que o estilo tem que ser definido pelo perfil do cliente. Cada cliente é um projeto, com suas particularidades. Eu aprendi muito nos escritórios em que trabalhei, e mesmo nessa época sempre fazia em paralelo as minhas obras e projetos. Diversifiquei as minhas experiências para “abrir a mente”, chegando a trabalhar até com cenografia de jornalismo e shows de TV. Me formei em 94, mas só decidi trabalhar por conta própria em 1998, quando o volume dos meus projetos e obras não me permitia mais fazer outra coisa. Foi quando montei o meu home office.

Só fui para um endereço comercial quando me senti totalmente amadurecida para isso. O escritório ficava em uma galeria de um edifício no centro. Nessa época, conquistei uma boa clientela comercial. No início fazia não apenas as minhas obras, como também executava obras para outros arquitetos, o que me gerou uma experiência maior em execução de obras com linguagens de desenhos diferentes. Além das muitas horas de trabalho, fazia sempre diversos cursos, com destaque para os de Perícias Judiciais e Avaliações pelo CREA, que me fez assistir muitos processos judiciais em minha área. Fiz também especialização em instalações e pós em Design de Interiores. Meu trabalho é bem diversificado, inclui projetos residenciais, comerciais, condomínios, reformas, sempre entendendo que cada novo projeto é um desafio e que deve ser estudado como o primeiro. Talvez seja por isso que a maior parte dos meus clientes chegue até mim por indicação de outros clientes.

 

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
K.A: É essencial pensar e esgotar as opções, deixar fluir a criatividade.

 

RD: Qual a importância de materiais sustentáveis no seu trabalho?
K.A: Acho que é uma questão de consciência contribuir para a preservação do meio ambiente. A cada dia novos produtos surgem, com propostas inovadoras que podem ser aplicadas em diversas fases do projeto. Estou sempre atenta. Mas os custos de alguns produtos e processos ainda é muito alto.

 

RD: De onde vem a sua inspiração?
K.A: Materiais, experiências, outros projetos, natureza, vida… São diversos os lugares de onde flui minha imaginação.

 

RD: Quais são suas cores favoritas no décor?
K.A: Tento não ter preferências para ser o mais neutra possível, de modo que o perfil do cliente prevaleça. Mas é óbvio que existem as nossas preferências pessoais e elas acabam nos influenciando. Acho que o branco é uma cor que está quase sempre presente, para contrastar ou para predominar. Simpatizo com diversos outros tons, como vermelho, verde e marrom.

 

RD: Forma, função ou emoção?
K.A: Emoção o tempo todo. Só finalizo um anteprojeto quando sinto que ele “nasceu”. Enquanto eu não sinto que a melhor proposta “aconteceu”, eu não apresento. Função sempre, não adianta ter um projeto lindo que não seja funcional. Forma também é tudo. De que adianta ser funcional e não ser agradável, atraente? Impossível separar os três.

 

RD: Quais você acredita serem as peculiaridades do mercado carioca? O que falta nele?
K.A: Faltam eventos na área comercial. As mostras de decoração do Rio focam apenas os projetos residenciais. Faltam também feiras de construção, como as existentes em São Paulo.

 

RD: Como você avalia sua primeira participação no Casa Cor Rio?
K.A: Importante, porque o Casa Cor é uma referência na área de arquitetura de interiores e está voltado para um público com gosto mais refinado. Projeta o nome do arquiteto no mercado e possibilita um encontro e troca de experiências com outros profissionais da área.

 

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
K.A: Minha casa é prática, funcional e contemporânea, sem excessos. Gosto de demolição, da madeira e da mistura com materiais mais contemporâneos, como a laca. Plantas e boa iluminação fazem parte da decoração. Conforto também é fundamental: gosto de sofás e chaises para relaxar. E invisto na praticidade em todos os locais, inclusive nos materiais, que é para facilitar a correria do dia a dia.

 

RD: Que projetos entregou recentemente ou está fazendo que gostaria de destacar?
K.A: Há um projeto de uma casa em andamento em Rio Bonito. É uma área de construção de 500 metros quadrados e terreno de 1.080 metros quadrados.

 

RD: Algum projeto que sonha em fazer e nunca fez?
K.A: Vários… Ainda tenho aquele friozinho na barriga em cada projeto fechado. Comerciais diversos, edifícios, grandes residências…

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
K.A: Alguns deles: Philippe Starck, Sérgio Rodrigues, Flavio Borsato e Maurício Lamosa.

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
K.A: Lidar com pessoas de diferentes níveis sociais e entender que todos têm suas peculiaridades e particularidades, que são únicos e importantes. Do ponto de vista de trabalho, a cada dia sinto que aprendo mais, seja em obras ou em projetos. E aprendi a me manter sempre aberta a novas experiências.

Foto: Mca Estúdio