Lapa

Augusto Malta foi um dos mais importantes fotógrafos brasileiros. Contratado pela Prefeitura de Pereira Passos, registrou as mudanças estruturais no Rio de Janeiro por cerca de 30 anos, no início do século XX. A abertura de grandes avenidas, a demolição do morro do Castelo, a extinção de cortiços para abrigar bairros nobres, o povo carioca em sua essência, nada escapou das lentes de Malta. Graças a ele, a cidade do Rio de Janeiro possui um acervo de 80 mil fotos, entre os anos 1900 e 1940.

Vista Chinesa

Grande admirador de Malta, o também fotógrafo Marcello Cavalcanti teve a ideia de revisitar seu Rio de Janeiro, refazendo as célebres fotografias, nos dias atuais, buscando o ângulo e local exato. Posteriormente, através de manipulação digital, uniu as imagens, selecionando minuciosamente o que ficaria em cena, em cada uma. O resultado final coloca lado a lado pessoas separadas por quase um século, meios de transporte, edificações, vestuário, costumes, etc.

Arpoador

A charrete passa apressada em frente ao Municipal, mas com cautela, pois os enormes ônibus cruzam a Av. Central (ou Rio Branco?). Na Rua do Lavradio, as crianças brincam nos trilhos do bonde puxado a burro – esses ainda não foram substituídos pelos elétricos. Por falar em bonde, o ponto em frente ao relógio da Glória é um dos mais concorridos, levando os estudantes até a Gávea. Chegando a Zona Sul carioca, modernosos veículos dos anos 1910 enfileiram-se para subir a estrada da Vista Chinesa, dividindo a pista com ciclistas e corredores de final de semana. E, o que dizer da praia? Os cariocas de bons costumes não conseguem entender como aquelas pessoas de roupas sumárias, quase desnudas, não ruborizam nas areias de Ipanema.

Cinelândia

O projeto Augusto Malta Revival recebeu menção honrosa da Prefeitura/Comitê Rio450 anos, o chancelando como relevante para o jubileu da cidade do Rio de Janeiro. O objetivo não é somente apresentar aos cariocas a história de sua própria cidade, de uma forma lúdica e de fácil entendimento a todos. Mas também, trazer à luz o importantíssimo legado deixado por Augusto Malta que, apesar de já configurar em domínio público, é pouco conhecido pela população em geral.

Praia de Ipanema

Sobre Augusto Malta

Augusto Cesar Malta de Campos, alagoano nascido em 1864, radicou-se no Rio de Janeiro em meados de 1888, e, anos mais tarde, trabalhando com venda de tecidos finos, conheceu a fotografia através de um cliente que o ofertou uma câmera em troca da bicicleta que usava para visitar a freguesia. O novo hobby virou intensa atividade, e seu olhar curioso e jornalístico o levou a trabalhar para a Prefeitura do Rio, sob a batuta de Pereira Passos, prefeito que tinha um grande desafio pela frente: Transformar o então distrito federal em uma cidade moderna e europeia, demolindo morrotes, eliminando cortiços, alargando ruas e abrindo avenidas. Malta registrou, durante 30 anos, além do “Bota-abaixo” de Passos, os habitantes do Rio, seu cotidiano, eventos sociais, políticos, ressacas, enchentes e desabamentos.

Contratado também em 1905, pela The Rio de Janeiro Tramway, Light and Power Company Ltd – Conhecida popularmente como Light – Malta produziu um extenso portfólio de imagens sobre as atividades da empresa, que foi contratada para a implantação de bondes e iluminação elétricos, substituindo os bondes de tração animal e lampiões movidos à gás e azeite. Hoje, a Light possui, em seu Centro Cultural, um inestimável acervo fotográfico deste período laboral de Malta, que ajuda a contar um pouco da história do Rio de Janeiro.

Malta faleceu em 1957 e deixou uma produção estimada em mais de 30.000 fotografias do Rio de Janeiro, que podem ser encontradas em acervos públicos e privados, além de inúmeras publicações impressas e digitais.

Sobre Marcello Cavalcanti

Designer gráfico e fotógrafo, nascido em 1980 no Rio, Marcello Cavalcanti sempre foi guiado por sua imaginação. Era o “desenhista” da turma; criava personagens, livros fictícios e histórias em quadrinhos. A primeira câmera, ganhou em uma gincana estudantil, mas fotografia entrou em sua vida definitivamente na faculdade de design (PUC-RIO) onde percebeu que tinha em mãos uma poderosa ferramenta criativa para auxiliar em seus projetos gráficos. Com quase 15 anos de carreira, coleciona participações em exposições solo e coletivas.

Marcello sempre foi grande admirador do olhar documental de Malta. A cerca de 2 anos, ao se deparar com uma imagem da orla da Zona Sul completamente inabitada no início do século XX, ele vislumbrou um paralelo com a densidade urbana existente hoje no mesmo local e decidiu expor visualmente esta transição, refotografando a mesma cena e unindo as imagens em um processo digital. O projeto foi exposto e viralizado nas redes sociais, chamando atenção da mídia, do comitê Rio450 e da Light, patrocinadora desta exposição.

Augusto Malta Revival – O olhar documental de Augusto Malta, pelas lentes de Marcello Cavalcanti

Data: 28/10 a 20/11

Local: CCL – Centro Cultural Light

Av. Marechal Floriano, 168 – Centro – Rio de Janeiro

Horário de visitação: 2ª a 6ª Feiras, de 10 às 17h