Ele afirma não ser designer de interiores, e sim cenógrafo, devido às muitas áreas em que atua. Edgar Otávio está na profissão há 30 anos e coloca sua assinatura em projetos de moda, festas, residenciais e comerciais, seus favoritos. Quanto ao estilo, ele diz ser bem eclético e não seguir modismos, mas o coração.

 

RD: Por que você escolheu essa profissão?
E.O: Porque fui criado no mundo das artes. Meus pais eram artistas e intelectuais e nossa casa sempre foi bonita, tanto em épocas boas quanto ruins financeiramente. Minha mãe sempre cultivou o bem-estar, com a casa cheia de flores, obras de arte, e uma mesa posta bem bonita. Na minha casa tinha almoço com saraus com o pessoal da Bossa Nova. Eu comecei fazendo vitrine ajudando um amigo e um dia ele faltou e fui cobrir seu lugar. Ali vi que tinha aptidão para decoração. Eu digo que sou cenógrafo, porque atuo na área de moda, eventos, festas e faço os projetos da Lenny e da Daslu.

 

RD: Como você define seu estilo e como foi o caminho que percorreu para desenvolvê-lo?
E.O: É um estilo bastante eclético. Gosto de tudo desde que tenha bom gosto e seja fora do comum. Detesto mesmice, aquela coisa de seguir a moda. Para mim tudo tem que contar uma história. Fazer igual a todo mundo é uma bobagem. Gosto de imprimir uma coisa pessoal dos clientes em cada trabalho.

 

RD: O que você considera essencial em qualquer bom projeto de interiores?
E.O: Bom gosto e conforto.

 

RD: De onde vem a sua inspiração?
E.O: Vem de repente, aparece, vem do nada. Na realidade eu tenho uma qualidade que é a seguinte: quando o cliente está me contratando eu já estou criando. Não preciso parar uma semana para fazer um projeto. Preciso de uma semana para desenhar, porque tenho preguiça, mas a ideia vem na hora. Depois vou acrescentando mais coisas. Agora mesmo estou indo fazer um desenho pro Fashion Rio, de uma festa da La Estampa na Ilha Fiscal, e já saí de casa com tudo na cabeça.

 

RD: Forma, função ou emoção?
E.O: Emoção.

 

RD: Qual o estilo da sua casa? O que você gosta de ter nela?
E.O: Tudo o que eu vejo quando viajo, sou um viajante. Minha casa não tem um estilo especial, tem tudo que eu gosto, desde o Mickey até o mais clássico murano, sempre com uma composição harmônica. A casa é para viver e gostar, e não para os outros verem. Só não gosto do que está extremamente na moda. Mas é como eu disse na outra pergunta, sou guiado pela emoção.

 

RD: Que projetos entregou recentemente?
E.O: As três últimas lojas da Daslu, o projeto arquitetônico do restaurante Dolce Vita, a casa da Maria Beltrão, antropóloga. E acabei de fazer uma coisa muito interessante, que foi um stand de feira de gado em Uberaba. Foi um rural chique, muito sofisticado. Também fiz a loja nova da Corporeum, em Ipanema, toda com inspiração nos anos 40.

 

RD: Que projetos está fazendo atualmente e gostaria de destacar?
E.O: No Casa Cor, estou fazendo a Mercearia da Casa, que vai funcionar dentro da mostra. É uma mercearia em moldes mais antigos e vai vender mesmo os produtos. Gosto mais de trabalhar com comercial. É minha especialidade.

 

RD: Quem são seus designers de mobiliário favoritos?
E.O: Todos os escandinavos, os franceses clássicos e os brasileiros modernos, como Irmãos Campana e Zanini de Zanine.

 

RD: Qual o maior aprendizado nos anos de profissão?
E.O: Aprendi sempre com os erros. Ainda não existe um aprendizado maior. Errando você vai aprendendo.