Há exatos 16 anos, Christiane Laclau largava uma carreira de sucesso na moda – com passagens pela Richards, Blue Man e Mr. Cat – para desbravar um mundo novo. “Eu era simplesmente apaixonada por decoração. Viajava e pesquisava esse universo intuitivamente, devorava todas as revistas do tema. Enfim, resolvi arriscar e me tornei designer de interiores. Foi uma virada”, lembra. Seu primeiro projeto foi a cobertura em que vivia em um predinho antigo, no Jardim Botânico, e logo os amigos começaram a encomendar ideias para suas casas. A partir daí, não parou mais – incluindo participações em cinco edições do Casa Cor. “Como tenho muita experiência com moda, acho que sei usar bem a cor e gosto de ousar. Meu olhar não é viciado nem restrito”, aponta ela. Hoje, sócia do arquiteto Rafael Borelli, Chris comanda um escritório de onde saem projetos residenciais e também empreendimentos maiores, como o do prédio Alvar Aalto (na rua Custódio Serrão) –  o único carioca selecionado para concorrer ao prêmio “O Melhor da Arquitetura”, promovido pela Revista Arquitetura & Construção. E ainda encontra tempo, energia e bom gosto para ser consultora de estilo da H Stern Home, loja para onde garimpa objetos e peças bacanas no mundo inteiro. Haja fôlego.

Conta um pouco a sua formação, como começou com a arquitetura e  decoração?

Comecei fazendo produção de decoração para Revista Elle e, depois, direção de arte, criando cenários para comerciais de TV.

O que considera essencial na boa arquitetura?

Funcionalidade, aliada a equilíbrio estético.

E na decoração?

Harmonia sem excessos.

Um projeto seu está atualmente concorrendo ao prêmio “O melhor da arquitetura”, da revista Arquitetura & Construção. Provavelmente o único carioca selecionado na competição. Conte a história desse projeto e porque é tao bem-sucedido?

A arquitetura urbana carioca, em geral,  me entristece. A cada mês a cidade fica mais feia e o mau gosto vai se superando. O Edifício Alvar Aalto. no Jardim Botânico, é um projeto de
sucesso porque se destaca pela combinação harmônica dos materiais, pelo volume estudado e bem-pensado. Aqui a estética foi valorizada e esse é um conceito que faz toda a diferença no resultado final e na qualidade de vida de quem mora ali.

Há algum estilo que você privilegia em seu trabalho?

Gosto de tantas coisas: de arquitetura belga e também argentina; de design escandinavo, de arte africana, do estilo de vida dos ingleses, de madeiras brasileiras e da forma como nosso povo sabe trabalhá-la. Tantas coisas influenciam a mim e a meu sócio, que eu não saberia dizer precisamente qual é nosso estilo. No fundo, é um mix de referências que vamos garimpando por aqui e pelo mundo.

Você gosta de objetos, de decoração, não? Conte um pouco do seu trabalho como consultora na H Stern Home.

Eu já trabalhava como consultora para eles há 8 anos, mas em outra área, e fui convidada para assumir a H Stern Home. Com toda liberdade, introduzi uma série de novos produtos, de todas as partes do mundo. Um exercício de treinar o meu olho e que me tornou uma decoradora mais completa e experiente.

Você acha que os objetos, em uma casa, devem contar uma historia? Falar da personalidade dos donos?

Absolutamente. Lógico que é bom comprar coisas novas, atualizar a casa, mas as pessoas tem que ter paixão pela vida que vivem e esta paixão é muitas vezes expressa pelo que foi acumulado ali. E o arquiteto/decorador tem que ter o bom senso para valorizar esse acervo pessoal.

Que arquitetos,, designers, você admira?

Sendo bem óbvia, Mies van der Rohe pela sabedoria ao utilizar materiais e generosidade com espaços. Sendo menos óbvia, gosto de Piet Boon, Claire Bataille & Paul Ibens e Bruno Erpicum.

E o seu escritório? Que tipo de projeto adoraria fazer?

Gostaríamos de fazer um hotel. Desde a arquitetura até a escolha do sabonete do banheiro.

Acredita em decoração autoral? Assinada?

Não, porque o decorador tem que se flexibilizar, de acordo com o cliente.