O lançamento será no canal do Youtube da Humana Sebo e Livraria, de Chapecó, às 19 horas, numa conversa da artista com Helena Fretta, Rosângela Cherem, Flávia Person, Andrey Parmigiani, Thays Tonin e Onor Filomeno, e mediação de Fernando Boppré, Janaína Corá e Daiana Schvartz (Humana). Serão sorteados exemplares do catálogo durante a live.

A publicação terá distribuição gratuita e exemplares serão enviados a instituições de ensino de artes, bibliotecas e centros de artes. Uma versão digital também estará disponível para download no site www.julianahoffmannart.com.

O catálogo apresenta imagens de 28 obras, fotografias da exposição, uma breve retrospectiva das fases da carreira da artista, um dos principais nomes da arte contemporânea em Santa Catarina, textos da própria Juliana Hoffmann e de uma série de artistas visuais, curadores, historiadores e pesquisadores de arte: Helena Fretta, Rosângela Cherem, Flávia Person, Thays Tonin, Andrey Parmigiani, Maria Esmênia, Onor Campos Filomeno, Josimar Ferreira, Floriano Martins, Kenneth G. Hay, Fernando Boppré, Juliana Crispe e Suzana Bianchini.

Sobre Viventes apresenta impressões de imagens de árvores em tons de marrom e sépia sobre páginas de livros antigos que, posteriormente, foram bordadas e perfuradas, e uso de pintura, fotografia, vídeo, manipulação digital de imagem, backlight, instalação interativa e diferentes materiais como papel, linha, tela, tinta, vidro e acrílico.

A natureza está presente de algum modo em toda a obra da artista nascida em Concórdia, em 1965, e que vive em Florianópolis. Juliana Hoffmann trabalha sobre questões que a rodeiam e a incomodam, e decidiu-se pelo tema das florestas e sua condição de viventes em meio ao caos como uma forma de compreender e questionar o que significa estar no mundo.

Desta vez, nas florestas escuras impressas, a artista perfura os troncos simbolizando poros para respirar. Inicialmente pensando que retrataria as florestas iluminadas de sua infância e juventude, o preto, sem que ela quisesse, foi tomando conta das telas. A sensação de sufocamento sentida por ela foi sendo diminuída pelos poros nas árvores, criando florestas em claro-escuro que resistem e levitam em direção ao céu. Luzes acenam em meio aos troncos escuros, ao mesmo tempo em que sinais amarelos e vermelhos lembram do modo como nós insistimos em lidar com a natureza.

A artista é influenciada pelo meio que a cerca desde suas primeiras obras: nos anos 1980 criou desenhos que revelam os cenários campestres da sua infância e depois fotografias e colagens sobre uma vida adulta sufocada pela cidade urbanizada, e, mais recentemente, uma série com base em livros de seu pai destruídos pelo tempo e por traças.

Agora, numa atitude quase premonitória, seu processo criativo coincidiu tristemente com o aumento do desmatamento e das queimadas no Brasil, que registrou o Dia do Fogo (10 de agosto de 2019), quando produtores rurais da região Norte do país teriam iniciado um movimento conjunto para incendiar áreas da maior floresta tropical do mundo, e em 2020, com os incêndios  que destruíram 30% da área do Pantanal, além da contínua devastação da floresta amazônica, da Mata Atlântica e do Cerrado.

Arte é também ativismo, um exemplo é a obra de Franz Krajcberg, artista polonês naturalizado brasileiro que utiliza troncos carbonizados para denunciar os crimes que cometemos com tudo o que vive. Juliana Hoffmann faz o mesmo, à sua maneira muito particular, e mostra, com todo assombro, sensibilidade e beleza, que é urgente sobreviver.

 

Catálogo Sobre Viventes

Lançamento 11 de fevereiro

Live às 19 horas

Youtube Humana Sebo e Livraria