A coluna Design Rio publicou em reportagem: “Num tempo em que muitos cariocas estranhavam a ideia de viver uns sobre os outros, erguer prédios residenciais na Copacabana dos anos 20 e 30 era  sinônimo do desafio de criar ambientes que lembrassem a vida nos casarões do bairro — tanto em beleza quanto em espaço. Desse esforço, traduzido em entradas sofisticadas e amplas, materiais nobres e rico design de interiores, nasceram três joias art déco do bairro, os edifícios Itahy, Itaoca e Guahy, parte da Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) do Lido desde 1992. Em mais de 80 anos de existência, os prédios conservam diversas marcas inconfundíveis do estilo que os ajudou a conquistar moradores e ainda causa orgulho entre seus ocupantes. Mas também sofrem
com descaracterizações que vão do fechamento de varandas ao uso de tapetes cobrindo seus maravilhosos pisos. Nessa vida de contradições, o cenário bucólico dos anos 30 deu lugar a um bairro de paredões de prédios. Ainda assim, em sua principal avenida, a Nossa Senhora de Copacabana, o número 252 sobressai em meio ao caos urbano: a entrada do Itahy, construído em 1932, impressiona desde o primeiro momento: sua pesada porta de ferro com motivos marinhos é guardada por uma sereia índia, num dos mais emblemáticos exemplos da influência nativista sobre o art déco  brasileiro. Completado por uma moldura de majólica verde — cerâmica esmaltada comum nos prédios do estilo, caso também do Itaoca — o acesso revela a portaria que figura facilmente entre as
mais belas do estilo: o mosaico em tons de azul e verde simulando o mar no chão, que parece se movimentar, tem a bossa de um singelo peixe que recebe o visitante. Já no Itaoca, na Rua Duvivier 43, as boas-vindas são dadas pelo muiraquitã, talismã amazonense que se repete ao longo da fachada, marcada por linhas horizontais em volumes salientes. E, no Guahy (Rua Ronald de Carvalho 181), a entrada chanfrada sugere um cocar de índio. Exemplos do diálogo da temática decorativa art déco com a cultura nacional, claro até no nome dos edifícios”. Leia mais no jornal O Globo.

Fonte: O Globo/ Rio/ Design Rio/ 12/05/13