Todo ano o Casa Cor invade uma casa, um prédio ou um hotel carioca e transforma a construção em sinônimo de beleza e sofisticação. Disso todo mundo sabe. Mas o que pouca gente tem conhecimento é de que a empresa responsável pelo evento, a 3Plus, recupera os imóveis, muitas vezes tombados pelo IPHAN  (Instituto  do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Quem conta é o arquiteto Mario Santos, que além de participar da mostra (assinando o escritório da casa), coordena todo o trabalho de implantação do evento há cinco anos.

“Todos os arquitetos participantes, mesmo que não façam intervenções em seus ambientes, têm de entregá-los novinhos em folha. Esse é o detalhe. Muita gente pensa que um evento em uma casa possa destruí-la, mas o Casa Cor conserta antigos defeitos, faz alguns restauros; é o que determina o contrato firmado com os proprietários (no caso a Firjan). O Casa Cor é um presente para a cidade”, diz Mario.

E como ocorre essa transformação? Como pegar um imóvel muitas vezes antigo e fora de uso e transformá-lo em uma casa dos sonhos? Não dá para deixar simplesmente que cada arquiteto viaje em seu ambiente. Há que se ter um planejamento, um projeto de implantação. “Faço um estudo dos espaços e levantamento dos ambientes existentes, adaptando o imóvel para a realização do evento”, conta Mario. “O imóvel deste ano é tombado; um dado muito importante na hora de dividir a casa em ambientes e nomeá-los. As bases são o respeito e a valorização do Patrimônio, protegendo-o, sem deixar de incentivar a criatividade dos participantes”, explica.

Também cabe a Mario a indicação do caminho ideal para que o vistante possa conhecer a casa. “Tudo tem uma lógica. Minha prioridade, diferentemente do que acontece em outros Casa Cor Brasil afora, é que o visitante sempre entre pela casa pelo social, depois conheça a parte íntima e só depois o serviço”, diz.

Não é só. Mario Santos define a localização dos jardins (desenhando o contorno dos mesmos e lembrando aos arquitetos que inclusive as árvores são tombadas ), e determina áreas máxima e mínima para cada ambiente. “Nenhum projeto pode tampar o outro. Avalio alturas, detalhes. A circulação entre os ambientes também é uma preocupação”, diz. Por isso, há mais de um mês do evento, Mario tem em mãos a maioria dos projetos dos participantes. “Quem não mandou ainda já conversou comigo ou já conhece muito bem as regras”, diz.

Enquanto os arquitetos executam seus projetos para que tudo esteja pronto para o dia da estreia (30 de outrubro), o palacete, em Botafogo, começa a ter sua fachada restaurada. Depois do Casa Cor, o trabalho continua. A empresa proprietária da casa, a Firjan, conta com a consultoria do renomado arquiteto Jorge Hue para que a casa passe por uma restauração completa.  “O Jorge Hue conhece muito bem o imóvel. Trinta anos atrás fez reformas para os antigos proprietários”, explica Mário Santos.